LEGISLATIVAS 2015

PS- Partido Socialista

Pedro do Carmo, 44 anos, jurista

2015-09-02
"Não sou eu quem se distingue. Este é um trabalho de equipa, assente em valores e princípios ideológicos comprovados com longos anos de serviço à causa do Baixo Alentejo."

Pedro do Carmo, 44 anos, jurista, presidente da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista e presidente da Câmara Municipal de Ourique desde 2005.

 

 

1 - Quais as razões subjacentes a ter aceite encabeçar a lista do seu partido/coligação, pelo distrito de Beja?

 

A política deve ser feita com compromissos e responsabilidade. Sinto que tenho a responsabilidade de dar o melhor de mim para servir a minha região, tal qual como em todas as funções políticas que desempenhei assumo a causa pública com sentido de missão. Esta é uma missão importante, num momento em que é preciso gerar confiança e defender com determinação os interesses do Baixo Alentejo. Este é o momento em que devemos combater quem nos abandonou, vencer o ostracismo de uma governação que em quatro anos destruiu emprego, criou isolamento, bloqueou o desenvolvimento.

 

 

2 - Quais são, neste momento, as necessidades prioritárias da região?

 

A maior de todas é a de criar coesão, através da defesa da região Baixo Alentejo, para além dos ciclos eleitorais e acima dos interesses partidários. E esta é uma diferença enorme entre o que é a visão do PS para a região e o que são as visões da coligação PSD/CDS e da CDU para a região. Nós defendemos o Baixo Alentejo, não contra ninguém mas a favor do nosso futuro e da nossa identidade. E os nossos adversários defendem ou a região Alentejo, insistindo na concentração de poderes e de investimentos em Évora, ou coisa nenhuma, como é o caso da coligação PSD/CDS.

 

Importa potenciar as nossas capacidades de desenvolvimento, que são decisivas para criar emprego, riqueza e melhoria da qualidade de vida dos baixo alentejanos, mas também porque esta região tem muito para contribuir para um país moderno, mais justo e mais competitivo. Não nos podemos resignar perante o silêncio ou a omissão e é nossa responsabilidade lutar pela concretização das acessibilidades, dos projectos de desenvolvimento regional, pelos cuidados de saúde de proximidade, garantindo acesso e qualidade, pelos serviços de educação e de justiça direccionados para os cidadãos e para uma sociedade mais moderna.

 

 

3 - A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015, face ao período homólogo, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. De que forma pode o Baixo Alentejo contribuir para fortalecer a economia da região e do país?

 

O Baixo Alentejo é uma região com enormes potencialidades, com capacidade produtiva e de exportação, com extração mineira, com potencial de produção de energias limpas, com oferta turística diversificada e com infraestruturas estratégicas (aeroporto, Alqueva e porto de Sines), que sendo bem utilizadas contribuem decisivamente para o crescimento económico do país. Ou seja, a promoção do investimento público na região atrai investimento privado de grande relevo e no conjunto ambos garantem um retorno económico importante para a economia nacional.

 

 

4 - Quais são as principais linhas programáticas que apresenta para o desenvolvimento da região?

 

Acima de tudo defender o Baixo Alentejo. E construir a ideia de uma região capaz de sustentar o seu desenvolvimento com acessibilidades, criação de emprego e desenvolvimento de projectos modernos nas áreas da agricultura, do ambiente e das energias. Assumir que as pessoas são o centro da governação política, garantindo dignidade humana, reforço dos apoios sociais e dos serviços de saúde, de educação e de justiça. Somos entre as candidaturas no terreno aquela que pode oferecer maior confiança nas promessas que são feitas, porque sempre que o PS governa o Baixo Alentejo avança. Ao contrário, quando o PSD e CDS governam a região pára. E quando PCP ganha força a região quebra a sua dinâmica e transforma-se num palco de bandeiras negras que apenas servem os interesses estratégicos e partidários dos comunistas.

 

 

5 - No que diz respeito à agricultura, o regadio do Alqueva veio possibilitar a diversificação da agricultura. Como vê esta mudança na paisagem, que prós e contras identifica?

 

Este é um excelente exemplo do que acabei de dizer: é uma obra que os outros quiseram contrariar, que nunca lhes serviu como modelo de desenvolvimento e de modernização da região, mas que agora oportunisticamente defendem. Mas a verdade é que é uma obra das governações do PS, e temos enorme orgulho nisso, não porque queremos estar certos nas opções mas porque contra tudo e contra todos tivemos a determinação de fazer o Baixo Alentejo avançar!

 

É importante que a nossa agricultura se modernize, para aumentar a oferta e diversificar a produção. Mas não nos devemos esquecer nem deixar cair o valor dos modelos convencionais de exploração agrícola: o extensivo de sequeiro e a pecuária, como modelos complementares dessa diversificação. O que Alqueva nos traz são vantagens enormes, com cuidados ambientais calculados.

 

 

6 - O distrito de Beja é o maior do país, no que diz respeito à área. As distâncias a percorrer para aceder a serviços importantes para os cidadãos também são elevadas, como acontece por exemplo no caso de Odemira e de Barrancos. O que deve ser feito para que nenhum cidadão se prive de usufruir de serviços, por impossibilidades geográficas, financeiras e/ ou outras?

 

É preciso e urgente recuperar o retrocesso que esta governação nos impôs! O nosso compromisso com as pessoas assenta exactamente na recuperação do conceito de interioridade, não o tratando como um problema mas sim como uma diferença. É preciso valorizar o interior e a ruralidade, só nos traz benefícios. Para tal, importa recriar os serviços de interioridade, combater o isolamento e devolver aos cidadãos o direito de acesso aos serviços públicos de saúde, de finanças, de segurança social, de educação e de justiça. É importante salvaguardar os interesses dos cidadãos. Se assim não for a política não serve como modelo de progresso da sociedade.

 

 

7 - O que entende que o distingue dos outros candidatos a deputados das listas concorrentes?

 

Não sou eu quem se distingue. Este é um trabalho de equipa, assente em valores e princípios ideológicos comprovados com longos anos de serviço à causa do Baixo Alentejo. A nossa candidatura vai para além dos seis candidatos que compõem a lista, é um reflexo da resiliência dos baixo alentejanos, é um compromisso de trabalho e de confiança. É verdade que é assumida por pessoas, com larga experiência de governação e de resolução de problemas, com conhecimento das dificuldades das pessoas e dos territórios. Mas esta não é a candidatura que se distingue das outras por oportunidade. Esta é a candidatura do Baixo Alentejo e pelo Baixo Alentejo!