SOCIEDADE

“Mar de Sines” vence prémio de “Melhor Filme Etnográfico” no Brasil

O milfontense, Diogo Vilhena, ganha galardão em Recife

2016-09-25
A organização do Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife (FiFer) considera de “grande sensibilidade, belas fotografias e rigor técnico”

O documentário “Mar de Sines - a resiliência das gentes do mar”, de Diogo Vilhena, venceu o prémio de “Melhor Filme Etnográfico” no Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife, que decorreu entre 13 e 16 de Setembro no Brasil, informa o município de Sines, produtor da película.

 

“O filme retrata com grande sensibilidade, com belas fotografias e rigor técnico as transformações sociais e económicas de uma comunidade portuguesa, a cidade de Sines, cuja principal actividade é a pesqueira, mostrando com detalhes as dificuldades dos pescadores locais através da riqueza de seus depoimentos”, destacam os promotores do festival por ocasião da divulgação das produções vencedoras, entre as dezasseis seleccionadas de mais de 60 filmes candidatados de vários países.

 

Resultado de mais de uma centena de entrevistas e 250 horas de gravações, “Mar de Sines” é um projecto de cinema com a comunidade. Reúne os testemunhos de três gerações de pescadores que são os protagonistas de uma pesca baseada nas artes tradicionais e no respeito pelos recursos.

 

“Mar de Sines” foi realizado por Diogo Vilhena, com produção e assistência de realização de António Campos e banda sonora original de Charlie Mancini, com a participação de músicos da região.

 

A criação de “Mar de Sines” contou com o apoio de 27 entidades locais e nacionais, que cederam documentos e fotografias das suas colecções, prestaram consultoria científica, facilitaram a realização de entrevistas e autorizaram as 60 horas de filmagens realizadas a bordo das embarcações de pesca. Mais de duas mil pessoas estiveram envolvidas nos processos de rodagem e pós-produção.

 

Em entrevista gravada pela agência Lusa, em Agosto, Diogo Vilhena revela a sua intenção ao fazer este filme: “quis fazer um documento para as gerações futuras, uma homenagem, sem ser uma homenagem paternalista ou derrotista do género de ser uma profissão que vai deixar de existir, mas sim de orgulho por cada história, por cada vivência, por cada memória”.

 

O documentário foi produzido pela Câmara Municipal de Sines. Representou um investimento superior a 41,4 mil euros, valor co-financiado em 75 por cento pelo PROMAR (Programa Operacional Pesca 2007-2013, uma parceria entre o Ministério da Agricultura e do Mar o Fundo Europeu das Pescas e a União Europeia).

 

A ADL - Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejo foi o parceiro gestor do GAC Além Tejo.

 

Para além do Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife, “Mar de Sines” foi ainda seleccionado para marcar presença em outros festivais em Portugal e no estrangeiro.

 

No início de Setembro, o filme foi exibido na Figueira da Foz, por ocasião do Figueira Film Art. A 30 de Setembro, o documentário é exibido em Évora, no âmbito da 1.ª edição do Heritales: International Heritage Film Festival, e em Outubro, o documentário participa no Festival Internacional de Cinema Etnográfico (CINANTROP), que decorre na Ásia e em Portugal, e no Ekofilm, na República Checa. 

 

O Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife (FiFer) tem por objectivo exibir e premiar produções que abordam, através do olhar etnográfico, a cultura do outro – seus saberes, artes, comportamentos que apresentem qualidade técnica reconhecida na área.

 

O realizador, editor e director de fotografia, Diogo Vilhena é natural de Vila Nova de Milfontes (n. 1985), cresceu entre o rio, o mar e a planície, aprendendo a linguagem da terra e dos costumes entre o monte do seu avô e o atelier de costura da sua avó.

 

Interessou-se desde cedo pelo mundo visual e na sua juventude experimentou a área do vídeo, da rádio e da fotografia, o que lhe reforçou a convicção e a vocação. 

 

Identifica-se como um profissional polivalente, atento ao “estado da arte” do audiovisual, mas sempre com vontade de inovar nos códigos e de criar vias alternativas, quer nos modos de expressão ou no equipamento, quando os recursos técnicos e financeiros disponíveis não estão à altura das ideias.

 

O seu trabalho carateriza-se por um cuidado fotográfico extremo e uma sensibilidade estética capaz de retratar com autenticidade as relações humanas num contexto de documentário, ficção ou publicidade.

 

Por Ricardo Vilhena (não usa AO)