FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA

Arqueólogo assassinado em Palmira distinguido em Sines

Recebeu o prémio Terras sem Sombra a título póstumo

2016-07-18
Os prémios destacam personalidades ou instituições que se tenham salientado nos três pilares que caracterizam o Terras sem Sombra

O arqueólogo sírio Khaled al-Asaad (1934-2015), o violinista e programador alemão Michael Haefliger e a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal foram distinguidos, a 2 de Julho, em Sines, com o prémio Internacional Terras sem Sombra. Os prémios destacam, desde 2011, personalidades ou instituições que se tenham salientado nos três pilares que caracterizam o Terras sem Sombra: Música e Musicologia; Valorização do Património Cultural; e Salvaguarda da Biodiversidade.

 

A título póstumo o Prémio na área de Património Cultural distingue o arqueólogo sírio Khaled al-Asaad (1934-2015), que nasceu e morreu em Palmira, torturado e assassinado pelo grupo terrorista autodesignado Estado Islâmico para que revelasse a localização de artefactos escondidos, nomeadamente em ouro. Acabou por ser decapitado e o seu corpo colocado num poste de um semáforo, numa avenida da cidade nova, perto das ruínas de Palmira. Foi um aviso à população para que acatasse o regime de terror; o crime, no entanto, suscitou um efeito contrário, tal o respeito votado ao labor de Asaad. O sacrifício do antigo director do Departamento de Arqueologia de Palmira fez dele um “mártir da causa do património”, como reconheceu a UNESCO. 

 

O discurso de homenagem foi proferido pelo ex-presidente da República e ex-Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio e o galardão foi recebido por uma jovem e um jovem sírios, que estudam arqueologia nas universidades de Lisboa e Coimbra.

 

Na área de Música e Musicologia, o Prémio Internacional Terras sem Sombra é entregue ao violinista e programador alemão Michael Haefliger, de 55 anos, que esteve associado desde sempre a grandes festivais europeus e é desde 1999, director do Lucerne Festival, ao qual imprimiu um novo impulso, designadamente na programação de música contemporânea e na captação de públicos jovens.

 

A entrega do prémio foi feita pelo ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes.

 

O Prémio na categoria de Salvaguarda da Biodiversidade foi entregue à Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal (AAPEF), fundada em 1996, dois anos depois da criação do parque, pela autarquia, na zona montanhosa sobranceira à cidade. Em Agosto de 2010, um incêndio destruiu aproximadamente 90 por cento da vegetação plantada e a AAPEF, determinada em colaborar com a natureza na recuperação da biodiversidade, plantou cerca de 50 mil plantas, exclusivamente com trabalho voluntário, pertencentes a 41 espécies endémicas e indígenas da Madeira.

 

Viriato Soromenho Marques, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fez o elogio do premiado. O geógrafo Raimundo Pardal, coordenador do projecto de recuperação da biodiversidade que esta associação levou a cabo agradeceu o prémio.

 

A escolha dos recipiendários é da responsabilidade de um júri internacional, designado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, a entidade promotora do Festival. O prémio consiste num diploma e numa obra de arte encomendada à artista plástica Beatriz Horta Correia.

 

A sessão terminou com um recital da soprano Ana Cosme e do pianista Nuno Lopes.

 

Por Ricardo Vilhena (não usa AO)