E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Time In para todos!

Aqui a criança é convidada amavelmente a sentar-se junto do Cuidador


Por:Maria Monteiro

London Scout
2016-07-18
Atenção ao tom de voz e a toda a comunicação não verbal

Quando pomos em prática ferramentas educativas é importante a forma como as aplicamos, a intenção e o objectivo. Daí ser comum o tema da parentalidade andar de mão dada com a palavra consciente. Muitos pais e cuidadores não gostam de aplicar a ferramenta Time Out na educação das suas crianças. Sentem que esta estratégia parental é uma forma de parar um comportamento que apenas resulta no momento e que não é eficaz nem educativa. A forma como é aplicado o Time Out é essencial para o seu êxito, sobretudo o nº de vezes, o tom de voz, o que é dito e a supervisão feita durante o tempo em que a criança é afastada para um local enquanto se acalma. E, claro é que as estratégias resultam se juntarmos Pais/cuidadores com disponibilidade para experimentar, praticar e ajustar. As queixas do Time Out recaem no desconforto gerado pela desequilibrada e inadequada imposição de poder por parte dos Pais /cuidadores e pelo facto de a criança ser ignorada, ficar sozinha, sem interagir até se acalmar. Para alguns autores o Time Out não ajuda a regular o comportamento nem as emoções. Link

 

A estratégia educativa Time In também é utilizada em maus momentos da criança, em situações de descontrolo do comportamento e das emoções. Aqui a criança é convidada amavelmente a sentar-se junto do Cuidador a contar o que se passou, a dizer o que está a sentir e a acalmar-se. Neste momento de Time In o cuidador quer ouvir e compreender o que a criança está a sentir – zangada, triste, furiosa, confusa, irritada, …; A conversa é iniciada pelo cuidador ou naturalmente pela criança, o foco é ouvir, estar presente e apoiar aquele mau momento para que a criança aprenda a expressar a suas emoções e a ouvir o que poderá fazer diferente da próxima vez. Link

 

Joana, dá-me a tua mão, vem comigo ali à sala, (…) estou a ver que ficaste muito irritada quando viste que a Rafaela brincou com o teu jogo e ficou estragado … queres contar-me o que aconteceu?

 

João, anda aqui num instante que quero dar-te uma palavra. Olha João, está a gostar desta actividade aqui no ringue (o João está muito contente) Sim estou a adorar, jogar com os meninos da outra escola, está a ser espectacular …(…) sabes porque te chamei aqui à parte?

 

Sim sei, professora, é que há um bocado atravessei a rua a correr para ir buscar a bola e não olhei para ver se vinham carros. É que estou muito excitado … Pois foi João e eu fiquei assustada e preocupada quando te vi a fazer isso. Preciso que tu tomes mais atenção da próxima vez, ok João? Sim. Vai jogar, corre …

 

Atenção ao tom de voz e a toda a comunicação não verbal! As crianças têm uma antena emocional afinadíssima e quando o que os adultos dizem não coincide com a comunicação não verbal torna difícil estabelecer-se o diálogo e a conexão entre os dois. O principal objectivo do Time In é estabelecer uma ligação com a criança para que a criança possa aprender a regular as suas emoções e o seu comportamento com o apoio do cuidador. Ao ouvir o que a criança está a sentir e quais as necessidades que estão insatisfeitas, já poderão, em conjunto, abordar as mudanças a fazer. Só depois deste momento de expressão e de a criança se acalmar é que o cuidador poderá falar dos comportamentos inaceitáveis da criança. Que fique claro que é o comportamento e não a criança que é inaceitável. Mais uma vez refiro e sublinho que, para que a criança aprenda a regular o seu comportamento, se torne autónoma e tenha uma boa auto-estima, não deve ser ridicularizada, ameaçada nem agredida fisicamente.

 

Quando nos sentimos ameaçados (mamíferos) o nosso cérebro primitivo entra em acção anulando por algum tempo o efeito do cérebro superior – racional, social, …. Com o cérebro primitivo activado as reacções são básicas e automáticas: fugir, atacar, paralisar ou desmaiar. São as respostas que temos programadas em nós para situações de ameaça que funcionam para sobrevivência da espécie! Voltando à Educação das Crianças quando, por sua vez, são os Pais/cuidadores que perdem o controlo, que têm um mau momento, também eles precisam de um momento para se reorganizarem, para deixarem o sistema nervoso parassimpático actuar e permitir que o cérebro superior se reestabeleça e traga a reflexão e as normas de volta! Cuidadores e crianças aprendem e praticam que há limites claros e consistência através do respeito e afeto. O Time In dá oportunidade aos cuidadores e à criança de conversar sobre o que aconteceu e de construir m vocabulário e uma competência emocional. É uma ferramenta que ensina à criança a cuidar de si e a fortalecer-se como pessoa. A criança é convidada a ir conversar para um local onde tem companhia e conforto, e facilmente se acalma. Sabe que é aceite e que não precisa de ter medo quando tem maus momentos e comportamentos pouco aceitáveis. Aprende que há uma humanidade comum! Link