E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Vou fazer uma birra

Não conheço uma receita infalível


Por:Maria Monteiro

2016-02-12
Prevenir e controlar birras é um processo de aprendizagem que acontece gradualmente

Mário Cordeiro afirma “as birras são a expressão daquilo que é a frustração, quando mal assumida, gerida e metabolizada.” (link)

 

Quando as crianças se sentem irritadas, injustiçadas, cansadas e frustradas com um ou vários acontecimentos podem descontrolar-se e fazer uma birra.

 

Quando as regras estabelecidas na família não são claras nem coerentes geram-se mal entendidos e conflitos entre pais e filhos com maior frequência que podem levar as crianças a fazer birra.’ -Porque é que hoje não posso e na semana passada podia?’ Quando os pais são condescendentes e permissivos em relação às regras e aos comportamentos dos filhos há uma desorientação crescente e torna-se confuso para os filhos saber o que fazer numa situação.

 

A birra surge de uma necessidade inadiável de expressar sentimentos. É causada pela frustração de desejos. É um desabafo muito desajeitado! Aprender a lidar com as birras é aprender a lidar com a frustração que os acontecimentos do dia nos trouxeram.

 

Não conheço uma receita infalível mas o caminho envolve firmeza, bom senso e disponibilidade para dar apoio depois da tempestade. Quando tudo acalma, a birra do filho e o mal-estar dos pais, importa conversar, uma conversa breve, sobre o que se passou, resistindo à tentação de centrar a conversa unicamente no comportamento excessivo. Ouvir e dar atenção aos desejos e expectativas frustradas que provocaram a birra. Ser firme e claro sobre o tipo de comportamentos não permitidos pelos pais numa birra, como p. ex. violência, destruição de objectos, comportamentos que ponham em perigo outras pessoas, sobre as consequências que podem advir desses comportamentos e explicar que medidas serão tomadas se isso vier a acontecer.

 

Prevenir e controlar birras é um processo de aprendizagem que acontece gradualmente e de acordo com a fase de desenvolvimento do seu filho, com a tomada de consciência da diferença entre o que desejamos que aconteça e a realidade. É aprender a lidar com as contrariedades, a insatisfação, o insucesso e o fracasso.

 

O apoio dos pais será no sentido de dar estratégias aos filhos para encontrar outras formas de satisfazer o seu desejo ou outra forma de olhar para a vida. Como diz Mário Cordeiro no seu livro ‘o grande livro dos medos e das birras’ (link) é “aprender a gozar o que se tem e não chorar pelo que não se tem.” Neste livro, Mário Cordeiro alerta para a importância dos pais conhecerem formas de prevenir e lidar com as birras dos filhos para que eles aprendam a distinguir o mundo real do mundo da fantasia ou desejo, característico do egocentrismo das crianças pequenas.

 

As crianças mais pequenas não têm uma visão global do funcionamento do mundo. A partir dos nove meses os pais devem começar a impor limites, a dizer não de forma firme e a explicar o motivo do não.

 

As birras são saudáveis enquanto forma de expressar sentimentos. É importante que tome consciência dos sentimentos e comportamentos que a birra dos seus filhos provoca em si. O que é que diz ao seu filho durante a birra? Como reage? Como é o seu tom de voz? Como está a sua respiração? Que comportamentos tem? Observe. Treine. E mude.

 

Seja firme e mantenha a calma para que o seu filho não utilize a birra como uma estratégia para conseguir o que deseja. Na vida nem sempre se consegue um consenso e é preciso exercer autoridade, impor limites e cumprir regras. Importa que o seu filho aprenda a lidar com as contrariedades.

 

Não bata no seu filho, não lhe dê um estalo na cara, não o humilhe. Não é esse o exemplo que quer passar ao seu filho! Mantenha a calma. Se estiver num local público retire-o para um local mais calmo ou familiar. A birra vai passar! Não ameace o seu filho! Observe e ouça o que ele está a dizer! Diga-lhe que está ali, à espera dele. Lembre-se que ele está zangado e descontrolado e, como diz Eduardo Sá “as birras põem a cabeça em água a qualquer um, também a quem as faz”! (link)

 

Por vezes as birras dos filhos abrem uma oportunidade para os pais fazerem uma birra há muito adiada! Eduardo Sá obriga-nos a refletir quando diz “nunca é tarde demais para reconhecer que por trás de uma criança difícil há sempre um adulto em dificuldade”. Deite cá para fora o que o preocupa e o que o deixa insatisfeito mas faça a sua birra no seu grupo de amigos!