CAIXA DE PANDORA

Um ano em balanço

Por si só


Por:Paulo Barros Trindade

2016-01-08
O aparecimento do Mercúrio colocou transparente o que muitos já haviam sentido nos últimos anos

O fim de mais um ano traz invariavelmente a tentação dos balanços e eu solidarizo-me com esse lugar-comum, aproveitando este espaço para fazer uma espécie de súmula do último ano em Odemira, resumindo os 3 ou 4 marcos que considero mais importantes, mas deixando também algumas pistas para o que, na minha opinião, apresentará 2016.

 

Tivemos um ano marcado pela comunicação do actual Presidente da Câmara de Odemira que iria ser candidato à Assembleia da República nas eleições legislativas, numa espécie de “Adeus até ao meu regresso”. Tivemos um novo Presidente da Câmara, a fazer manchete de um jornal local, numa espécie de “eu é que sou o Presidente”. E, pouco mais de um mês após estes acontecimentos, tivemos o retorno da “normalidade”, numa espécie de “business as usual”. 

 

Assistimos à intensificação da autêntica revolução agrícola que se vive em Odemira, com o aparecimento de dezenas de novas empresas, focalizadas essencialmente na produção de produtos hortícolas e frutícolas. Uma revolução que irá mudar Odemira irreversivelmente, criando novos desafios que já tivemos oportunidade de deixar claros neste espaço, noutras edições.

 

Assistimos ainda ao inicio das obras do Programa POLIS que durante anos esteve a “marinar” num gabinete em Odemira. Iniciaram-se finalmente, no último ano em que podiam ser executadas, para evitar maior perda de fundos comunitários. O seu arranque no inicio do Verão, condicionando a actividade turística, não terá sido a melhor escolha, mas as obras estão a mudar o litoral de Odemira.

 

O ano foi também marcado pelo aparecimento do novo projecto jornalístico do Mercúrio. Habituados a ler jornais oficiais ou semi-oficiais fortemente sustentados financeiramente pelo município, a debitarem decibéis literários sobre os conseguimentos heróicos deste executivo que cruza ano após ano os mesmos mares já tão navegados, os Odemirenses acordaram nos primeiros dias de Junho com um jornal diferente nas ruas. Um jornal que mostra o que de bom Odemira tem, mas também os desafios que enfrenta, dando voz a todos os Odemirenses e aos seus problemas e expectativas.

 

O aparecimento do Mercúrio colocou transparente o que muitos já haviam sentido nos últimos anos e que acaba também por ser um marco de 2015: que em Odemira existe um défice democrático.

 

Vive-se uma espécie de ditadura encapotada, mascarada, baseada no medo. Mais uma vez este aspecto foi evidente, quer nas pressões sobre o jornal, devido à sua linha editorial de independência face ao projecto político do executivo em funções e que os seus responsáveis entendem ser intocável; quer pela quantidade de cartas, e-mails e telefonemas que a redação do jornal recebe de variados leitores, a maioria relatando o medo de represálias e solicitando o anonimato, mas denunciando o que consideram estar errado em Odemira.

 

Não deixa de ser caricato que os políticos das pressões e do boicote ao Mercúrio sejam os mesmos que no 25 de Abril vão a palco gritar a plenos pulmões para que não sejam esquecidas as liberdades de Abril. Isto demonstra apenas uma coisa: para os políticos Abril transformou-se numa espécie de Natal – é o dia em que se fala de liberdade e do quanto agradecem aos que lutaram pela liberdade de expressão e depois, nos restantes 364 dias do ano, praticam exactamente o contrário.

 

Concentrando agora atenções no novo ano, estamos certos que este ano trará um cenário de pré-campanha eleitoral para as autárquicas, que continuará até às eleições de 2017.

 

Trará igualmente a expectativa em relação aos partidos da oposição, que até agora, em maior ou menor grau, não têm sido eficientes a fazer chegar as suas opções, os seus projectos, as suas ideias aos Odemirenses. É tempo de conhecermos as caras e os projectos das equipas que se propõem começar a gerir os destinos de Odemira em 2017 e que se afirmam como uma alternativa ao actual projecto político em funções.

 

Nas ruas ouvem-se as pessoas falar da necessidade de mudança, mas cabe aos partidos políticos na oposição apresentarem alternativas credíveis, para desta forma fomentarem uma verdadeira discussão de modelos e estratégias para Odemira, esclarecendo os Odemirenses e deixando que estes decidam sobre qual o modelo de desenvolvimento que pretendem para o concelho, que é aquilo que se espera de uma verdadeira democracia.

 

Fica uma certeza, vamos ter um ano animado, quer economicamente, por todas as dinâmicas empresariais que se verificam actualmente e que não irão desaparecer, mesmo perante uma ocasional má vontade política local; quer politicamente, por se iniciar o período de pré-campanha eleitoral, onde veremos o executivo multiplicar-se em iniciativas que garantam mais 4 anos e onde ficaremos a assistir ao que fará a oposição perante essa dinâmica. 

 

Um bom ano para todos!!