DE QUEM É O OLHAR

O Planeta Azul

Emissões de CO2


Por:Monika Dresing

2016-01-08
No concelho de Odemira é urgente a criação dum sistema de transporte público que seja uma verdadeira alternativa ao transporte individual

Terminou a Cimeira do Clima de Paris, congratularam-se os governantes, atingiu-se um “acordo histórico”. É mesmo verdade? Durante duas semanas, dezenas de milhares de pessoas negociaram os pormenores dum plano para mitigar as emissões de CO2, mas cada um com o objectivo de defender os seus próprios interesses nacionais. Voluntariamente, nenhum dos países mais evoluídos quis abdicar do seu modo de vida. O mundo como um todo não estava na mira.

 

Às vezes pergunto-me: -Estes Senhores não têm filhos? O futuro do planeta não tem importância para eles? Na verdade, o futuro do próprio planeta nunca está em causa. Este tem existido há milhões de anos e vai continuar a existir. O que está em causa é a vida habitual de muitas espécies que tenham dificuldades em se adaptar a alterações climáticas muito bruscas, entre eles a espécie humana, tão especial e única – até capaz de destruir a base da sua própria vida!

 

Pode prever-se que os acordes desta cimeira não vão ter grandes efeitos sobre as emissões de CO2. Já nas cimeiras anteriores foram estabelecidas regras, tão pouco vinculativas como as de agora, que no final das contas não reduziram mas aumentaram o teor de CO2 na atmosfera. Enquanto nós, países ricos e os maiores poluidores, apenas sentimos os efeitos menos drásticos da alteração do clima, conseguimos desviar o olhar e continuar com o nosso estilo de vida como se nada estivesse a acontecer, embora no horizonte já se vislumbre a próxima e ainda maior vaga de refugiados, refugiados climáticos... Outra vez uma grande injustiça entre o norte emissor e o sul a sofrer as maiores consequências.

 

No contexto das alterações climáticas não são apenas as decisões dos governos e das grandes empresas que comprometem o futuro, mas também o comportamento individual de cada um de nós. Todos nós deixamos uma pegada carbónica, todos nós podemos tentar minimizar esta pegada.

 

Um exemplo das áreas muito poluentes e onde se poderia alterar o comportamento individual é o trânsito. Quando passei a viver cá havia poucos automóveis a circular nas ruas, uma situação que mudou nos anos seguintes. O carro próprio já não era um sonho, tornando-se realidade para muita gente. E com esta realidade nasceram novos hábitos. Hoje em dia, muitas pessoas, ao sair de casa, pegam automaticamente no carro, independentemente das distâncias a percorrer, com todas as consequências negativas inerentes: emissões de CO2, barulho, ocupação de espaço público, falta de exercício físico. Seria fácil alterar este comportamento com um pequeno toque de vontade, uma alteração que até fazia bem à própria saúde. 

 

No entanto, no concelho de Odemira esta vontade por si só não basta. Dadas as grandes distâncias, as pessoas muitas vezes não podem deixar o carro em casa quando precisam/querem deslocar-se, e outra parte da população nem tem carro próprio. Por isso, é urgente a criação dum sistema de transporte público que seja uma verdadeira alternativa ao transporte individual. Hoje em dia, com todo o sistema informático disponível e pessoas especializadas em logística deveria ser possível desenvolver um sistema de transporte “a pedido” do qual até os taxistas poderiam fazer parte.

 

Outro meio de transporte alternativo e não poluente é a bicicleta, só que ir de bicicleta significa pôr a própria vida em risco, visto que não existem faixas onde os ciclistas possam circular em segurança. Deve, portanto, ser tarefa pública prioritária criar as condições para que as pessoas possam deixar os automóveis em casa, reduzindo assim a sua pegada carbónica.