MAIS UMA VEZ COM O CORAÇÃO

Banda Filarmónica


Por:Steve Jonhston

2015-07-08
Steve Johnston, ex-diretor artístico do Teatro ao Largo, convida-o a apoiar a vossa Banda Filarmónica.

No verão passado tornei-me membro da Banda Filarmónica de Odemira, um humilde terceiro clarinetista, juntamente com dois jovens, com menos 50 anos do que eu (e que tocam bem melhor) e um bombeiro, que ficou conhecido por sair à pressa dos ensaios para ir apagar um incêndio. Nós, os clarinetistas, sentamo-nos à frente, sob o olhar atento do jovem e paciente maestro, Daniel Batista, que tem o charmoso hábito de ignorar as minhas desafinações e notas erradas como se nunca acontecessem.

 

Com sessenta e sete anos, sou um dos membros mais velhos; muitas vezes olho com saudade para as imponentes tubas na última fila, ondedeveria estar alguém com a minha idade. Mas estou agradecido, e deveras surpreso de ter sido aceite nesta banda, tendo eu passado a minha vida musical em géneros vergonhosos como o rock n’ roll e tocado violino pelas ruas da Europa.

 

A nossa banda está florescente. Uma das razões é ser bem apoiada pela Câmara Municipal. Reparem no resto da Europa. É raro encontrar este nível de apoio financeiro local a uma banda. Acreditem em mim; é uma das áreas em que Portugal está à frente. Neste momento estou a trabalhar na Alemanha; não há nada parecido com isso por aqui.

 

As Bandas Filarmónicas pertencem a um outro mundo – um mundo que corre o risco de desaparecer. O estilo musical e o estilo dos uniformes são muito tradicionais. Os eventos onde vamos tocar, principalmente as festas religiosas de aldeia, parecem levar-nos de volta aos infestos tempos de pobreza e autoritarismo. Quando se faz uma parada pela rua principal, a tocar uma marcha animada, os sorrisos na cara dos turistas e visitantes de fim de semana são por vezes condescendentes, em vez de sinceros.

 

Não podia estar mais nas tintas. De facto a nossa música é boa. É bem tocada. Estamos bem ensaiados. Todos conseguimos ler música. Mais importante, nós somos a expressão tangível de uma comunidade forte. Nestes dias de incerteza económica, o que é que nos vai fazer recuperar a confiança em nós próprios? Não acredito que sejam as noções fantasiosas de políticos que tentam persuadir Christine Lagarde de que Portugal é na realidade tão competitivo como a Suíça... só se fossemos zarolhos.

 

Eu acho que o que irá fazer com que Portugal se levante é algo que já temos - o nosso compromisso para com a comunidade local, uma forte crença nos valores comunitários, cuidando uns dos outros. É aqui que temos de investir, Sr. Político de Lisboa, não em submarinos e em Expos.

 

Agora, provavelmente você deve estar a pensar: como é que eu me junto à banda? Bem, o incrível é que a banda tem a sua própria escola, gratuita, onde qualquer pessoa pode aprender um instrumento e trabalhar o seu caminho nas fileiras. Simplesmente envie um e-mail à Luísa (odemirabf@gmail.com). Ou então venha aos nossos concertos, são muito agradáveis. Ou talvez haja alguma outra coisa que você possa fazer para ajudar.

 

As aulas são das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 19:00 e os Ensaios às 21:00. Sempre aos sábados na Casa do Povo de Odemira.