SOLIDARIEDADE

Por um Natal sem fome em Vila Nova de Milfontes

Campanha nos dias 3 e 4 de Dezembro

2016-11-30
O Banco Alimentar contra a Fome está em marcha para ajudar as pessoas mais necessitadas da região e apela a donativos de bens alimentares nos principais supermercados da vila

 

O Banco Alimentar contra a Fome está em marcha para abastecer os armazéns de Santo André e ter mantimentos para dar às instituições que ajudam as pessoas mais necessitadas da região e apela a donativos de bens alimentares nos principais supermercados da vila

 

Duas toneladas e meia. Esta é a fasquia mínima de alimentos que o Banco Alimentar quer atingir no próximo fim-de-semana, 3 e 4 de Dezembro, em Vila Nova de Milfontes. Divididos por dois turnos, quase cinco dezenas de voluntários vestidos com as t-shirts, munidos das credenciais e respostas para os cépticos, entregam sacos aos clientes dos principais supermercados da vila, pedindo azeite, óleo, leite, atum, salsichas, farinha e açúcar, entre outros produtos essenciais à despensa dos mais necessitados.

 

Por detrás da angariação dos voluntários e da ambição de atingir esta fasquia está Maria Manuel Gândara, aposentada da função pública e coordenadora do Banco Alimentar Contra a Fome em Vila Nova de Milfontes. Em duas folhas de papel tem manuscritos uns 80 nomes e números de telemóvel, mas é só um ponto de partida. “A esmagadora parte das pessoas que se voluntariam vêm das igrejas locais”, informa a título de curiosidade, pois “os Bancos Alimentares são instituições não-governamentais, apolíticas e não confessionais”.

 

“Há um núcleo duro, os que podem a toda a hora e os que podem apenas num dia ou noutro, há que conjugar vontades, ligar a muita gente à última da hora” explica.

 

É à coordenadora que cabe também distribuir os voluntários pelos pontos de recolha nos supermercados. “No mínimo tentamos que estejam duas pessoas por supermercado, uma delas com experiência em campanhas anteriores e tentamos ter pessoas de reserva caso haja um impedimento de última hora”, elucida. “As crianças, escuteiros e filhos de voluntários, estão sempre acompanhadas por adultos”, tranquiliza.

 

Antes dos “dias D” há formação. Os voluntários aprendem a comunicar com os clientes dos supermercados, a responder às perguntas difíceis, a resolver eventuais conflitos. “É essencial que um voluntário conheça o projecto do Banco Alimentar e o saiba explicar a quem tiver dúvidas, tem de saber dizer que os Bancos Alimentares recolhem e distribuem localmente vários milhares de toneladas de produtos e apoiam ao longo de todo o ano a acção de muitas instituições em Portugal e que estas, por sua vez, distribuem os cabazes de alimentos a pessoas comprovadamente carenciadas”, lecciona.

 

Durante o dia, a carrinha emprestada pela junta de freguesia fará quatro passagens pelos supermercados. “Não pode falhar nada, se houver uma avaria ou um furo na carrinha ao domingo ou mesmo no sábado à tarde pode deitar tudo a perder”, alerta. À noite há grande azáfama no ponto de chegada dos bens: um armazém em Vila Nova de Santo André - apesar de pertencer ao distrito de Beja, este local no distrito de Setúbal fica mais perto, pelo que os bancos de Odemira abastecem este armazém e recebem a documentação e apoio da capital sadina.

 

Num grande tapete rolante passam os produtos que são separados por mesas pelos voluntários - maioria escuteiros em Santo André. Alguns produtos dão mais trabalho do que outros. “O leite, por exemplo, para evitar desperdícios, é separado por datas de validade”, desmistifica Maria Manuel Gândara. “O desperdício, aliás, é quase inexistente, se um pacote de arroz se rompe, por exemplo, alguém grita ‘dói-dói’ e logo aparece um adesivo para remendar o pacote”, conta divertida.

 

O resultado fica armazenado durante meses. Vai sendo distribuído, pouco a pouco, pelas entidades que dão assistência a quem mais precisa. Na verdade, os Bancos Alimentares não distribuem directamente às pessoas carenciadas mas passam obrigatoriamente pelo canal e crivo de instituições locais, grupos ou comunidades que conhecem e apoiam as pessoas em situação de pobreza.

 

“Uma das peças fundamentais neste projecto é a elaboração de processos individuais dos que se candidatam a receber os cabazes, é um inquérito muito rigoroso onde as pessoas têm de apresentar uma série de documentos, desde o IRS aos recibos de renda de casa, de água e luz”, esclarece a responsável. “Os processos são revistos com regularidade para evitar que quem já não precise continue a receber”, garante. “Evitar que haja casos destes é uma grande preocupação das entidades, pois basta haver um caso de injustiça para criar um rumor ou boato que os bens vão para quem não precisa e isto pode afectar toda a campanha de recolha, é preciso que quem não precisa meta a mão na consciência e perceba que pode estar a prejudicar dezenas de famílias”, reflecte. “Por outro lado, há pobreza envergonhada, é vital que quem precisa de ajuda se desloque à Loja Social, na junta de freguesia de Vila Nova de Milfontes para tratar do seu processo”, convida.

 

A coordenadora de Vila Nova de Milfontes envia “um agradecimento muito especial a todos os voluntários e doadores, pois todos contribuem de forma generosa para o sucesso da campanha”.

 

“Banco Alimentar, partilhar sabe bem” é o mote da campanha deste Natal. A Federação dos Bancos Alimentares lançou recentemente este apelo na Internet, num vídeo publicado no YouTube

 

por Ricardo Vilhena (não usa AO)