CICLISMO

Krists Neilands vence meta volante em Odemira

Jovem letão é pupilo de Merckx

2016-03-19
Circo velocipédico da “Alentejana” anima odmirenses no Dia do Pai

O ciclista Krists Neilands venceu este sábado a meta volante de Odemira na quarta e penúltima  etapa da Volta ao Alentejo em bicicleta, que ligou Aljustrel a Grândola. O jovem letão, de 21 anos, que corre este ano pela equipa Axeon/Hagens Berman agarrou com facilidade os três pontos ao cruzar a meta instalada junto aos bombeiros de Odemira pelas 13h40. Seguiram-se Oyvind Lukkedahl (Team Coop/Oster Hus) e José Fernandes (Goldwin-Team José Maria Nicolau).

 

 

Os três lideravam um grupo de 15 ciclistas que se tinha colocado em fuga logo ao quilómetro cinco da prova e Neilands já tinha cruzado em primeiro na meta volante de Castro Verde. O pelotão cruzou a meta volante de Odemira seis minutos depois do grupo de Neilands. A Efapel fazia então as despesas da perseguição.

 

Duas dezenas de pessoas que assistiam à passagem dos ciclistas aplaudiram. Entre os mais entusiastas estavam algumas crianças que tiveram direito a um Dia do Pai diferente ao assistirem com os seus pais ao colorido desfile dos carros de apoio do “circo” velocipédico.

 

Krists Neilands faz parte de uma equipa constituída apenas por jovens promessas do ciclismo internacional, maioritariamente americanos, liderado pelo belga Axel Merckx, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e filho do lendário Eddy Merckx. Neilands é o actual campeão nacional de estrada da Letónia, na categoria de “esperanças” (sub-23). A prestação do jovem deixou Jeff Louder, o director desportivo adjunto da equipa “muito feliz”. “Krists fez uma corrida muito inteligente, estou muito contente com a forma como ele correu”, declarou o responsável na página oficial da equipa.

 

 

De resto, a passagem da “Alentejana” pelo concelho de Odemira foi animada. Até chegar a Sines, o pelotão ganhou velocidade e diminuiu a distância para o grupo em fuga. Mas teve percalços pelo caminho ao dividir-se em dois e depois em três grupos. Pelas 14h25 houve uma queda envolvendo o ciclista Filipe Cardoso (Efapel).

 

À chegada a Sines, o pelotão voltou a reagrupar-se, seguindo com uma desvantagem de três minutos para os 15 fugitivos. Na meta volante de Sines, pelas 15h08, Krists Neilands (Axeon/Hagens Berman) e Oyvind Lukkedahl (Team Coop/Oster Hus) voltam a fazer primeiro e segundo lugar. Bruno Silva (LA Alumínios/Antarte) chega em terceiro.

 

Pouco depois, Jose Botella da equipa algarvia Louletano/Hospital de Loulé atacou. Mas o jovem letão da Axeon, já com três metas volantes nas pernas, não se deu por vencido e decidiu fazer-lhe companhia alguns minutos depois, levando consigo Jarno Meyling da Metec/TKH Continental Team.

 

O duo Neilands-Lukkedhl que brilhou em Odemira e Sines viria a fazer segundo e terceiro lugar, respectivamente, em Cumeadas (Santiago do Cacém) na contagem para o prémio de montanha de quarta categoria. Bruno Silva, da LA Alumínios/Antarte, colega de equipa de Amaro Antunes, líder da montanha, venceu o prémio.

 

A montanha fez baixas e o grupo de fugitivos ficou reduzido a uma dezena. O camisola amarela, o norueguês Krister Hagen, ainda tentou a aproximação ao grupo dos fugitivos, mas sem sucesso.

 

O holandês Jarno Meyling ganhou o sprint final sendo consagrado como vencedor da quarta e penúltima etapa, ao realizar os 184,7 quilómetros em quatro horas 34 minutos e 17 segundos. Os espanhóis Jose de Segovia (Louletano/Hospital de Loulé) e Garikoitz Bravo (Euskadi Basque Coutry/Murias) terminaram logo atrás. Com o mesmo tempo chegaram ainda mais sete corredores, incluindo o “herói” da meta volante de Odemira, que terminou em oitavo na etapa e é agora 12.º na geral individual a 28 segundos do líder. O camisola amarela liderou o pelotão nos metros finais cruzando a meta 32 segundos depois do holandês.

 

As derradeiras emoções da Volta ao Alentejo vivem-se este domingo, 20 de Março, a partir de Santiago do Cacém. O pelotão cumprirá os 172,3 quilómetros finais da “Alentejana” quando cortar a meta na Praça do Giraldo, em Évora. Pelo caminho estão marcadas as últimas metas volantes em Isaías, Vendas Novas e Arraiolos, e a classificação da montanha confinada aos prémios de 4.ª categoria em Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo. Évora comemora 30 anos como Património da Humanidade da UNESCO e volta a fazer história quando coroar o 34.º vencedor da “Alentejana”, pelas 16 horas.

 

por Ricardo Vilhena

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