DE QUEM É O OLHAR

Civismo ou a falta dele

Uma palavra muito bonita


Por:Monika Dresing

2016-02-12
Não encontro palavra correspondente em alemão

Na língua portuguesa existe uma palavra muito bonita – civismo – para a qual não encontro palavra correspondente em alemão. Existem, isso sim, várias expressões que transmitem a ideia geral da palavra, as suas diferentes facetas: assumir a responsabilidade por tudo o que se faz, cuidar dos outros, preocupar-se com o meio ambiente, não fugir das obrigações impostas pela sociedade (que somos todos nós), mostrar coragem em situações de conflito, defendendo o que está certo sem medo de represálias, ter um comportamento “adulto”, e muito mais.

 

O civismo faz parte da vida democrática, sendo mesmo condição necessária, sem a qual uma sociedade democrática não pode funcionar. No entanto, o civismo necessita a respectiva consciência dos indivíduos, temos de interiorizar estas ideias durante a nossa socialização, quer dizer, é tarefa importante dos pais, dos professores e mais tarde de nós próprios fazer do civismo parte da nossa personalidade.

 

Quando se fala do civismo fala-se quase sempre da falta dele: isto ou aquilo mostra uma falta de civismo. E todos nós conhecemos os pequenos exemplos da vida quotidiana:

 

- Porque é que alguém deixa um saco de plástico com os restos do piquenique no mato perto da praia em vez de o levar para casa ou jogá-lo no contentor de lixo? 

 

- Porque é que alguém atira a publicidade encontrada na caixa postal para o chão em vez de a pôr no contentor de lixo ao lado?

 

- Porque é que alguém não desliga o motor do carro enquanto vai beber um café ou conversar com uns amigos, aumentando assim desnecessariamente a poluição ambiental, tanto a atmosférica como a sonora?

 

- Porque é que alguém anda no seu carro muito acima do limite de velocidade, pondo em perigo não apenas a sua própria vida mas também a vida dos outros?

 

- Porque é que alguém sai do seu carro - “só por uns momentinhos” – deixando-o no meio do caminho em vez de estacioná-lo de forma que os outros condutores possam passar?

 

- Porque é que alguém põe o entulho das pequenas obras nos caminhos da Rota Vicentina, em pleno Parque Natural, contribuindo assim para a desvalorização significativa dum bem comum tão importante para a região?

 

- Porque é que alguém sai da casa de banho pública, deixando uma pocilga, enquanto a casa de banho da sua própria casa está sempre limpinha?

 

- Porque é que alguém esvazia o cinzeiro do carro à beira mar em vez de o fazer no sítio apropriado?

 

- Porque é que alguém atira os maços de cigarros vazios e as garrafas e latas vazias para fora do carro, atingindo às vezes os carros seguintes, em vez de... etc., etc, etc.

 

Estes são alguns exemplos que mostram uma falta de civismo numa escala menor. Mudar de comportamento nestas situações não é tarefa difícil, basta um pouco de consciência e de boa vontade. Mais difícil será mudar os “hábitos” noutras esferas da sociedade onde a falta de outro tipo de civismo pode levar a comportamentos criminosos tal como a corrupção. Mas isto é outra conversa que fica para outro dia.