NA PRIMEIRA PESSOA

PENSEI, REFLECTI E… ESTÁ DECIDIDO!

Mais um cidadão português que chegou à situação de refeormado


Por:Manuel Cruz

2017-01-31
Hoje orgulho-me de poder dizer que o desempenho dos cargos políticos, que exerci nestes trinta anos, não contribuiu com um cêntimo para a formação do valor da minha pensão de reforma

Muitos dos meus amigos me interpelam e outros Odemirenses se interrogam e comentam:

 

- Então… mais um “politico” a reformar-se?!!!...

 

- Mais um “político” que vai usufruir das regalias de ter exercido cargos de vereador no Município de Odemira (não dizem, mas certamente pensam, e “nós a pagar”…).

 

- Pois, mais um que se reforma com poucos anos de descontos… à sombra das benesses para os políticos.

 

Ouvindo esses comentários, tendo de facto exercido cargos, por eleição politica, nos órgãos autárquicos no concelho de Odemira, durante mais de trinta anos, não posso deixar de aproveitar este espaço, que o mercúrio me disponibiliza, para esclarecer as dúvidas que possam existir entre os meus caros concidadãos deste nosso querido concelho.

 

Todas as pessoas são diferentes umas das outras.

 

E diz-se no nosso Alentejo que todos têm as suas “manias”, eu diria particularidades.

 

Apesar de gostar de pensar que “todos diferentes” pudéssemos ser “todos iguais”, claro, quando reflicto sobre a igualdade de oportunidades, de direitos e de obrigações, de qualquer ser humano, pleno do direito, poder usufruir durante a sua vida.

 

Não sendo um facto consumado, apesar de merecer o direito de constar no texto da Constituição da Republica Portuguesa, as diferenças entre os Portugueses, nomeadamente entre os Odemirenses, continuam a ser imensas, quando falamos de direitos e de obrigações. Nas obrigações, ainda assim, existe mais igualdade, mas quanto aos direitos, todos temos mais a fazer para que a nossa sociedade seja mais justa.

 

Diz-se também que “quem não se sente não é filho de boa gente”, e em memória dos meus progenitores dedico este tempo a brotar no papel a minha “reacção”.

 

Nunca disse que qualquer político, que entendeu reformar-se no pleno direito da Lei, usando dessas benesses, estava a cometer qualquer ilegalidade, porque seria desconhecer texto da Lei.

 

Nem tão pouco vou questionar aspectos de carácter moral ou ético, pois isso são valores que cada um usa o que entende, embora aceite e compreenda quanto, muitas vezes, são justas e revelam muita revolta, as razões de quem critica.

 

Mas regozijo-me por ter sido criado novo regime de aposentação, onde foi eliminado o direito dessa regalia, que permitiu acabar com essa benesse a quem exercesse cargos em permanência de características de eleição politica, poder ser aposentado após exercício de funções durante somente doze anos.

 

A minha “mania” foi sempre, e continuará a ser, enquanto permanecer com o pleno conhecimento cerebral, desempenhar, democraticamente, por eleição, cargos políticos, o poder contribuir para a comunidade sem querer algo de retorno pessoal em troca dessa colaboração.

 

Nunca aceitei cargos que ficasse na dependência, com a permanência em exclusividade porque, pensando a eleição política como uma missão, sempre optei também por ter a minha vida profissional, na qual descontei os valores respeitantes aos salários para a Segurança Social.

 

Hoje orgulho-me de poder dizer que o desempenho dos cargos políticos, que exerci nestes trinta anos, não contribuiu com um cêntimo para a formação do valor da minha pensão de reforma.

 

Enfim, uma “mania” ou então… uma “opção”.

 

Mas, decorridos 52 anos de trabalho e 48 anos de registos salariais para a Segurança Social, chegou a hora.

 

Para que conste e comprove aqui está a minha folha de salários e equivalentes (serviço militar) da Segurança social.