CICLISMO

Volta ao Alentejo tem uma partida em Odemira

Ninguém ganhou a Alentejana dois anos consecutivos

2017-02-21
É a única prova internacional de ciclismo de estrada com um vencedor diferente todos os anos e este ano sobe de escalão e de importância. Etapa no litoral pode ser decisiva /br>

A vila de Odemira vai albergar o ‘circo’ velocipédico da Volta ao Alentejo na manhã de sábado, dia 25 de Fevereiro, com a concentração dos ciclistas junto ao rio Mira pelas 10h, e a partida simbólica, pelas 11h45, da quarta e penúltima etapa da prova, que este ano subiu de escalão neste tipo de prova, por etapas, e que, por isso, tem mais e melhores equipas, incluindo a Movistar, líder do ranking mundial em 2016.

 

Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, recorda o historial rico da prova: “A Volta ao Alentejo foi uma das primeiras corridas em Portugal a ter uma grande figura do ciclismo internacional, quando Miguel Indurain venceu a prova em 1996; foi sempre uma prova singular e esta subida de categoria, para além de muito importante, é também natural, e para os ciclistas é mais uma oportunidade para marcarem presença numa corrida com o nível competitivo mais elevado.”

 

Depois de ter recebido uma meta volante na edição do ano passado, Odemira recebe uma partida e talvez uma oportunidade para os fãs de ciclismo obterem alguns autógrafos e verem algumas estrelas e respectivas “máquinas pedaleiras” mais de perto. A etapa entre rios, liga a vila odemirense a Alcácer do Sal, num percurso relativamente plano de 175 quilómetros. Será a penúltima etapa da Alentejana, a única prova internacional que teve sempre um vencedor diferente, apesar de contar já com 34 edições. Entre os corredores pré-inscritos há apenas um homem que pode repetir a façanha: o espanhol Carlos Barbero, agora ao serviço da equipa World Tour Movistar, pode bisar a vitória alcançada em 2014 e quebrar a tradição.

 

De resto, a quarta etapa é dedicada às paisagens do litoral alentejano. Mas os ciclistas do pelotão internacional terão pouco interesse em ver a paisagem. À excepção dos “roladores” ou jovens que vêm apenas ganhar ritmo ou experiência, a maior parte do pelotão apenas poderá apreciar a paisagem ao passar a ponte sobre o Rio Mira. Logo de seguida, junto à placa que denuncia a entrada no parque natural, será dado o sinal da partida real da etapa.

 

As curvas e contracurvas até chegar às Portas de Transval poderão ser uma oportunidade única para provocar uma primeira fuga e testar o fôlego da equipa do camisola amarela. De seguida o pelotão rolará relativamente tranquilo até nova ponte sobre o Mira, desta feita perto de Vila Nova de Milfontes. Os milfontenses que queiram espreitar as estrelas do ciclismo internacional terão de ir às Brunheiras, onde o pelotão é esperado pelas 12h25, uma vez que a Alentejana irá passar ao lado da vila.

 

Na rotunda, o pelotão evita o Cercal, seguindo antes pelo parque de campismo do SITAVA e seguindo depois para Porto Covo. O percurso junto ao mar será testemunha de uma provável fuga táctica dos concorrentes à meta volante instalada em Sines, junto aos Bombeiros Voluntários. Novo episódio do mesmo género é esperado em Santo André, com nova meta volante.

 

De seguida entram em acção os trepadores, que irão mostrar a sua mestria na contagem do prémio de montanha de quarta categoria junto ao pavilhão de Santiago do Cacém, um momento sempre dramático de luta e esforço que os fotógrafos vão querer captar.

 

 

Troço do IC1 sem volta a dar

 

Em Grândola, a meta volante é quem mais ordena, mas para seguir para Alcácer, onde termina a etapa, a organização decidiu seguir a caminho de Tróia e, uma vez em Comporta, regressar novamente ao interior. Os ciclistas evitam assim o cada vez mais degradado troço do IC1 para o qual, população, autarcas e utentes do Litoral Alentejano exigem uma urgente intervenção por parte do Governo.

 

 

A Volta ao Alentejo Crédito Agrícola chega, este ano, mais cedo e será mais competitiva. Entre 22 e 26 Fevereiro, com início em Portalegre e final em Évora, a “Alentejana” conta com 19 equipas a competir nos quase 900 quilómetros da competição organizada pela Podium Events em parceria com a CIMAC - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central.

 

Joaquim Gomes, director da Volta ao Alentejo, também está contente com a subida de escalão da prova: “É um passo, importante, rumo à recuperação do estatuto internacional que a prova ostentou nos anos 90. Sem usufruir, naturalmente, de grandes percursos montanhosos, as planícies alentejanas revelam, há muito, outros argumentos que, aplicados ao fantástico mundo do ciclismo, têm proporcionado épicas batalhas na luta pela liderança, quer da “Alentejana”, quer da Volta a Portugal”.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, a Volta ao Alentejo Crédito Agrícola vai começar na capital do Alto Alentejo. De Portalegre a Castelo de Vide, o pelotão de 152 homens vai enfrentar o percurso mais pequeno (158 quilómetros), mas também o mais difícil com quatro contagens de montanha no Parque Natural da Serra de São Mamede.

 

Após um trajecto inaugural mais montanhoso, o pelotão vai começar a rasgar as estradas da planície, entre Monforte e Portel, com o “Grande Lago” Alqueva, como pano de fundo. A segunda etapa (170 quilómetros) terá um único prémio de montanha em Monsaraz. A terceira tirada, a mais longa, com 208 km, levará a caravana de Mourão até Mértola, em pleno Vale do Guadiana. O quarto dia de prova vai começar em Odemira, e, após 175 quilómetros, em que o Litoral Alentejano somente se deixa encobrir pela Serra de Grândola, vai terminar em Alcácer do Sal.

 

No fim, e a caminho da cerimónia de coroação do 35.º vencedor da Volta ao Alentejo, será feita a ligação de quase 170 quilómetros entre Ferreira do Alentejo e Évora, com o Baixo Alentejo a devolver, simbolicamente, a prova ao Alentejo Central.

 

por Ricardo Vilhena (não usa AO)