PALAVRA DE PALHAÇO

Evacuação Saudável

Keep Calm


Por:Enano Torres

2017-02-28
Só precisa de colocar um banquinho nos pés quando estiver na sanita e inclinar a coluna ligeiramente para frente

Existem assuntos tão importantes no nosso dia-a-dia que ninguém se livra deles. Há um em particular ao qual não prestamos a devida atenção, por resultar de um ato quotidiano, desvalorizado, sendo até por vezes assunto tabu, e que toda a gente faz e, ainda por cima, de maneira errada toda a sua vida.

 

Se calhar você, neste preciso momento, enquanto está a ler este artigo está a fazê-lo, pois muitas pessoas, e eu sou um deles, adora ler enquanto está a depositar o defecado, tão preciso para a nossa leveza.

 

No meu caso há momentos em que não distingo se estou a ler porque preciso de cagar ou se cago porque tenho muita vontade de ler.

 

Este hábito de leitura é hereditário. Lembro-me muito bem do meu pai a ler o jornal sentado no “trono” e demorar a sair da casa de banho. Eu e os meus irmãos esperávamos por vezes uma eternidade pela sua saída que arriscávamos entrar para nos pentear, gladiando-nos com o cheiro na atmosfera.

 

O digno ato de fazer cocó não distingue classes sociais. É um ato que unifica o ser humano e não o divide e que quase sempre vem precedido de um “peidinho”.

 

Na nossa sociedade ocidental, assim como outras tantas coisas, ensinaram-nos a fazê-lo de forma errada.

 

Certo é que passámos toda a vida a fazer cocó de maneira errada. O leitor poderá pensar: “mas existe uma certa para o fazer? Como é que nunca me ensinaram isso?”

 

Sim existe. E infelizmente não se aprende na escola.

 

Está comprovado que defecar sentado na sanita não é a maneira correta, mas sim ficar de cócoras. Dessa maneira verifica-se que verticaliza o reto e que ficamos com o intestino completamente vazio, evitando doenças do cólon, hemorróidas... Se reparar muitas crianças fazem-no na postura aconselhada, naturalmente.

 

A postura não natural trava o reto e não nos sentimos tão limpos por dentro.

 

E agora? Como devemos proceder? Temos que nos por de cócoras acima da sanita?

 

É uma das hipóteses! Mas imagine o seu filho a entrar pela casa de banho adentro, por descuido, e ver o pai, numa tentativa acrobática, equilibrando-se na sanita. O seu filho poderia logo pensar que o pai quer ser o Homem-Aranha!

 

Keep Calm! Não é preciso chegar a tanto embora possa sempre tentar esta maneira cómica de o fazer.

 

Eu explico, facilitando-lhe a vida: o que precisa é de colocar um banquinho nos pés quando estiver na sanita e inclinar a coluna ligeiramente para frente.

 

Tenho a certeza que uma vez que experimente esta posição, além de defecar com maior facilidade, o seu intestino vai-lhe agradecer a mudança.

 

Há anos que pratico esta postura correta e defeco que é uma maravilha. Aconselho!

 

Para aqueles que têm prisão de ventre, além de beber muita água, recomendo que façam exercício 3 vezes por semana. Dessa forma terá maior vontade de visitar a casa de banho.

 

Uma vez depositada a “obra de arte” na sanita podemos prestar-lhe maior atenção. O cocó pode ser considerado um assunto desagradável, engraçado, oculto até, mas, na verdade, deveria ser levado muito mais a sério, pois o aspeto das fezes pode revelar a presença de alguma doença, mostrar a qualidade da nossa alimentação, pode indicar até a falta de vitaminas e proteínas.

 

Apenas temos de prestar maior atenção à sua forma, cor, consistência e cheiro!

 

A saúde intestinal é fundamental para a saúde de todos os outros órgãos. É um sistema muito mais inteligente do que imaginamos. Os nossos intestinos podem ter uma grande influência sobre sentimentos, decisões e comportamentos. Posso confirmar que também temos um “cérebro intestinal” e que sabemos muito pouco acerca dele!

 

Pelo que deveríamos começar a perceber melhor o nosso outro “cérebro” que tanto influencia o cérebro central e, já agora, não tenham vergonha de falar de cocós com as vossas amizades pois, no quotidiano, falamos de tantas outras merdas que não têm importância nenhuma!

 

Para quem pense, “eh lá, o Palhaço agora até sabe de intestinos!” Pois Sim; mas o palhaço antes de querer partilhar esta informação, comprou há dois anos o magnífico livro “O discreto Charme do Intestino”, da alemã Giulia Enders, com uma escrita simples, clara e até divertida, e recomenda-o vivamente (existe em português) e a partir daí quis praticar, entender mais e melhor o seu cérebro intestinal dando à sua vida uma evacuação limpa, saudável e transparente.

 

Agora mãos à obra e cócoras preparadas.

 

Boas Cagadelas!!!