E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Estou a passar-me…

Estratégias para redireccionar o cérebro


Por:Maria Monteiro

2017-04-03
Pais e filhos não são perfeitos e é na relação que acontecem mal entendidos, discussões, conflitos de interesse que levam a rupturas na relação… e não há varinhas mágicas na educação

Na educação dos filhos, a abordagem do cérebro total funciona quando estamos calmos, com espaço e tempo para nos dedicarmos com a parte superior do cérebro à resolução de alguma situação frustrante, de conflito ou de perda total de controlo. Não fui clara acerca de quem estou a falar... se da criança se do adulto! Serve para os dois! Adultos e crianças têm, temos situações em que perdemos o controlo, tomamos más decisões e entramos em conflito! Pois quando estamos neste estado nada funciona, nada se resolve! Melhor será esperar, manter-se lúcido, fazer uma pausa e examinar-se a si próprio! Caso consiga esta pausa significa que está a usar o cérebro superior. Recuperou o controlo das suas emoções e do seu corpo! Agora está receptivo e ao demonstrar esta capacidade aos seus filhos aumentou a probabilidade de eles aprenderem essa competência. Consigo.

 

A receptividade é fundamental para conseguir estabelecer uma ligação com o seu filho para conversarem sobre o sucedido, seja o que for. Estar receptivo é estar aberto a ouvir (OUVIR), a aceitar o outro e o seu ponto de vista (neste caso o seu filho), a cooperar, a incluir o seu filho na tomada de decisões de uma forma afectuosa e calma. Estar receptivo é também ser firme e consistente nos valores que definiu para a educação dos filhos adoptando uma atitude de respeito e compaixão.

 

Fez a pausa, está receptivo, conseguiu estabelecer uma ligação com o seu filho? Sim? Agora pode usar as estratégias de redireccionamento! Redireccionar ajuda o seu filho a voltar a usar o cérebro superior, aquela que é responsável pela tomada de decisões acertadas, pela regulação das emoções e do corpo, pela introspecção, pela empatia e moral, pela flexibilidade.

 

Estratégias para redireccionar para a parte superior do cérebro:

 

1.    Reduza o número de palavras;

2.    Aceite e valide o que o seu filho está a sentir;

3.    Descreva o que está a ver e pare com os sermões;

4.    Inclua o seu filho na disciplina;

5.    É melhor um sim condicional do que um não;

6.    Realce o que é positivo;

7.    Seja criativo e brincalhão na abordagem da situação;

8.    Ensine o seu filho a assumir o controlo de como se sente e como age fornecendo-lhe ferramentas mentais;

 

Pais e filhos não são perfeitos e é na relação que acontecem mal entendidos, discussões, conflitos de interesse que levam a rupturas na relação… e não há varinhas mágicas na educação. Por vezes, no momento, só podemos oferecer a nossa presença durante a “Tempestade” e assegurar aos nossos filhos que estamos ali, se precisarem de nós. Podemos sempre voltar ao assunto noutra altura.

 

Como nos dizem Daniel Siegel e Tina Bryson no livro Disciplina sem Dramas, “Na maior parte das nossas relações adultas se falhamos, acabamos por reconhecê-lo, ou abordamos a questão de alguma forma e, depois fazemos reparações. Mas muitos pais, no que toca à relação com os filhos, simplesmente ignoram a ruptura e nunca a abordam. Isto pode ser confuso e causar dor, tanto às crianças como aos adultos. Consegue imaginar alguém de quem gosta a ser reactivo, a falar consigo de forma muito áspera e, depois, nunca mais falar do assunto de novo, simplesmente fingindo que nunca aconteceu? Não o faria sentir-se bem, pois não? Passa-se o mesmo com os nossos filhos.”

 

Podemos sempre restabelecer a nossa ligação com os nossos filhos e reparar uma ruptura! A escolha é nossa!