E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Escute!

Experimente


Por:Maria Monteiro

imagem: Istiaque Emon
2017-05-08
Quando queremos usar uma dada situação em que foi feita uma má escolha temos tendência em começar por dar um sermão ou gritar, onde criticamos e reforçamos o que foi mal feito

Retomando o tema do artigo anterior “estou a passar-me” e voltando às estratégias para redireccionar o cérebro em situações de perda de controlo na relação entre pais e filhos, as primeiras estratégias proposta por Daniel Siegel e Tina Bryson são escutar o seu filho, reduzir o número de palavras e distinguir sentimentos de comportamento.

 

Quando queremos usar uma dada situação em que foi feita uma má escolha – a filha bate na mãe que está a cuidar do irmão mais novo, alguém não arrumou o quarto como combinado, alguém estragou ou partiu algo propositadamente, … temos tendência em começar por dar um sermão ou gritar, onde criticamos e reforçamos o que foi mal feito e juntamos uma grande quantidade de conselhos de como deve ser feito da próxima vez e ainda juntamos alguns comentários depreciativos acerca das características da criança. Quando temos este tipo de resposta ainda estamos em piloto automático e, também nós, pais, ainda não redireccionámos para o cérebro superior. Estamos a reagir e não estamos receptivos a ESCUTAR. 

 

Reveja a situação pelos olhos deles. Coloque questões à criança de forma que ela fale sobre o que estava a sentir naquela situação e escute o que ela tem a dizer. Depois ajuste a sua resposta de acordo com o que a criança disse que estava a sentir ou o que pensa que a criança sentiu naquela situação. Sentia-se sozinha, triste? Estava cansado, distraído? Estava zangada, mesmo furiosa!? Assim a criança sentirá que há consistência na sua resposta interna. É importante aceitar e validar os sentimentos. “A validação começa a acalmar e a regular a reactividade do sistema nervoso A criança vai aprendendo vocabulário para falar do que sente e faz a ligação com a sua experiência interna. Depois foque-se no comportamento. Bater, estragar propositadamente, faltar ao compromisso é o comportamento e é o comportamento que pode não ser aceitável.

 

Em vez do sermão experimente descrever o que está a ver - estás a dar-me palmadas na perna e estás a magoar-me, estou a ver roupa no chão da casa de banho e não consigo passar, o castelo de lego do teu irmão está desfeito e ele está a chorar, … Assim iremos mais provavelmente criar uma ligação com o nosso filho, dar início a um diálogo acerca do que se passou. Além disso há outra vantagem nesta estratégia. Aqui colocamos a iniciativa da tomada de decisão sobre o próximo passo a dar na criança e assim estamos a dar oportunidade de exercitar o cérebro superior. Em vez de ordenar e exigir, em vez de atacar e criticar, descreva o que está a ver. Uma resposta curta, clara e directa vai ser muito mais eficiente do que uma longa e demasiado explicativa. Como referem os autores do livro Disciplina sem Dramas, “as crianças não precisam que os pais lhes digam para não tomar más decisões. O que eles precisam é de pais que os redireccionem, ajudando-os a reconhecer as más decisões que estão a tomar e o que leva a essas decisões, para que possam corrigir o seu comportamento e mudem o que quer que precise ser mudado”. Deixam-nos como sugestão questões simples que podemos fazer aos nossos filhos para nos ajudarem a compreender o que se está a passar com eles naquele momento – “o que se passa? Podes ajudar-me a compreender? Não consigo encontrar sentido nisto.” Agora experimente, as vezes que precisar! Mudar rotinas e hábitos é difícil!