LEGISLATIVAS 2015

Livre - Tempo de Avançar

Ana Matos Pires, 51 anos, médica psiquiatra, mestre em Psiquiatria e Saúde Mental

2015-09-02
“Dois pontos essenciais e diferenciadores são, sem dúvida, o modo como fui eleita para cabeça de lista e a minha ‘deformação’ profissional”

Ana Matos Pires, 51 anos, médica psiquiatra, mestre em Psiquiatria e Saúde Mental, docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve e diretora do serviço de psiquiatria do Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo

 

1 - Quais as razões subjacentes a ter aceite encabeçar a lista do seu partido/coligação, pelo distrito de Beja?

 

Não “aceitei” encabeçar a lista. Tal como os restantes elementos que compõem a lista da candidatura cidadã LIVRE/Tempo de Avançar fui eleita diretamente em eleições primárias por votantes do distrito e isso torna-nos diferentes de todas as outras organizações políticas que se apresentam a sufrágio. Enquanto independente de esquerda decidi “candidatar-me a candidata” porque me revejo no projeto político apresentado pela candidatura L/TdA e porque me pareceu uma boa maneira de participar numa proposta de cidadania ativa na região onde desenvolvo, com gosto e orgulho, a minha atividade clínica no âmbito do SNS.

 

2 - Quais são, neste momento, as necessidades prioritárias da região?

 

São necessidades transversais ao país: o combate ao desemprego e ao emprego precário e a recuperação económica. 

A esta maior e mais premente necessidade - a criação de emprego - acrescem necessidades específicas da região, nomeadamente a melhoria das acessibilidades e transportes, a coesão social e o apoio às populações mais isoladas e carenciadas em áreas primordiais como a saúde, a educação e a justiça, ou a procura de alternativas de exploração agrícola e de desenvolvimento sustentáveis.

 

 

3 - A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015, face ao período homólogo, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. De que forma pode o Baixo Alentejo contribuir para fortalecer a economia da região e do país?

 

As principais áreas onde o Baixo Alentejo pode contribuir para o crescimento económico, com implicações a nível local e nacional são:

 

  • A agricultura e a pecuária – sectores fundamentais no contributo da região para o aumento do emprego, da produção, do consumo interno e das exportações.
  • O turismo – tanto no Litoral Alentejano como na região do Alqueva e demais pólos de atração turística da região, valorizando o património histórico, cultural, ambiental ou gastronómico.
  • A ciência – rica em recursos naturais, o Baixo Alentejo é uma região com condições únicas para a investigação científica, particularmente direcionada para o desenvolvimento, valorização e preservação de produtos, fauna e flora, enquanto bens de interesse ecológico, alimentar e económico.
  • A mobilidade – o Baixo Alentejo, pela sua posição geográfica privilegiada, deve constituir-se como uma região charneira nas ligações entre centro e sul do país e, principalmente, na ligação entre o Mar e a Europa. Um eixo inter-regional e transfronteiriço, que valorize as potencialidades e conexões de transporte marítimo, rodoviário, aéreo e ferroviário e que assegure o transporte de mercadorias e pessoas no trajeto Sines-Beja-Espanha, colocará o Baixo Alentejo numa posição nevrálgica do desenvolvimento económico nacional.

 

 

 

4 - Quais são as principais linhas programáticas que apresenta para o desenvolvimento da região?

 

Recuperação económica - a criação de emprego através do investimento público em áreas fundamentais como a indústria agrícola, pecuária e turística e a ciência.

 

Coesão social, desenvolvimento regional e mobilidade - reabilitação da rede rodoviária e conclusão do IP8, cuja suspensão lesou gravemente o ambiente, as populações e a economia do Alentejo; reabilitação da rede ferroviária, nomeadamente nas ligações de Beja a Évora e ao sul do país; dinamização e aproveitamento do Aeroporto de Beja para transporte de mercadorias e passageiros.

 

Reorganização da orgânica geral da Saúde, em particular da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, com melhor articulação entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares, fulcral num distrito com as características geodemográficas de Beja.

 

Democratização da sociedade e descentralização dos poderes e serviços, reforçando a proximidade com todos os cidadãos.

 

 

5 - No que diz respeito à agricultura, o regadio do Alqueva veio possibilitar a diversificação da agricultura. Como vê esta mudança na paisagem, que prós e contras identifica?

 

O regadio do Alqueva permite a exploração de novos mercados, o aparecimento de novos nichos e oportunidades de negócio e contribui para o desenvolvimento económico e aumento das exportações. É no entanto fundamental que este processo de modernização agrícola seja acompanhado com rigor, assegurando um desenvolvimento sustentável. As alterações na paisagem e nos solos provocadas pelo regadio devem ser alvo de constante acompanhamento técnico, científico e político, garantindo condições de justiça e igualdade no acesso aos meios de produção e, em simultâneo, a utilização racional dos recursos e a sustentabilidade dos solos – fatores essenciais à subsistência sócio-económica das populações.

 

 

6 - O distrito de Beja é o maior do país, no que diz respeito à área. As distâncias a percorrer para aceder a serviços importantes para os cidadãos também são elevadas, como acontece por exemplo no caso de Odemira e de Barrancos. O que deve ser feito para que nenhum cidadão se prive de usufruir de serviços, por impossibilidades geográficas, financeiras e/ ou outras?

 

Apesar das enormes distâncias, é dramático que um cidadão de Odemira ou Barrancos demore cerca de hora e meia a deslocar-se de carro à capital de distrito e esteja tão mal servido de transportes públicos. A justiça e coesão social exigem a requalificação das acessibilidades, como já referimos anteriormente. É essencial o reforço dos apoios sociais e a prestação de serviços e cuidados nas zonas mais periféricas e isoladas. A desburocratização e descentralização dos serviços são igualmente importantes para que nenhum cidadão fique privado do acesso aos mesmos. 

 

 

7- O que entende que a distingue dos outros candidatos a deputados das listas concorrentes?

 

Dois pontos essenciais e diferenciadores são, sem dúvida, o modo como fui eleita para cabeça de lista - todos os outros candidatos foram “indigitados” pela organização política - e a minha “deformação” profissional - ouvir as pessoas e ajudá-las a reorganizar as suas vidas é a função principal de um médico psiquiatra, atividade que desenvolvo há mais de 20 anos e que julgo ser uma mais valia.