VIDA SELVAGEM

Ganso-patola do Almograve morre em Santo André

Ave estava subnutrida

Imagem: Andreas Trepte, www.photo-natur.net
2016-12-31
O alcatraz foi encontrado na praia e levado para o centro de recuperação pela GNR, mas resistiu apenas dois dias

O ganso-patola que deu entrada no Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André (CRASSA), depois de ter sido recuperado pela GNR na praia do Almograve, a 16 de Novembro, faleceu dois dias depois, confirmou ao MERCÚRIO, fonte daquele centro.

 

De acordo com a Rádio Miróbriga, o Núcleo de Protecção Ambiental (NPA), do Destacamento Territorial da GNR de Odemira recolheu esta ave marinha depois de a encontrar com sinais de desnutrição.

 

De acordo com o portal Aves de Portugal, o ganso-patola ou alcatraz é a maior ave marinha avistada nos mares portugueses. O seu mergulho efectuado como uma flecha a partir de uma grande altura é um dos espectáculos mais notáveis na Natureza. É presença habitual nas proximidades do cabo Sardão e no cabo de Sines, entre outros locais em Portugal.

 

A presença de um ganso-patola numa praia é pouco comum. A bióloga Marisa Ferreira, entrevistada pela Wilder, publicação especializada em natureza, explica que a presença de um ganso-patola arrojado numa praia portuguesa não é normal uma vez que estes animais permanecem sempre no mar quando não se encontram nas colónias de reprodução. “Quando aparecem numa praia é porque estão feridos, exaustos ou doentes”, esclareceu àquela publicação a bióloga.

 

Os centros de reabilitação recebem dezenas de animais todos os anos, debilitados por exaustão ou feridos por acidente nas campanhas de pesca. A ave que procurou refúgio em Almograve terminou a sua vida em Santo André, mas nem todos os alcatrazes têm um final infeliz. Dois Gansos-patola, encontrados emaranhados em lixo e feridos por anzóis, foram devolvidos ao mar em meados de Novembro, juntamente com duas Tartarugas-comuns, depois de vários meses de repouso, tratamento e recuperação.

 

O CRASSA é um dos três centros nacionais de recuperação geridos pela Quercus e que estão sob a alçada do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF). “O objectivo principal dos centros de recuperação é a recepção de animais selvagens debilitados, sua recuperação e devolução ao meio natural”, lê-se na página oficial da instituição. 

 

Ricardo Vilhena (não usa AO)