E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Conhecer o cérebro

Aprender como educar


Por:Maria Monteiro

2016-08-22
O cérebro é modificável e está em constante construção

Hoje sabe-se que o cérebro é modificável, está em constante construção ao longo da vida e é um sistema complexo. Sabe-se também que é através das nossas experiências de aprendizagem diárias que mantemos ativos os circuitos neuronais e que criamos novos circuitos neuronais! 

 

A plasticidade neural é a habilidade do sistema nervoso central para modificar a organização estrutural e funcional do cérebro em respostas às experiências (estímulos ambientais). É a capacidade do cérebro de se modificar com a aprendizagem. Link

 

Quando um bebé nasce, nasce com um excesso de neurónios, sendo o estabelecimento das ligações sinápticas determinado tanto pelos genes como pela experiência: “Os genes contêm as informações para a organização geral da estrutura do cérebro, mas a experiência determina quais os genes que se expressam, como e quando...”, originando “...a ativação de percursos neuronais específicos” (Siegel, D., 2004, p. 32). Link

 

A neuroplasticidade significa que há possibilidade de manter ativos os circuitos neuronais existentes e de ativar novos. As células do sistema nervoso (neurónios) estão ligadas em circuitos neuronais por vários tipos de sinapses. Os neurónios que são constantemente envolvidos nos processos de aprendizagem aumentam o seu vigor funcional evitando assim o seu desligamento para dar espaço a outros neurónios de outros circuitos com mais uso.

 

Estes conhecimentos sobre a plasticidade neuronal concedem à educação e à parentalidade uma nova perspetiva e uma atenção e responsabilidade redobrada! A qualidade, quantidade e riqueza das experiências e relacionamentos que proporcionamos às crianças e a forma como o fazemos torna-se um desafio sobre o qual queremos refletir, ponderar e aprender. E reforça a possibilidade de mudança! LINK

 

A clareza entre a influência das experiências, a qualidade da aprendizagem e o desenvolvimento da criança é um assunto complexo e gera muitas questões.

 

De que forma os circuitos neuronais se modificam com a experiência? Quando é que o cérebro está mais recetivo à educação e à aprendizagem? Como é que a genética e a experiência interagem no desenvolvimento neurocognitivo? Como é que as influências ambientais podem moldar os circuitos neuronais?

 

As adversidades e ‘maus momentos’ de pais e crianças são boas oportunidades de aprendizagem e momentos em que podemos praticar novos tipos de resposta. Que circuitos queremos começar e continuar a ativar? Sim! Há que ter consciência para haver a possibilidade de parar e fazer diferente! Tornar consciente um dado momento pode ser simplesmente conversar sobre o que se passou numa situação menos feliz. Identificar e validar sentimentos e pensamentos, conversar sobre como reagimos no momento sem julgar ou ridicularizar, encontrar outras formas de responder em futuras situações…

 

A forma como os pais respondem e lidam com os ‘maus momentos’ dos seus filhos (e com os seus) irá ter influência na arquitectura cerebral que está em constante construção. Há ferramentas de ‘mindshight’ que podemos aprender e utilizar. Link

 

Em estudo efetuado com crianças neurológica e psicologicamente normais, dextras e monolingues que viviam abaixo do limiar de pobreza, Helen Neville descobriu que as disparidades no ambiente familiar destas crianças se caracteriza por ser mais stressante e menos estimulante. Em relação à educação, e mais especificamente no que diz respeito à capacidade de concentração da atenção, constatou disparidades significativas em relação à linguagem, à literacia e à inteligência em crianças de níveis socioeconómicos altos e baixos.

 

Para esta investigadora do laboratório de desenvolvimento cerebral da universidade de Oregon estes resultados têm solução. Dada a capacidade do cérebro de se autorreestruturar através da experiência, é relativamente simples e barato o treino efetivo para reduzir estas discrepâncias entre crianças de contextos socioeconómicos díspares e seus pais.

 

Neville e seus colegas desenvolveram e aplicaram um programa de educação de 8 semanas para crianças dos 3 aos 5 anos e seus pais. Os resultados foram claros! As crianças melhoraram a linguagem, a inteligência não-verbal, as competências sociais e os problemas de comportamento. Este programa foi vantajoso para os pais que melhoraram a sua capacidade para terem conversas produtivas com os filhos e com menos stress. Link

 

Com os conhecimentos e avanços da neurociência, o desenvolvimento de novas práticas terapêuticas e com a ajuda das ferramentas do mindfullness, do mindsight é possível melhorar a forma de lidar com os bons e maus momentos e transformar essas experiências em momentos de aprendizagem conscientes. Quando pedimos às crianças que considerem os seus sentimentos (insight pessoal) e considerem os sentimentos dos outros (empatia) – ajudamos a desenvolver o mindsight. Podemos escolher a Parentalidade consciente.