CAIXA DE PANDORA

A Silly Season

Quando todos vão a banhos


Por:Paulo Barros Trindade

2016-07-18
Em Odemira o início da silly season pode-se dizer que é marcado pela FACECO

Estamos a entrar na chamada silly season, que marca o período de férias em Portugal e que coincide mais ou menos com as férias escolares. É o período em que parece que o País fica em suspenso e não se passa nada. Os tribunais fecham, as escolas fecham a até algumas empresas aproveitam para concentrar as férias do seu pessoal num único mês e fecham também.

 

As repartições públicas e empresas que não fecham, ficam normalmente a meio gás ou, no caso público, mesmo sem gás, com funcionários em contagem decrescente para as férias ou com outros em período de adaptação, chegados que estão das férias.

 

Para ser sincero, parece-me que é a época em que os próprios cérebros fecham, justificando-se dessa forma todo o tipo de asneiras.

 

Como em tudo, Odemira não é excepção e também adere à silly season.

 

Para o sector do comércio/serviços ligados ao Turismo é a época de Ouro do Ano, aquela em que se trabalha a valer, para compensar os períodos mais mortos e aproveitar todos os euros disponíveis que os turistas e passantes estão dispostos a gastar nas férias.

 

Para a restante população, o início da silly season pode-se dizer que é marcado pela FACECO, esse grande evento do regime vigente, montra de vaidades e afins e cada vez mais feira popular e de entretenimento do que mostra de actividades económicas.

Como não podia deixar de ser, também esta coluna de opinião está a entrar na silly season, a tal época com cheiro a férias e cujo calor convida muito mais a um mergulho nas águas atlânticas ou mediterrânicas, do que a perder tempo com chatices.

Adivinhando já a silly season, em recente entrevista a um jornal regional ficamos a saber que o líder do executivo camarário entende que a agricultura é o pilar do desenvolvimento do concelho de Odemira. Em entrevista ao mesmo jornal há 2 anos tínhamos ficado a saber que era a educação o pilar para o desenvolvimento do concelho. Pelo meio, outros elementos do executivo foram afirmando a importância do turismo no desenvolvimento do concelho, a importância das destilarias de medronho, do empreendedorismo jovem e por aí fora. Com tantos pilares parece adivinhar-se nova ponte sobre o Mira. Provavelmente mais uma que serve para pouco... É a silly season!

 

A escassas semanas de ser divulgado o estudo promovido pela Associação de Horticultores (AHSA) e pela Associação de Beneficiários do Mira (ABMira) que irá identificar o peso que os diferentes sectores de actividade têm no concelho de Odemira, cruzando várias fontes e realizando inquéritos às empresas, bem com o emprego criado por cada sector e o crescimento que se perspectiva para os próximos 3 anos, parece no mínimo prematuro que nesta entrevista sejam adiantados números que nem o próprio Instituto Nacional de Estatística tem e que poderão estar longe da realidade. Daqui a umas semanas saberemos. É a silly season!

 

Entretanto em mais uma obra que só é justificável por estarmos na silly season, foram removidos e substituídos os pinos de delimitação que enchiam os espaços de estacionamento da praia do Malhão e que davam ao espaço aquele ar de cemitério futurista, que tive oportunidade de referir nesta crónica há uns meses atrás que “(...) em qualquer lado seria enquadrado sobre o epíteto de crime ambiental (...)”.

 

Uma vez que a Câmara está representada na administração da Sociedade Gestora do Polis Sudoeste, esta esteve sempre ao corrente do projecto a desenvolver, tendo inclusive, tanto quanto sei, esse ponto sido várias vezes criticado e apontado como uma fragilidade do projecto na zona do Malhão, nas várias sessões de esclarecimento que decorreram para o efeito.

 

No entanto, o projecto avançou, os pinos de delimitação foram construídos com dinheiros públicos, os mesmos dinheiros públicos que serviram agora para substituir essa solução por outra. Tendo a Câmara assegurado o desenvolvimento do Polis com dinheiros próprios após Dezembro de 2015, fica a dúvida se é o orçamento camarário a pagar essa substituição da asneira ou se os dinheiros provenientes do programa Polis. Uma coisa é certa – há duplicação de despesa pública, independentemente da sua origem, numa obra que era mais do que evidente para qualquer leigo que não iria funcionar.

 

Mas a visão que impera é esta: não serviu, deita-se fora e substitui-se por outra – alguém pagará. É a silly season!

 

Ao nível político, a própria oposição, nomeadamente, do PSD, entendeu que o momento ideal para entrar em guerras fratricidas é agora, a pouco mais de um ano das eleições autárquicas. Vai daí divide-se a meio a Distrital, com risco de contaminação à própria concelhia de Odemira. É a silly season!

 

E porque estamos na silly season e sabendo que nas reacções a esta crónica já só falta acusarem-me de ser a reencarnação de Belzebu ou algo pior, resta-me desejar a todos os Odemirenses umas excelentes férias, que vos permitam o recarregar de baterias tão necessário para continuarmos a viver neste cantinho à beira do Sudoeste plantado, com todas as tontices que por aqui vamos vendo. Pelo menos nesta época justificam-se. É a silly season!