E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Só a chamar à atenção!!!

Mas mesmo só a chamar a atenção!


Por:Maria Monteiro

2017-02-28
Será estranho as crianças quererem a atenção dos pais?

Há situações com os nossos filhos em que o desfecho se adivinha!

 

Naqueles dias em que o nosso filho(a) está a chamar à atenção, mas é que está mesmo só a chamar à atenção. Está-se mesmo a ver o que vai acontecer…. Aparentemente nada lhe falta, estamos em casa, nas calmas, entretidos, cada um na sua, melhor era impossível! E de repente começa a fazer um barulho, não um barulho qualquer. Um barulho irritante. Um barulho que prende a nossa atenção. Do barulho passa para fazer coisas sem nexo, despeja as caixas, abre e fecha armários, suspira, faz movimentos bruscos. Fala com uma voz esganiçada e em tom zangado “quem é que andou a mexer aqui?” Para piorar as coisas fica desastrado e tudo lhe corre mal, não encontra A PEÇA, e tudo lhe cai das mãos, a acaba por se magoar ou pisar uma peça que fica estragada… e nasce uma fúria embrulhada num choro descontrolado e uns gritos esganiçados tudo tão sentido e tão intenso. Conhece esta situação? Ainda falta aqui a parte da nossa reacção. A reacção dos pais. Varia pouco! Gritos, ordens, castigos, ameaças, agressões físicas (para acalmar!) desvalorização da situação, ignorar,…

 

Estar a chamar à atenção é um comportamento adequado em termos desenvolvimentais porque é relacional. O nosso filho está a pedir a nossa atenção, está a pedir que nos relacionemos com ele, está a dizer uma coisa simples – preciso de ajuda! É através da relação que crescemos, que nos construímos por dentro e por fora. Estar a chamar à atenção é visto, pela maior parte das pessoas como um comportamento desadequado, errado. Este comportamento é adequado e é nestas situações que se criam momentos de aprendizagem estruturantes para a criança aprender a lidar com as suas frustrações. Este comportamento é um pedido de ajuda, de conforto, de protecção e a atenção é uma necessidade que todas as crianças e adultos têm. É esta atenção emocional e relacional que faz com que a criança se sinta profundamente conectada, vinculada, confortada e segura e que, um dia mais tarde saiba pedir ajuda de uma forma mais directa.

 

O descontrolo dos nossos filhos tem um impacto em nós! E muitas vezes acabamos por nos descontrolar também e lá vêm os gritos, as ameaças, os sermões que não ajudam em nada! É que nós, os adultos também precisamos muito de amor e atenção! Quando decidir reagir de forma diferente a estas situações comece por observar o seu filho(a) e a si próprio e esteja presente e próximo do seu filho(a) sem gritar nem fazer cara de frete! (eles topam-nos a léguas!). Ele(a) vai acalmar-se, aproximar-se e mostrar-se receptivo ao seu apoio.

 

Será estranho as crianças quererem a atenção dos pais?