EDITORIAL

Partidas

Umas atrás das outras


Por:Pedro Pinto Leite

2017-02-28
A partida do vice-presidente da Câmara Municipal de Odemira; A câmara municipal está partida; A partida que o PAACR faz à cultura e recreio no concelho

 O vice-presidente da Câmara Municipal de Odemira, Helder Guerreiro, abandonou o executivo camarário, dia 10 de fevereiro, e partiu rumo a Évora para exercer as funções de vogal da comissão diretiva da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Regional do Alentejo, Alentejo 2020.

 

Quem lidou com o ex vice-presidente confere-lhe a sua capacidade retórica, o seu sentido de humor, nem sempre entendido, a sua capacidade de ouvir, ainda que não parecesse, e até a sua capacidade de delegar, coisa rara nos paços do concelho odemirense.

 

Mas quem lidou com o ex vice-presidente também lhe confere uma maior preocupação com os seus interesses pessoais de carreira do que com o cumprimento e desempenho das funções para que foi eleito.

 

E tem conseguido alcançar esses objetivos de carreira mesmo que por umas curtas semanas.

 

Helder Guerreiro foi vereador de pelouros como os da cultura, ambiente e educação e não deixa grande marca no concelho. Ou deixa?

 

Apesar de Odemira não sair muito prejudicada com a sua partida, o executivo camarário fica claramente mais fraco.

 

 

2  No seguimento do abandono do ex vice-presidente, o vereador Ricardo Cardoso é nomeado para ocupar o cargo deixado vazio.

 

Para quem tinha dúvidas acerca da falta de confiança política do presidente José Alberto Guerreiro na vereadora Deolinda Seno Luís, esta nomeação poderá confirmar qualquer suspeita, ficando a câmara municipal já fragilizada, agora partida.

 

A nomeação de Ricardo Cardoso é esclarecedora: a equidade e a igualdade de género, no seio do executivo, fica no papel, isto é, a presença de mulheres na lista do PS, um dos partidos que mais chama a si aqueles temas, não passa de uma formalidade e do estrito cumprimento do artigo 2º da Lei da Paridade.

 

A primeira oportunidade de uma mulher ocupar um cargo que substitui o presidente da Câmara, na sua ausência, é negada de forma inequívoca.

 

Deolinda Seno Luís entra ‘em cena’ como número três e assim se manterá.

 

Também a subida de Raquel Vicente e Silva ao executivo se mantém na mesma linha. A agora vereadora não passa de uma ‘figurante’ ao não lhe ser atribuído qualquer pelouro. Isto revela que Raquel Vicente e Silva ocupava a sexta posição das listas do PS apenas, e mais uma vez, para o estrito cumprimento do mesmo artigo da Lei da Paridade.

 

Esta é a forma como este executivo lida com as mulheres e a prova de que das ideias à prática há uma grande distância.

 

 

3  Deolinda Seno Luís, vereadora do pelouro da cultura, prega nova partida às entidades culturais e recreativas do concelho de Odemira ao abrir as candidaturas do PAACR (Programa de Apoio às Atividades Culturais e Recreativas), para 2017, apenas em... fevereiro de 2017.

 

Este Programa de Apoio é conhecido por abrir concurso muito em cima do final do ano mas nunca abriu tão tarde.

 

Mais uma vez é revelada a falta de interesse pela cultura, a falta de política cultural e a falta de respeito para com as entidades culturais e recreativas do concelho que concorrem a este programa (e não só).

 

A consequência disto é que as entidades só saberão com o que é que podem contar, com sorte, “lá mais para o verão” e com grande parte do seu trabalho já desenvolvido.

 

Como qualquer concurso de apoio, o PAACR deveria abrir o mais tardar em setembro do ano anterior. E as atribuições deveriam estar definidas, no limite, até ao final de novembro.

 

Dessa forma as entidades concorrentes poderiam saber, atempadamente, se teriam ou não apoio e qual o seu valor e, a partir daí, adaptar as suas atividades consoante o valor atribuído e começar o ano civil já com um programa de atividades definido.

 

De outra maneira, só podem “improvisar”.

 

Dará a vereadora Deolinda Seno Luís atenção igual a todos os seus pelouros?