PALAVRA DE PALHAÇO

.COM Quem?

A comunicação entre os seres humanos


Por:Enano Torres

fotografia RC CIPRIANO
2016-03-11
Estatisticamente existem dados demolidores que dizem que há um alto índice de telelés caídos, por engano, na sanita, após defecar

É um facto que a sociedade da informação é um avanço tremendo. Hoje consegues ler todos os dias o New York Times, ver um documentário da Índia ou falar com algum amigo na China ou no Canadá a partir do teu computador de casa ou do teu telemóvel.

 

A capacidade tecnológica da comunicação atual é quase ficção científica. Os avanços são rápidos e imagino que daqui a alguns anos eu consiga transferir uma tortilha espanhola feita na minha cozinha, para qualquer parte do mundo, através do ecrã!

 

Temos muitas possibilidades virtuais mas é um facto que isso faz com que a nossa sociedade, e cada indivíduo, se isole numa espécie de cova, sentado em frente ao computador, com indiferença em relação ao que se passa à sua volta.

 

Já assisti a famílias numerosas em que cada um está na sua, com seu aparelho, no sofá. A televisão acesa reclama atenção pois já ninguém lhe liga. E o bebé da casa, que ainda não tem computador a sério, entretém-se com um de brincar cheio de barulhos absurdos.

 

O nosso melhor amigo é o rato e colocam-se auscultadores nos ouvidos para não se ser incomodado; se desejas falar com o teu irmão este diz-te com a mão estendida para eperares que termine o que está a ver. Só em caso de incêndio ou na hora de almoço é que se quebra este momento introspetivo e, mesmo assim, já algumas famílias almoçam com o computador, por cima do qual, por vezes, se serve a salada ou telelé, com o qual se mexe a sopa.

 

Estatisticamente existem dados demolidores que dizem que há um alto índice de telelés caídos, por engano, na sanita, após defecar, num ato involuntário da tentativa suicida de falarmos ao mesmo tempo que estamos a acabar de limpar o nosso “rabionski”.

 

Seguidamente, recorremos ao secador de cabelo como solução de ressurreição para o sofrido e inocente objeto mas a maioria fica pelo caminho assim como o nosso próprio excremento.

 

As redes sociais podem ser um bom mecanismo de comunicação mas porque é que temos “amigos virtuais” em qualquer lugar e não falamos com o vizinho do lado quando descemos com ele no elevador, ou quando o encontramos na padaria?

 

Os carteiros, antigamente, quando chegavam a um bairro e uma morada não estava clara, perguntavam informações ao vizinho, que sabia responder perfeitamente acerca de quem se tratava e até da hora a que costumava chegar a casa para que aquele lhe entregasse a carta registada. Hoje em dia isso é impossível.

 

Este fenómeno acontece maioritariamente nas cidades, mas também acontece no mundo rural. No verão, nas nossas praias, parece que cada toalha estendida é uma espécie de ciber e até já vi pessoas a comunicar umas com as outras através de sms estando mesmo ao lado uma da outra, fisicamente.

 

Tenho Facebook mas não tenho Instagram, nem Twitter ou afins, e quando preciso de humanidade e calor humano vou ter com meus vizinhos, pois temos que saber distinguir comunicação tecnológica da comunicação real, e não há nada melhor que comunicar em presença, através dos sentidos.

 

Aprovo as redes sociais mas aprovo ainda mais a Comunicação Real como a própria vida. Voltemos às origens se faz favor.

 

por Enano Torres