PALAVRA DE PALHAÇO

Libersex e Amordadex

Viver a sexualidade tem a ver com muitas coisas


Por:Enano Torres

Anna Sastre
2016-07-18
O sexo é mais um ponto de encontro entre os seres humanos

Agora, na época do Verão, o apetite e o desejo sexual aumentam. As temperaturas mais altas ajudam, fazem com que a roupa seja pouca e reduzida e que os olhos, e não só, aumentem.

 

A sexualidade, mais do que a sua função procriadora, tem outra função muito importante, que é favorecer o encontro entre o outro e eu.

 

O sexo é mais um ponto de encontro entre os seres humanos pelo que é uma possibilidade de comunicação, assim como uma fonte de prazer.

 

Mas, como na nossa cultura não existe prazer sem culpa, ao escrever sobre sexualidade aparece a história do prazer culposo.

 

Quando éramos crianças a masturbação era uma história dramática, terrível, que os pais censuravam. Quero pensar que hoje os pais entendem que a masturbação é uma parte da evolução normal dos nossos filhos, assim como a sexualidade, e que já não é uma coisa fechada de que as crianças não consigam falar.

 

Gostaria também de desmistificar uma clássica crença de que o sexo tem que vir acompanhado obrigatoriamente de amor. Reparem que dizemos “vamos fazer amor” como se fosse sinónimo do encontro sexual e a verdade é que não é. O sexo é uma coisa e o amor é outra. Podem andar juntos, mas não necessariamente. Cada um pode escolher incluir os dois ou não. É uma escolha pessoal mas não deve ser considerada regra.

 

Para mim também não existe diferença no apetite sexual do homem e da mulher. Já não se pode manter a ideia de que o homem tem necessidades fisiológicas e a mulher não. Há tantas mulheres capazes de desfrutar igualmente de um encontro sexual como os homens.

 

Técnicos especialistas do assunto dizem que uma relação sexual tem em média uma duração de vinte minutos. Durante todo esse tempo pode e deve passar-se muita coisa e não ficarmos só com a lembrança dos últimos trinta segundos.

 

Muitas pessoas veem como único propósito da sexualidade atingir o orgasmo.

 

Pensar unicamente numa relação sexual como sendo esses últimos segundos é uma porca miséria, é miserável da nossa parte, pois na realidade quanto dura o orgasmo desejado? Dois, dez, quinze, vinte segundos, com muita sorte trinta... e o resto do tempo?

 

Viver a sexualidade tem a ver com muitas coisas, entre elas atingir o orgasmo, mas não é a única e possivelmente nem sequer é a mais importante.

 

Geralmente associamos a quantidade de prazer à quantidade de orgasmos, sendo uma ideia errada que faz perder qualidade na relação sexual.

 

Com a mania de que uma relação sexual satisfatória depende da quantidade de orgasmos de um ou do outro, há sempre alguém que “fica pelo caminho”.

 

Confesso que eu mesmo, já com 40 anos, tento evoluir no meu desempenho sexual em qualidade e não em quantidade.

 

Esqueçam também o falso ideal de atingirem o orgasmo juntos. A sexualidade tem a ver com o prazer partilhado, mas não significa que tenhamos obrigatoriamente de ter um orgasmo juntos, à vez ou sequer tê-lo.

 

O orgasmo é a irremediável consequência de nos termos saído bem na cama mas não o objetivo, pelo que, caros leitores, esqueçam. Vamos é chegar à cama e desfrutar apenas e, se neste período de partilha atingirmos um orgasmo, é bom. E se não acontecer não faz mal, pelo menos passamos um bom bocado.

 

Desfrutemos de uma sexualidade plena, um desafio onde consigamos misturar um bocado de ternura com erotismo.

 

Há pessoas que não estão satisfeitas com a sua vida sexual, mas não fazem nada para a melhorar. Gostava de afirmar que a nossa vida sexual é muito importante e que ela tem a ver com nossa escolha pessoal de ser livre e ser livre é escolher com quem queremos, quando, como e onde.

 

Assim sendo, façam-me o favor de aproveitarem o verão em plena liberdade sexual pois, com certeza, o corpo e a mente saberão agradecer!