A MÁQUINA DO TEMPO

O Internauta-Habilis

A informação é e sempre será poder


Por:Artur Efigénio

2016-09-25
Hoje, a empresa Google sabe onde você está, com quem está ou esteve a falar

A Comunicação pode ser definida como o comércio de ideias ou informação entre os homens, sujeitos ou objetos. Resulta do latim “troca” sendo igualmente a ação ou tentativa de ação sobre o outro, aproximando-se neste sentido, segundo Aristóteles, da retórica ou arte de persuasão.

 

De acordo com esta perspetiva, mesmo sem se aperceber, hoje já deverá ter comunicado dezenas ou centenas de vezes. Centrando-nos numa perspetiva mais tecnológica, por certo já pegou pela manhã no seu telemóvel e verificou se alguém lhe tinha ligado ou enviado alguma sms, ligou o rádio do seu carro, ligou a televisão, ou acedeu à internet para trabalhar, consultar o e-mail ou as notícias, ou acedeu às redes sociais. Por esses mesmos meios já foi bombardeado subtil ou descaradamente com marketing e publicidade, tentando que o seu cérebro grave inconscientemente as mensagens, condicionando-o na decisão de uma futura compra.

 

Quanto aos seus filhos e netos já nem vale a pena pensar muito, pois esses seres pertencentes já a uma quase nova espécie humana, do tipo “internauta-habilis” ou “facebook-sapiens”, por certo já duplicaram a sua performance comunicativa com milhares de interações com sms e posts com a sua própria linguagem encriptada cheia de k, bués e yás, que obrigarão muito em breve a um novo acordo ortográfico que incorpore estas siglas e hieróglifos.

 

Não necessita de voltar muitos anos atrás para se recordar de quando só ouvia rádio, via televisão a preto e branco, utilizava o dedo indicador para rodar a circunferência numerada do telefone para fazer uma chamada, sabia de cor esse número de telefone, bem como o de outras pessoas ou locais e, caso necessitasse de contactar alguém, teria de esperar por encontrá-lo.

 

Eram tempos bem mais sossegados e provavelmente até mais bem passados. Não existia a pressão de não ter rede, de não estar contactável, de não saber o que se passa “na hora” no mundo, no país, o que andarão a fazer e a dizer os mil e quinhentos “amigos”, quantos likes fizeram e até o que comeram ou beberam. Os tais que, provavelmente, quando se cruzarem na rua consigo, nem lhe vão falar, mas isso pouco importa. Como era bom quando o verdadeiro amigo se lembrava, de cabeça, da sua data de aniversário e lhe ligava. Como era bom quando a leitura de um livro era suficiente para passar uma tarde amena de verão à sombra de uma árvore. Enfim, como era bom o silêncio.

 

Agora é tudo à pressa. É tudo supérfluo e superficial. Não se conversa, tecla-se. Não se observam as estrelas e o pôr-do-sol, lacrimejam os olhos das horas passadas frente ao ecrã. Não esperamos pelo que o tempo nos reserva, reservamos o que fazer de acordo com as previsões do tempo para 3, 5 ou 10 dias. Não se passeia, nem se sentem os cheiros da natureza, sentamo-nos e ligamos qualquer coisa. Limitamo-nos a olhar e a ver passar imagens.

 

Agora vejam a rapidez como isto tudo aconteceu. E pensem aquilo que o futuro nos reservará e a velocidade como acontecerá. A Internet tal como a conhecemos (World Wide Web-WWW) só foi criada há cerca de 20 anos. De acordo com alguns estudos, daqui a dois anos, 80% do tráfego da internet serão vídeos. Já falta pouco para os velhinhos PC e portáteis desaparecerem e passarmos a utilizar somente smartphones. Chegará o dia em que vamos poder aceder onde quer que estejamos e fazer seja o que for sem nenhum aparelho, podendo utilizar apenas uns óculos, ou talvez até só incorporando algo nos próprios olhos.

 

Quando vemos estes fenómenos acontecerem, perguntamo-nos: Como será o futuro da informação e comunicação? Mas as perguntas poderão ser outras. Perguntemo-nos: Quem irá controlar? Com que fins? Será o mais útil e adequado à humanidade?

 

Muitos afirmam que a internet perderá estabilidade e regulamentação ficando nas mãos de muitas das grandes empresas que agora já dominam este mercado, tornando-as ainda mais poderosas. Será?

 

Hoje, a empresa Google sabe onde você está, com quem está ou esteve a falar, onde estão os seus filhos e com quem estão, quais as suas preferências de consumo, todos os sites a que acedeu, tudo o que comprou, todos os seus dados pessoais, e até talvez os códigos dos seus cartões bancários, e essa informação nunca mais desaparecerá e vale muitíssimo dinheiro.

 

A informação é e sempre será poder. E dominar a informação e a comunicação sempre foi o maior desejo da espécie humana. Juntemos agora as duas a nível global nas mãos dessa só empresa, onde o lucro e os dividendos a distribuir pelos acionistas, que por certo não serão a última das suas prioridades, e vejam o que poderá pairar sobre a sociedade do séc. XXI.

 

Caso ache exagerado ou tenha dúvidas, não pense mais nisso ou então tente informar-se fazendo uma pesquisa sobre este tema… Onde?… Através do Google, pois então!