DE QUEM É O OLHAR

Colapso do capital

Desistir não é uma opção!


Por:Monika Dresing

Samuel Zeller
2016-11-30
Uma análise detalhada e abrangente do estado actual da economia global, vulgo capitalismo

É assim que se chama um livro, escrito por Tomasz Konicz e que saiu em Outubro deste ano na Alemanha. O livro apresenta uma análise detalhada e abrangente do estado actual da economia global, vulgo capitalismo, e das suas consequências para a vida humana bem como para o planeta.

 

Ele descreve os dois limites intrínsecos do capitalismo, o limite interno e o limite externo, limites estes que impedem que o capital investido gere lucros. Por um lado, no que diz respeito ao limite interno, é a crescente automatização da produção, o desenvolvimento dos meios de produção, que leva a que sejam necessários cada vez menos trabalhadores nos processos de produção. E como o lucro é apenas obtido através da mais-valia do trabalho, este lucro tende a diminuir. Por outro lado, existem limites em relação aos recursos naturais bem como aos mercados que possam absorver os produtos. Todos (menos Donald Trump) sabemos quais as consequências do efeito de estufa para o clima, qual a importância das florestas tropicais intactas, etc., etc. O próprio planeta tem limites. E dado que temos uma economia globalizada existem também poucas possibilidades para a extensão dos mercados. Quem é que pode comprar todos os produtos maravilhosos? As pessoas na periferia global que maioritariamente vivem em condições de miséria? As pessoas nos centros económicos onde há cada vez mais pessoas a viverem em situações precárias?

 

Já há muitos anos que o capital como sujeito automático foge para os mercados financeiros onde se criaram mais e mais produtos financeiros com o resultado de que, além do ar que respiramos, já não existe nada neste mundo que não seja mercadoria. Só que dois euros que se põem numa caixinha não vão produzir mais euros, quer dizer, o capitalismo financeiro não pode ser um motor de crescimento para a economia real. Sempre quando alguém ganha tem que haver necessariamente outro que perde. Os mercados financeiros não são a solução para a(s) crise(s), apenas prolongam a morte lenta do capitalismo agravando ao mesmo tempo as consequências negativas.

 

Quando falo do capital como sujeito automático isto não quer dizer que não há sempre pessoas que tomam decisões pelas quais são responsáveis. Mas os próprios políticos parecem ser impelidos pelo capital e as suas crises. As medidas de austeridade da direita que visam reduzir a dívida não resultam porque reduzem também a procura interna e assim as receitas do estado. As medidas sociais da esquerda levam mais cedo ou mais tarde a um aumento da dívida.

 

As consequências desta crise sistémica do capitalismo podem observar-se em todo o mundo. Há cada vez mais pessoas “desnecessárias” (para o sistema) e que caiem na miséria. Na periferia global, os próprios estados começaram a desintegrar-se. Há zonas inteiras dominadas por bandos terroristas, milícias auto-investidos, estruturas mafiosas, terroristas religiosos. Na Europa e nos Estados Unidos cresce o populismo que se aproxima cada vez mais do fascismo, com xenofobia, anti-semitismo, anti-islamismo. Os discursos e a comunicação nas redes sociais tornam-se cada vez mais violentos, às vezes seguem-se agressões físicas ou até massacres. A campanha eleitoral dos Estados Unidos mostrou bem o estado em que o mundo está.

 

Porque estou a escrever isto? Não quero que o mundo tome este caminho, que tudo o que foi criado, feito, pensado em milhares de anos seja perdido, destruído. Os meios de produção atingiram um nível tão alto que toda a humanidade poderia viver em paz e sem o trabalho árduo dos tempos antigos. Mas neste momento, a nossa capacidade de influenciar as grandes decisões é quase nula. No entanto, o que podemos fazer é tomar consciência do que se está a passar, partilhar os nossos conhecimentos, criar estruturas democráticas nos círculos locais, ficar atentos, opor-nos ao que está a correr mal. Desistir não é uma opção!