E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Eu minto, tu mentes, ele mente

nós mentimos desde pequenos …


Por:Maria Monteiro

2016-01-08
A noção de mentira vai-se modificando com a idade e acompanha o desenvolvimento

O meu filho mente!

 

Porque é que o meu filho está a mentir mais?

 

Porque é que o meu filho não se importa de mentir?

 

O que é mentir?

 

Divague um pouco sobre as questões que acabou de ler. Pare um pouco! Agora! Pare de ler isto. E demore-se nas suas divagações …  Já parou?  Ou está a mentir?

 

A que conclusões chegou?

 

Quando começamos a mentir?

 

Mentir é enganar? É um engano propositado, intencional? É contar uma história falsa? É dizer o que não é verdade? Mentir é errado?

 

Segundo Vivar (2002) há três condições essenciais para se poder afirmar que se está perante uma mentira, “o que se diz deve ser falso, o individuo que o diz deve sabê-lo e deve querer que a outra pessoa que o escuta pense que é verdade”. Link

 

Sendo assim poderemos dizer que as crianças mais novas estão a mentir? Sim, as crianças mais novas mentem apesar de não terem noção do processo nem consciência das consequências desse comportamento. M. Martins (2009) refere que “quando a criança aprende o funcionamento da mentira ela não possui ainda o desenvolvimento moral suficiente para evitar fazê-lo”. As crianças podem fantasiar e contar histórias mas sem a consciência reflexiva de que é possível manipular a realidade ficcional para representar erradamente a realidade factual.

 

A noção de mentira vai-se modificando com a idade e acompanha o desenvolvimento moral, cognitivo, afetivo e social da criança. A mentira é, do ponto de vista desenvolvimentista, um comportamento “aprendido, copiado e imitado da sociedade e das figuras com algum significado emocional no processo educativo da criança, revelando-se naturalmente a partir dos primeiros anos de vida como um ato de relacionamento social”. Link

 

Uma criança de 4 anos tem consciência do que é mentir mas ainda não tem capacidade para discernir o que é socialmente correto e a sua moralidade assenta nas regras estabelecidas por figuras de autoridade. A partir desta idade a criança começa a ter a noção de que mentir é errado e começa a entender o caráter intencional da mentira e a relacioná-la com a moralidade.

 

A partir dos 7 anos de idade a mentira é um assunto mais definido e claro e é utilizada de forma intencional. É aqui que, entre amigos, começam a ser utilizadas as mentiras ‘necessárias’ ou ‘inofensivas’ como estratégias de interação social.

 

Entre os 9 e 12 anos, o desenvolvimento moral e cognitivo capacita os pré-adolescentes para a previsão da probabilidade de outros acreditarem na mentira das suas histórias e nasce a consciência das consequências de uma mentira deliberada. 

 

Na adolescência “os jovens mostram-se capazes de uma socialização baseada na cooperação, na igualdade e no respeito mútuo pelos outros, sendo capazes de se descentrar do ‘eu’ e passando a agir intencionalmente de acordo com os outros e com o bem comum.” A mentira é encarada como uma ação incorreta mas necessária e pouco aceite do ponto de vista moral e ético. Por volta dos 20 anos, a mentira é analisada segundo os valores morais interiorizados e o respeito pela ordem social ainda com dificuldades na tomada de decisão entre o que é fácil e o que é correto.

 

O que fazer e como fazer? Dê uma vista de olhos ao artigo que saiu no Observador em que Cristina Fonseca realça que o mais importante é tentar perceber porque é que os filhos sentem necessidade de mentir, não esquecendo nunca que as crianças apreendem o código moral que é desenvolvido com e pela família e que mentem exatamente pelos mesmos motivos que os adultos. Link

 

Por que se mente? Estando a mentira muito ligada ao desenvolvimento das interações sociais, ela assume-se como uma estratégia de interação social servindo muitas vezes como agente de socialização.

 

Veja em mercurioonline.pt estudo interessante feito no Brasil com testemunhos das crianças sobre a mentira. Link