EDITORIAL

Gestão Autárquica

No caso do município de Odemira a gestão é visivelmente reativa


Por:Pedro Pinto Leite

2017-06-12
A gestão da Câmara Municipal de Odemira consiste em agradar os eleitores no imediato e no curto prazo, com o menor esforço possível

A GESTÃO

 

Uma boa gestão, seja de um país, de um município ou de uma instituição privada, caracteriza-se por uma gestão proativa e responsiva, isto é, responsável, e não reativa.

 

J. Loeks diz que a maior parte das pessoas tem dificuldade em distinguir a diferença entre reação e resposta. Ambas requerem ação mas a grande diferença é que a primeira pode tornar uma situação, seja ela boa ou má, pior. E a segunda torná-la melhor.

 

Para Loeks o ato de responder requer que se olhe para a circunstância, se identifique o problema ou a situação, se ouça e se reflita. Uma reflexão que pode ser de um momento, umas horas, uns dias ou do tempo que for. O período de tempo não importa, o que importa é que seja um ato consciente de se parar e pensar para se poder tomar melhores decisões e controlar, ou resolver uma situação.

 


A ação reativa é instintiva e sem perspetiva. Segundo Daniel Siegel, é uma atitude negativa.

 

Também John Ford (não o cineasta mas o autor do livro “Paz no Trabalho”) diz: 


Quando alguém reage, transfere a responsabilidade de uma situação para o outro através da culpa e assume o papel de vítima “justificadamente”. Quando alguém responde assume a responsabilidade do seu papel na situação.

 

Também nas empresas ou nas instituições, a gestão reativa é equiparada à falta de planeamento, de previsão. As organizações reagem aos acontecimentos e às mudanças em vez de os anteciparem e de inovarem.

 

As pessoas e as organizações em determinados momentos têm mesmo de reagir. Quer por uma questão de sobrevivência perante algum perigo quer por uma questão de ajustamento a algo imprevisto. Isso é normal mas tem de ser a exceção e não a regra.

 

Uma boa gestão tem de não só de antever as situações para que estas não se tornem em problema, mas também coragem e sentido da consequência dos atos para tomar decisões que levem a situações de vantagem.

 

 

A AUTARQUIA

 

No caso do município de Odemira a gestão é visivelmente reativa em prejuízo da gestão responsável uma vez que o objetivo dos eleitos à Câmara Municipal consiste em agradar os eleitores no imediato e no curto prazo, com o auxilio de vários tipos de assédio, e levá-los a colocar uma cruz num pequeno quadrado, com o menor esforço possível. Cada cruz tem um número médio de mentiras e promessas para a sua concretização medido pela “logomaquia”* do executivo.

 

Não falando das reações a uma ou outra peça noticiosa de um conhecido jornal local, este, outros exemplos não faltam. Aqui estão alguns:

 

- O programa POLIS que, no caso de Vila Nova de Milfontes, qualquer semelhança entre o projeto inicial, que tinha uma visão de futuro, e a obra (in)acabada (que se resume a uma ‘lavagem de cara’), é pura coincidência.

 

- A draga, parada no rio Mira há um mês sabe-se lá com que custos, que foi contratada antes de concluídos todos os procedimentos de avaliação de impacte ambiental, ficando a praia da franquia comprometida ao público pelo menos até agosto, para além de ficarem dificultados os serviços de travessia.

 

- A inexistência no concelho de uma zona Industrial de suporte à agricultura, seja para armazenamento ou para transformação. O Perímetro de Rega do Mira (ou o Aproveitamento Hidroagrícola do Mira) foi concluído há 44 anos. Desde meados dos anos 1980 que a agricultura se vem instalando no concelho, com maior intensidade nos últimos 15 anos. E, até hoje, não existe um espaço de apoio às empresas agrícolas.

 

- A variante de S. Teotónio com início, uma obra em curso/parada que se arrasta no tempo. Isso tem custos acrescidos. A falta de planeamento é crassa. Neste caso até se pode por em causa a sua necessidade uma vez que ninguém sente a sua falta.

 

-A tão prometida ETAR de São Teotónio tarda em chegar. Prometida a cada ato eleitoral mas demora a concretizar-se. No entanto asfalta-se em três dias estradas, ainda por adjudicar, só para passar uma mão cheia de secretários de estado ou um ministro.

 


O concelho de Odemira é bonito mas o que motiva este executivo é o seu desejo básico de ganhar eleições sem responder verdadeiramente às necessidades das populações e sem criar verdadeiras linhas orientadoras de futuro.

 

Reagir e tapar buracos não chega!

 

 

* 1 discussão gerada por interpretações diferentes do sentido de uma palavra; querela em torno de palavras 

2 p.ext. emprego de termos não definidos num discurso, numa argumentação; palavreado vão 

3 pej. querela em torno de coisas insignificantes (in dicionário Priberam)