E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Monólogo ou diálogo?

O processo de disciplinar


Por:Maria Monteiro

Jordan Whitt
2017-06-12
Dê oportunidade ao seu filho de participar no processo de disciplina - envolva-o

“Ao envolver o seu filho no processo de disciplina dá-lhe oportunidade de pensar acerca das suas próprias acções e daquilo que resultou delas a um nível muito mais profundo. Está a ajuda-lo a adquirir as redes neuronais mais complexas, que desenvolvem a capacidade de visão mental, e o resultado é uma aprendizagem mais profunda e duradoura.” (Disciplina Sem dramas, Daniel Siegel e Tina Bryson, Lua de papel 2015)

 

Quando a nossa paciência se esgota e nos irritamos temos tendência a ditar regras rígidas ignorando as necessidades dos nossos filhos.

 

“A partir de hoje jogas 15 minutos no computador e nada mais …”

 

“Voltaste a correr no supermercado! Já não te levo mais!”

 

“Chegaste atrasado outra vez! Ficas sem ir ao parque 1 mês!”

 

“A partir de agora os TPC são feitos quando chegas a casa …”

 

“Não há discussões, come primeiro a sopa e pronto!”

 

Este tipo de atitude é pouco eficiente ….Já deve ter reparado que não resulta nem para si nem para o seu filho! É que é difícil de cumprir tanto pelos pais como pelos filhos! Além disso leva a situações mais difíceis de resolver pois os filhos sentem-se impotentes perante ordens tão rígidas e gera-se uma luta pelo poder desnecessária.

 

É claro que em certas situações os nossos filhos têm que lidar com um não e gerir os sentimentos de desilusão e frustração que surgem em certas situações da vida.

 

A proposta é envolver o seu filho no processo de disciplinar. Apesar da resistência inicial os nossos filhos descobrem que têm todo o interesse em participar no diálogo sobre a disciplina para defenderem as suas necessidades no momento em que se vão estabelecer novos limites, novas regras! Eles vão querer negociar! E isso é positivo.

 

Outra grande vantagem de envolver o seu filho na resolução de problemas e na disciplina é que dá-lhe a oportunidade de desenvolver a parte superior do cérebro que o ajuda a acalmar-se, a reflectir sobre as suas acções e respectivas consequências.

 

Queremos, na educação dos nossos filhos criar alicerces para que vão aprendendo a expressar e regular as emoções e a ter discernimento acerca do seu comportamento reflectindo sobre ele.

 

Queríamos que fosse mais fácil, menos cansativo e frustrante!

 

Eu sei que à primeira vista parece que estas estratégias dão ainda mais trabalho e que temos a tendência a resistir a experimentar coisas diferentes na educação dos nossos filhos. Gostamos de rotinas!

 

No entanto, depois de vencermos essa resistência e quando começamos a experimentar envolve-los no diálogo sobre novas regras e limites teremos menos trabalho e menos discussões. Sentimo-nos mais felizes e confortáveis por encontrar soluções que satisfaçam pais e filhos. E temos melhores resultados no comportamento desejado. E temos recaídas – nós e eles!

 

Quando damos ordens e impomos regras sem dialogar sobre o que se passou e sobre como encontrar uma solução estamos a ter uma atitude reactiva, estamos a agir sem reflectir, que é exactamente o tipo de atitude que estamos a querer que os nossos filhos aprendam a evitar! Queremos mudar a nossa atitude. Queremos usar a energia que gastávamos a ficar zangados, a dar ordens, sermões ou castigos para procurar soluções em conjunto. E eles têm muitas sugestões que se tornam em soluções com o apoio dos pais.