PALAVRA DE PALHAÇO

Imortalidade

Eu não tenho nenhuma vontade de morrer!


Por:Enano Torres

2016-04-11
É a partir do princípio físico de que a matéria não se cria nem se destrói, apenas se transforma, que demonstramos a nossa desejada imortalidade

Caro leitor/a você também deseja sentir-se imortal, assim como eu?

 

Eu não tenho nenhuma vontade de morrer!

 

Quando penso nisso, pois de facto a todos nós chega esse irrepetível e único momento, sinto que estarei disponível, não em corpo mas em alma, para o capítulo seguinte do Universo; sinto que algo do meu Ser neste agora deve continuar sem que me sinta eliminado mas sim Transformado. É a partir do princípio físico de que a matéria não se cria nem se destrói, apenas se transforma, que demonstramos a nossa desejada imortalidade. 

 

Do ponto de vista biológico, enquanto seres vivos nascemos, crescemos, reproduzimo-nos e finalmente morremos. Mas na perspetiva da física somos eternos. Todos nós somos matéria, somos o produto da reorganização estrutural de átomos que existe desde a origem do universo. 

 

Daí que, quando chegue nossa hora (que quando for, que seja sem dor física, se poder ser), as nossas células desintegram-se, mas os átomos continuam existindo podendo voltar a formar parte de uma outra estrutura ou de um outro ser vivo. 

 

Gostamos de nos sentir imortais mas, quando a morte nos toca de perto, aparecem os nossos medos, o nosso respeito por ela e o desejo de que chegue quanto mais tarde melhor. 

 

Desejo pensar que a morte não existe. As pessoas só morrem quando são esquecidas. Enquanto nos lembrarmos delas, continuarão connosco; se durante a nossa vida conseguirmos transmitir uma ideia, uma memória, a alguém de quem gostamos, vamos produzir nessa pessoa uma mudança física real que persistirá depois da nossa partida.

 

Pelo que continuaremos vivos enquanto houver alguém que se lembre de nós: além de que na nossa morte sempre existirá a imortalidade da alma e, para aqueles que não temos a sorte de acreditar na vida eterna prometida pelas religiões, a demonstração da física consola-nos, e muito. 

 

Já agora, se puder escolher a minha morte, que seja prazenteira, fugaz como uma estrela cadente, sem sofrimento, uma morte onde a despedida seja cheia de lágrimas mas também onde haja sorrisos, roupas coloridas, onde se celebre a minha passagem nesta vida terrena, com música improvisada e alguma espontaneidade como cada coisa que realizei em vida.

 

“A morte do Palhaço” tem que ter alguma piada, ou algum acidente casual, de fracasso, tipo o caixão cair inesperadamente ou não haver lume para a cremação.

 

Enfim, demore tempo a chegar, que ainda quero morrer em vida várias vezes, teatralmente falando, para voltar a ressuscitar. 

 

Qual é a melhor homenagem que podemos realizar à Morte? Viver cada dia como se fosse o último, mas que seja um viver em alegria, comunhão, liberdade, Paz... até que a morte nos imortalize juntos num Mercúrio longínquo.