E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Respeito e Medo na educação dos filhos

Será medo ou respeito?


Por:Maria Monteiro

Jordan Whitt
2016-11-30
A educação baseada no Medo ativa o cérebro primitivo

Muitas vezes é difícil definir onde acaba o medo e começa o respeito. A boa notícia é que a neurociência pode ajudar a educar os nossos filhos no Respeito e dá-nos acesso ao que está a acontecer quando os educamos no Medo.

 

Antes de ler este artigo faça um pequeno exercício. Escreva cinco palavras que lhe vêm à cabeça relacionadas com o Respeito e outras cinco o Medo. Escreva mesmo, não basta ter uma ideia ou memorizar.

 

Pronto/a?

 

Nas últimas décadas adquiriram-se novos conhecimentos acerca do funcionamento do cérebro suportados pelos avanços na tecnologia. Várias ideias erradas acerca do funcionamento do cérebro puderam ser rejeitadas. Pensava-se que depois da infância o cérebro não podia mudar e que só usávamos partes do cérebro num dado momento e que o cérebro era silenciado quando estávamos parados. Uma das descobertas mais entusiasmantes e transformadora que estes avanços tecnológicos permitiram foi a neuroplasticidade do cérebro ou seja, cada vez que aprendemos um novo facto ou competência o cérebro muda.

 

E o que isto tudo tem a ver com Respeito e Medo na educação? Se tiver possibilidade veja os quase 3 minutos do vídeo online intitulado “Dr. Dan Siegel apresentando o modelo da mão” (link) para compreender facilmente o modelo do cérebro. É fácil, vai gostar e está legendado!

 

Estes conhecimentos trazidos pela neurociência – que o cérebro é plástico e que são as relações e as interacções entre as pessoas que estimulam o crescimento e a aprendizagem fazem a ligação a dois sistemas cerebrais diferentes. O Medo leva-nos para o funcionamento do cérebro inferior mais primitivo e muito ligado à sobrevivência da espécie e o respeito está ligado ao funcionamento do cérebro superior, responsável pela reflexão, o autocontrolo, a empatia e compaixão. É importante não esquecer que o cérebro funciona como um todo e tem, ao mesmo tempo, componentes com funções diferenciadas ou especializadas. (link)

 

O cérebro primitivo(reativo) é activado quando a pessoa se sente ameaçada e/ou atacada. Quando este tipo de estimulação baseado na ameaça é frequente, deixa de haver equilíbrio e a resposta será atacar, fugir ou paralisar. Esta parte do cérebro não tem acesso a outra forma de resposta quando a activação é demasiado forte ou frequente. (link)

 

Em termos práticos, o nosso cérebro primitivo é ativado em situações em que a pessoa se sente ameaçada tanto física como psicologicamente. Em momentos de conflito, ansiedade ou impaciência tanto pais como filhos podem sentir-se ameaçados pelos berros, a humilhação, as represálias, as mentiras, as promessas e desculpas ou em situações em que a sua vida está em perigo. O tipo de resposta do cérebro primitivo vai impossibilitar qualquer tipo de reflexão racional e regulação emocional até que o sistema nervoso encontra o equilíbrio novamente. A educação baseada no Medo ativa o cérebro primitivo e uma vez ativado a pessoa não tem a possibilidade de reagir de outra forma.

 

Mas há esperança uma vez que já sabemos que o cérebro é plástico e que podemos estimular redes neuronais e aprender a ativar e estimular o cérebro superior.

 

O cérebro superior(receptivo), ainda em construção nas crianças funciona, em direto e ao vivo, com os outros sistemas cerebrais. É ele que regula toda a informação vinda do corpo e das outras partes do cérebro, que nos dá a capacidade de sintonizar com as nossas experiências internas e as das outras pessoas através da empatia, da compaixão, … que permite o equilíbrio emocional, que nos deixa pensar antes de agir, nos dá um tempinho entre o impulso para reagir e a ação, que nos dá a capacidade de adiar a recompensa permitindo que tenhamos flexibilidade de resposta, que nos permite acalmar o medo!!!

 

Sim é este cérebro que nos permite que o cérebro primitivo não seja ativado!

 

E o que é que ajuda a desenvolver o cérebro superior? Consegue adivinhar?

 

E cada um de nós pode treinar, exercitar, melhorar as funções do cérebro superior?

 

Sim! Claro!

 

O primeiro passo assumir esse compromisso sem se autocriticar. Aceitar o desafio significa conhecer o funcionamento do cérebro, treinar a flexibilidade nos bons e maus momentos através do diálogo sem julgamento, validando as situações e as dificuldades, suas e dos filhos e considerando várias opções na resolução das situações. 

 

É passar da reactividade para a receptividade.

 

É passar da ameaça para a uma atitude que transmita segurança ao seu filho.

 

É deixar de dar conselhos e passar a ouvir e acalmar o seu filho.

 

É fazê-lo sentir que pertence a uma família que se preocupa com ele e que ambos podem ter bons e maus momentos! Ambos.