A MÁQUINA DO TEMPO

O Tratado de Windsor

A mais antiga aliança diplomática que ainda se encontra em vigor


Por:Artur Efigénio

2016-07-18
Pois bem, agora que eles querem o Brexit, chegou novamente a hora do Tratado de Windsor ser invocado. Não sei se será por Inglaterra ou pela mão do nosso Bloco de Esquerda

O Tratado de Windsor é a mais antiga aliança diplomática que ainda se encontra em vigor. Foi assinada entre Portugal e Inglaterra no ano de 1386 na sequência da batalha de Aljubarrota tendo D. João I, da Casa de Avis, lutado contra Castela para evitar que o pretendente ao trono de Portugal, D. Juan I, o usurpasse. 

 

Este Tratado diplomático foi várias vezes invocado, quer por Portugal, quer pelo atual Reino Unido, não sem também ser completamente ignorado (ou melhor, contornado!), como aquando do Ultimato a Portugal em 1890 pela questão do mapa cor-de-rosa em África.

 

Em 1640, Portugal usou-o, pedindo ajuda para expulsar os Espanhóis, restaurando a nossa independência. Nas invasões francesas, foram também os ingleses que nos “ajudaram”, tendo sob as ordens do General Wellesley pilhado tudo o que de mais valioso possuíamos, enquanto a corte portuguesa veraneava no Brasil. Em 1916, em plena Grande Guerra, o Reino Unido pediu-nos para apresarmos uns navios alemães, o que levou a que este país nos declarasse guerra, levando-nos ao atoleiro da Flandres. Durante a II Guerra Mundial, permitimos, numa política ambígua com os dois contendores, que a base das Lajes fosse utilizada pelos aliados. Recentemente ao lado de Blair, Aznar e Bush, Portugal voltou, nesse mesmo local estratégico, a reatar essa aliança, originando a segunda invasão do Iraque, que ainda está para resolver.

 

Agora, com o referendo à União Europeia, Inglaterra deu o pontapé no ninho de vespas que é a sua própria União, irritando quer Escoceses, quer Irlandeses, quer até a própria Inglaterra mais cosmopolita e jovem. O Reino onde o sol nunca se punha, numa atitude liderada pelos saudosistas meninos do velho colégio de Eton, curiosamente localizado em Windsor, lá conseguiu abrir a caixa de Pandora, e nada ficará como dantes na Europa. 

 

Em fila de espera já se colocam outros líderes de partidos extremistas, populistas, islamofóbicos e anti-imigração que ambicionam fazer o mesmo nos seus países. A Holanda com o Partido para a Liberdade, Itália com o Movimento 5 estrelas, a França com Marine Le Pen, até a Suécia, dada a sua proximidade financeira com Inglaterra, mas também a Turquia que agora quer perguntar aos seus cidadãos se efetivamente querem aderir à UE. Esta UE andou a brincar com o fogo. Agora Inglaterra acendeu o fósforo.   

 

Pois bem, agora que eles querem o Brexit, chegou novamente a hora do Tratado de Windsor ser invocado. Não sei se será por Inglaterra ou pela mão do nosso Bloco de Esquerda, pois também ele já pediu que por cá se realize um referendo à nossa permanência na UE.

 

Para Portugal, país poderoso, central, sem dívidas, com uma das maiores praças financeiras do mundo e com um superavit nas contas, isto pode até ser uma boa oportunidade de negócio, pois até temos o mesmo fuso horário. Reatemos a velha aliança. Saiamos também. E juntemo-nos a eles através da Commonwealth, ou melhor ainda, sendo um arquipélago, porque não torná-los numa nossa região autónoma a juntar aos Açores e à Madeira.

 

Sim, pois caso contrário, o que vai ser desses desgraçados? O que irão fazer com os seus milhares de emigrantes que vieram residir no Algarve e que trabalham nas obras, na restauração, ou como enfermeiros mal pagos nos nossos hospitais. Proponho até que o próximo líder Boris Johnson peça já à Rainha para adotar o Escudo Português, com notas com a esfinge do nosso D. Duarte de Bragança. Quanto aos nossos 500.000 turistas que foram para Inglaterra gozar os rendimentos e que já puseram a região dos bairros chiques de Kensington ou Chelsea a falar português só para os atender, espero que ajudem os pobres ingleses. Caso contrário confisquemos-lhes para sempre o five o´clock tea levado para lá em 1662 pela nossa Catarina de Bragança.

 

Poderia ser assim, mas infelizmente é ao contrário. E temo pelos portugueses que lá estão, pois a humildade, a tolerância e a entreajuda, como a História bem nos relembra, não são propriamente os valores mais característicos do povo Inglês que votou pela saída. Quanto à UE, espero que aproveite esta oportunidade para se reorganizar profundamente, caso contrário será o princípio do seu fim. Goodbye british people, and keep calm!