Crónicas da Antiguidade

Símbolos Nacionais

Nem oito nem oitenta


Por:Artur Efigénio

2016-05-17
Importa que a sociedade portuguesa encontre mecanismos que reavivem e fomentem a transmissão do conhecimento dos seus Símbolos Nacionais

Todos os Povos possuem representações que se tornam fatores de união e se tornam em si mesmo os símbolos dessa nação. De acordo com o art.º 11.º, da Constituição Portuguesa, são Símbolos Nacionais: A Bandeira Nacional, instituída após a Revolução de 5 de Outubro de 1910 e o Hino Nacional, que é “A Portuguesa”.

 

Desde o escudo de armas, com a cruz azul em fundo branco, símbolo de união das forças opositoras de Afonso Henriques ao regime de Leão e Castela, até aos nossos atuais símbolos, muitas alterações ocorreram ao sabor dos contextos políticos que o país atravessou, sendo a atual Bandeira, uma das mais bonitas do mundo, e o Hino, um dos mais poderosos em termos sonoros.

 

Na nossa história recente, o culto desses símbolos atingiu o seu patamar mais elevado durante o Estado Novo de Salazar, apoiado num regime pró-fascista que necessitava de fatores agregadores da nação para a sua própria sobrevivência. Atualmente verifica-se que os símbolos nacionais portugueses têm vindo a perder alguma da sua importância junto dos mais jovens e de alguns cidadãos mais desatentos, o que é preocupante.

 

Os mais antigos ainda se lembram da Bandeira Nacional se encontrar sempre presente nas Escolas, e de ser cantado o Hino Nacional pelos alunos antes das atividades letivas. Estes atos, associados à imagem de Jesus Cristo na cruz que existia por cima dos quadros de ardósia em todas as salas de aulas, foram característicos da afirmação e propaganda desse regime autoritário, e levaram-nos a que a partir de 1974, no fervor pós revolucionário e na antítese ao anterior regime, fossem completamente banidos dos estabelecimentos de ensino, de alguns rituais em instituições e de locais que os deveriam ostentar.  

 

Quanto à imagem de Cristo nas salas de aula, considerando a laicidade do Estado português foi adequada a sua retirada. O mesmo já não se entende nos casos da Bandeira e até do Hino Nacional, pois sendo, nos dias de hoje, o sistema de ensino em Portugal o principal fator educativo dos nossos jovens, não se compreende que raramente se veja uma Bandeira Nacional numa escola e, muito dificilmente, alguma vez seja cantado o Hino Nacional durante todo o percurso escolar de um aluno português, independentemente destes símbolos nacionais constarem muito ao de leve, dos currículos escolares.

 

Ora, a divulgação destes símbolos, a par de uma transmissão de conceitos como Pátria e Nação, que iam sendo legados aos jovens foi-se perdendo, desembocando na atual situação, na qual a grande maioria dos jovens só ouve o Hino Nacional e só vê Bandeiras Nacionais, aquando da transmissão de jogos de futebol da Seleção Nacional. Estes símbolos ficam assim, associado unicamente a estes eventos desportivos, o que, não obstante terem algum mérito como atos de união nacional, pouco diferem para as crianças e jovens, de meros cânticos e estandartes de claques futebolísticas, algumas até pouco recomendáveis.

 

Tudo isto, é certo, por não ter existido na história recente de Portugal nenhum facto de tal forma grave ou traumático que faça recrudescer a necessidade de recorrermos a estes símbolos como fatores de união nacional contra algo externo à nossa gente. Mas também devido a uma cada vez maior dependência do federalismo da União Europeia, também ela com os seus símbolos, que esbate e menoriza as soberanias nacionais dos estados membros.

 

De qualquer maneira importa que a sociedade portuguesa encontre mecanismos que reavivem e fomentem a transmissão do conhecimento dos seus Símbolos Nacionais aos cidadãos, pondo de parte o preconceito ideológico que ainda teima em persistir em alguns quadrantes do coletivo nacional, para que não se percam estes valores, e que a prazo, eles não se tornem objetos comuns, sem qualquer sentimento de afeto.

 

Aplique-se o adágio popular: “Nem oito nem oitenta!”.