MIRADOIRO

Artes e artistas

Escultor Fernando Fonseca


Por:António Quaresma

2016-05-17
No concelho de Odemira, as artes, têm alguns notáveis executantes, aliás publicamente pouco enaltecidos

Como é sabido, a palavra “artista” tem vários sentidos. Proveniente de “arte”, pode designar alguém que exerce as belas-artes ou que tenha o seu desempenho nas chamadas artes performativas. Pode ainda referir um artífice ou um operário. Finalmente, a palavra aplica-se a alguém cuja “arte” de enganar os outros é notável: tem sinónimos em “manhoso” ou “arteiro”. Como frequentemente acontece, uma palavra de sentido positivo, acaba por assumir também uma carga negativa. Cessando as divagações linguísticas, pode afirmar-se que, no concelho de Odemira, as artes, consideradas obviamente no sentido positivo, têm alguns notáveis executantes, aliás publicamente pouco enaltecidos. 

   

Vou hoje escrever, mais detidamente, sobre um artista plástico, Fernando Fonseca, professor e escultor com obra feita. É natural de São Teotónio, filho de um conhecido republicano da terra, e tem já no concelho, espalhadas por algumas freguesias, diversas peças de arte. Saíram da sua mão os bustos do Dr. Agudo, existente na Praça Sousa Prado, em Odemira, do Dr. Manuel Firmino da Costa, em São Teotónio, e do Dr. Garcia, em São Martinho das Amoreiras. É ainda autor do monumento evocador dos Combatentes, também em São Teotónio, e da medalha confeccionada a propósito das comemorações dos 100 anos da República, em Odemira.

 

Em 1993, Fernando Fonseca já tinha enviado um projecto ao concurso para o monumento aos aviadores que fizeram a viagem aérea Portugal – Macau, em Vila Nova de Milfontes, mas o júri, na maioria pouco sensível a uma arte mais subtil, preferiu a proposta “conservadora” de Soares Branco e Geraldes Cardoso. 

 

Uma das últimas obras produzidas pelo escultor anda dispersa por esse País fora, e decerto por outros países, nas carteiras e nos bolsos de muita gente. Trata-se da moeda de dois euros, comemorativa dos 500 anos do primeiro contacto dos Portugueses com Timor, que a Imprensa Nacional/Casa da Moeda mandou cunhar, como nos anos anteriores o fizera a propósito de outras efemérides. A moeda apresenta na face nacional uma nau portuguesa e o topo de uma habitação tradicional timorense, elementos pertencentes à iconografia dos dois países. 

 

É bom recordar que a proposta de Fernando Fonseca foi seleccionada em concurso público aberto para o efeito pela IN/CM, o que, só por si, indicia a qualidade estética e simbólica do trabalho. De resto, é sabido que o escultor mantém com Timor laços pessoais e culturais.

 

Uma vez que Fernando Fonseca é “prata da casa” e, embora morando geralmente em Lisboa, se conserva ligado ao concelho, inclusivamente com trabalho sobre temas odemirenses, é justo e forçoso assinalar a sua actividade.