E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

TPC para pais!

Diminuir discussões desnecessárias!


Por:Maria Monteiro

2016-12-31
Normalmente o que é que acontece quando entramos em diálogo com os nossos filhos ou crianças em geral?

No artigo do mês passado abordei o assunto do medo e respeito na educação. Os estudos de vários autores indicam que será importante para a regulação do comportamento e os relacionamentos interpessoais das crianças a aprendizagem do vocabulário dos sentimentos nos vários contextos do dia-a-dia. Falar com os nossos filhos desde pequenos, sobre o que estamos a sentir promove essa aprendizagem. A tendência que temos de querer passar a ideia de que temos que estar felizes, divertidos e sempre na maior gera um certa confusão e insegurança na cabeça de quem está a aprender! Sabemos, pela nossa própria experiência que durante o dia temos sentimentos diferentes, vão e vêm, aparecem e desaparecem, voltam sem se anunciarem e desaparecem sem pedir autorização! Isto também acontece consigo, certo?

 

Outro fenómeno que nos acontece com frequência e nas situações quotidianas, em família, na escola, na sala de aula, e em muitos outros contextos aquilo que seria uma conversa inofensiva passa a uma discussão em que todos os participantes ficam insatisfeitos. Normalmente o que é que acontece quando entramos em diálogo com os nossos filhos ou crianças em geral?

 

-Vai vestir a camisola!

 

-Não é preciso.

 

-Está frio e está a arrefecer… 

 

-Não quero, estou com calor! Agora não preciso.

 

-Faz o que te digo! Agora!

 

 

-Luis, hoje é o teu dia de ir levar o lixo ao contentor.

 

-Sim pai. vou já!

 

-Não é vou já! Levanta-te e vai.

 

-Preciso só de mais 2 minutos para acabar isto, estou mesmo no fim…

 

-Sempre com desculpas… sempre a adiar as tuas responsabilidades. Achas que esse jogo é mais importante? Achas que é assim

que te vais fazer um homenzinho! Não me obrigues a ir aí tirar-te a consola!

 

...

 

-A minha professora é mesmo má e injusta. Não gosto dela!

 

-Não digas isso da tua professora.

 

-Só porque uns estavam a fazer barulho no ensaio da peça de natal, diz que já não vamos participar.

 

-É assim mesmo, portam-se mal e a professora não consegue ensaiar…

 

-Mas eram só uns meninos e nos outros dias tudo correu bem… não gosto dela!

 

-Acaba com essa conversa já!

 

...

 

E pronto! Neste exemplos, não estamos a ouvir e estamos a pedir aos nossos filhos que ignorem o que sentem! Os nossos filhos não estão à procura de ter razão. Querem ser ouvidos, reconhecidos e amados. Eles e nós! Sim! O resto é cenário!

 

No caso de escolher mudar a forma como habitualmente responde e comunica, aqui fica uma sugestão:

 

1. Oiça o que a criança diz, e resista à tentação de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça! Difícil, somos seres de rotinas!

 

2. Adote uma atitude que demonstre que está a ouvi-la! Olhe para ela, ponha-se à mesma altura dela, sente-se com ela, diga “Estou a ver…”

 

3. Adivinhe o que ela está a sentir: será irritação, frustração, cansaço, confusão, zanga, medo, impaciência, ou entusiasmo, apoio, alegria, orgulho ou vergonha, coragem, apreciação, tristeza?

 

4. Diga-lhe o que ela está a sentir em vez de dar conselhos ou explicações lógicas ou de ameaçar ou de desvalorizar a situação. Ainda mais difícil!

 

E comece de novo! Oiça o que a criança diz. A criança sente-se ouvida e apoiada e vai dizer o que está a acontecer ou o que aconteceu – o que a perturbou ou alegrou - e quer ser ouvida e, mais interessante ainda, vai ser capaz de se apaziguar, no caso de estar perturbada!

 

Caso queira aprofundar este assunto há um livro muito prático, com exercícios tipo TPC para pais, das autoras Adele Faber e Elaine Mazlish com o título “como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem”.

 

Todos os dias há momentos que são um desafio para as famílias: hora de levantar, vestir, higiene, as refeições, entrada na escola, saída da escola, tarefas em casa, escolha das brincadeiras, brincadeiras entre irmãos, hora de deitar.

 

As crianças passam a maior parte do dia a cumprir ordens. É connosco que aprendem como se faz. Somos os seus modelos.