E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Ter filhos

Que valores defendo para a educação dos meus filhos?


Por:Maria Monteiro

siodjcyotms natalya zaritskaya
2017-01-31
Quando vamos cortar o cabelo, escolher uma tinta para as paredes, ou comprar um telefone ou construir uma nova casa como é que fazemos?

Perguntaram-me: “para quê tanta complicação com a educação dos filhos”? E esta pessoa acrescentou o comentário: “Seja como for os nossos filhos vão ter bons momentos e maus momentos na vida, não é”?

 

Pedi à pessoa que explicasse melhor o que queria dizer. E resumindo a questão, o que ela queria saber era se para mim era mesmo importante ajudar as famílias a educar os filhos de uma forma mais consciente? Se eu achava que iria fazer assim tanta diferença!

 

Para mim e agora, neste momento da minha vida, reposta a esta pergunta é fácil e óbvia: Sim, é mesmo importante.

 

Muda tudo! E não se trata de deixar de haver bons e maus momentos, gargalhadas e choro convulsivo! Zangas e abracinhos mas de estarmos mais abertos a explorar os conhecimentos de várias áreas da ciência que nos demonstram como podemos educar os nossos filhos no sentido de se tornarem pessoas felizes consigo próprias apesar dos desafios e dificuldades próprias do ser humano e da vida em sociedade. Hoje temos mais ferramentas ao nosso dispor para desligar o piloto automático e fazer escolhas acerca do caminho a percorrer na educação dos filhos. Eu sou filha e Mãe, criança e adulta e tenho oportunidade de fazer diferente, igual, deixar acontecer, ou outra coisa qualquer mas posso escolher fazê-lo de forma consciente! O acesso a estes estudos, teorias e terapias é hoje muito fácil. Um grande número de pessoas tem acesso a informação on-line. Às vezes o difícil é saber a qualidade da fonte.

 

Quando vamos cortar o cabelo, escolher uma tinta para as paredes, ou comprar um telefone ou construir uma nova casa como é que fazemos?

 

Voltando à questão inicial: será que é importante ajudar as famílias e os pais em particular a educar os filhos de forma mais consciente?

 

Para cada uma das seguintes questões escolha uma das alíneas, de a) a g) e veja lá se chega a alguma conclusão?

Onde é que poderá ter aprendido a lidar com:

 

- Os elogios que lhe fazem

- O medo

- A frustração

- Pensamentos negativos

- A adiar recompensas

- A injustiça

- Demonstrações de amor

- As repreensões do seu patrão quando ele tem razão

- Os atrasos

- O descontrolo (o seu ou dos outros)

- As alterações de última hora

- Proximidade física de pessoas fora da família

- As situações embaraçosas

- Uma pessoa que o ridiculariza

- A vontade de chorar num espaço público

 

a)    Nas redes sociais

b)    Na escola

c)    Na TV

d)    Num curso

e)    Nos jornais

f)    Na família

g)    outros

 

As crianças e os pais não precisam de ser perfeitos. Até porque isso não existe. Trata-se de construir uma vida saudável para si próprio e para a sua família.

 

A investigação científica tem revelado que o desenvolvimento sócio-emocional das crianças depende, em grande medida, das interacções e climas vividos no contexto da família (Hart, 1990). Link

 

A vida familiar assume-se, assim, como a nossa primeira escola para a aprendizagem emocional: nas relações de intimidade que aí podemos experienciar, aprendemos como nos sentirmos a respeito de nós próprios e como os outros reagirão aos nossos sentimentos; o que pensar acerca desses sentimentos e que escolhas temos ao nosso alcance para reagir; como interpretar e exprimir as esperanças e os medos. Esta aprendizagem concretiza-se, não somente através do que os pais dizem e/ou fazem na interacção directa com as suas crianças, mas também enquanto modelos que são na forma como lidam com os seus próprios sentimentos, bem como através dos modelos que transparecem da relação que, como casal, mantêm entre si (Goleman, 1995). Nesta medida, as crenças e significações pessoais e educativas, os estilos de comunicação, as capacidades para enfrentar os pequenos ou grandes problemas que a vida nos apresenta, a construção e o tipo de regras de funcionamento e de relação e o clima afectivo criado pelos pais, pela criança e pela interacção entre ambos, cumprem uma influência fundamental no equilíbrio sócio-emocional dos menores (Marujo, 1997). Link