DE QUEM É O OLHAR?

Natal – Época de Paz?

Guerras nunca são uma solução, antes pelo contrário, pioram os conflitos


Por:Monika Dresing

2015-12-09
Todos os milhares de milhões de euros gastos anualmente em todo o mundo em despesas militares poderiam resolver grande parte dos problemas se fossem gastos noutros sectores

Pelos vistos não é! Há guerras nos quatro cantos do mundo, há ataques terroristas em escala mundial, há destruição maciça do património mundial criado durante milhares de anos. Há gerações inteiras que só conhecem violência, guerras e miséria, não sabendo o que é viver num ambiente pacífico. Há os 50 milhões de refugiados cujo futuro é uma incógnita.

 

Mas podemos aproveitar a época natalícia para fazer uma reflexão sobre a paz e esta espiral eterna de violência e guerras. Quando olhamos para a situação actual vemos países inteiros a mergulhar no caos, Afeganistão, Síria, Líbia, Iraque etc., etc., países que há alguns anos ainda funcionavam como estados. Eram ditaduras onde os opositores eram brutalmente tratados, isso sim, mas ao mesmo tempo tinham sistemas de educação, de saúde, de economia que funcionavam mais ou menos bem.

 

E quando a população destes países começou a revoltar-se contra os opressores, entraram em cena as grandes potências mundiais, os Estados Unidos, a Rússia, a União Europeia. Vislumbraram oportunidades económicas e estratégicas, oportunidades para alargarem as suas zonas de influência e igualmente oportunidades para exportar e/ou utilizar as suas armas.

 

Como justificação para todo o tipo de acções belicistas falou-se muito nos direitos humanos violados naqueles países, só que estas violações existem também em muitos outros países. Mas estes não dispõem de algo que os torna interessantes para os países poderosos. Hoje sabemos que também se inventaram histórias para justificar acções militares, p. ex. a existência de armas químicas, de armas de destruição maciça, de ligações aos terroristas, etc.

 

Nunca se optou por dar apoios sociais às populações ou por iniciar uma educação democrática. Nunca se lutou contra a pobreza ou as desigualdades existentes naqueles países. Em vez disso dividiram-se os habitantes em etnias e grupos religiosos, fornecendo armas a uns e combatendo os outros. Assim chegaram armas e mais armas a estes países e também às mãos de pessoas que mais tarde se transformaram em terroristas. E com eles a guerra que tínhamos exportado para países longínquos voltou para nós.

 

No passado, as acções militares quase nunca resolveram quaisquer problemas, e hoje, com as novas formas de conflitos, menos ainda. Um exemplo muito significativo de como uma nação, mesmo dispondo de todo o tipo de equipamento militar mais avançado, não consegue vencer um povo unido foi a guerra de Vietnam. Desta guerra e de todas as outras deveríamos tirar a conclusão: Guerras nunca são uma solução, antes pelo contrário, pioram os conflitos. Todos os milhares de milhões de euros gastos anualmente em todo o mundo em despesas militares poderiam resolver grande parte dos problemas se fossem gastos noutros sectores. Poderiam igualmente minimizar o problema do terrorismo.

 

Existem estudos e exemplos que mostram que numa guerra tradicional a melhor defesa que um país possa ter é uma população verdadeiramente democrática e que sabe como e porquê lutar. Há acções civis mais ou menos pacíficas, tais como desobediência, boicote, sabotagem, que impedem que um invasor possa ter grandes lucros com a ocupação. E mesmo se este tipo de defesa não resultar totalmente, evitam-se inúmeras mortes e grandes destruições.

 

E a luta contra o terrorismo moderno? Vale a pena pensarmos também aqui em alternativas antes de mandarmos as bombas. A “guerra mundial contra o terrorismo” iniciado depois dos ataques em Nova Iorque não resolveu nada mas fez nascer mais terroristas, em última consequência provocou o surgimento do “Daesh”.