PALAVRA DE PALHAÇO

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O novo ano letivo já começou


Por:Enano Torres

Element5 Digital - Unsplash
2017-09-26
Boa Sorte para todos e sempre teremos os fins de semana para apanhar o ar de que precisamos

O novo ano letivo já começou, e pergunto-me qual é a percentagem de crianças, jovens e adultos que estariam com Saudades de voltar às escolas?

 

Arrisco de que o resultado seria negativo e a maioria teria vontade de alongar mais tempo o Verão (começando pelos professores).

 

As aulas voltam a estar cheias de crianças gritando, saltando, brincando e até chorando. Existe sempre alguma criança que nestes primeiros dias chora à entrada da escola abraçada efusivamente à sua Mamã como se não existisse amanhã!

 

Crianças caloiras que passam pelo período de adaptação escolar que começa pelo choro e vai até ao mijo nas calças novas que a mãezinha comprou para o dia da rentrée escolar.

 

As crianças mais “veteranas” até têm maior vontade de regressar à escola para estar com os amigos que ao longo do verão não viram. Mas, mais tarde, quando as tarefas, os trabalhos de casa e as obrigações se multiplicam, começam a ficar cansadas e, consequentemente, perdem o gosto pela escola.

 

Também existem aquelas crianças que no ano anterior tiveram uma má experiência escolar e o regresso às aulas é como uma escalada no Everest.

 

Ou aquele aluno que não teve uma boa relação com o professor de Matemática e confirma que terá de levar com ele durante mais um ano.

 

É frequente também, nestes inícios letivos, a falta de professores em algumas disciplinas devido ao caos organizativo do Ministério da Educação o qual sempre começa chumbando o ano, perante a resignação dos papás e o regozijo das criancinhas que têm mais uma hora para brincar ou, pelo menos, para ir para à Biblioteca tirar o pó aos livros que por lá habitam.

 

Após as férias é comum aparecer a síndrome “postférias”. Seja o confronto com o trabalho, seja o regresso à escola, os sintomas são o cansaço e a falta de força para o dia, transtornos alimentares, estado de ânimo triste; o mais comum nas crianças costuma ser fingir de manhã que está doente para evitar ir à escola, (confesso que esta artimanha usei variadas vezes até que a minha mãe topava que a “enfermidade” passava subitamente assim que eu descobria que não ia para a sala de aulas, voltando a aparecer na manhã seguinte).

 

O período de adaptação à escola, após as férias, pode durar entre dois dias a três semanas. Normalmente na quarta semana vai-se assumindo a obrigação de ir às aulas, agarrando-se ao conforto dos fins de semana e às vindouras férias de Natal.

 

Aquele período não é só das crianças. É também dos adultos pois nos sentimos alterados perante a adaptação à nova rotina. Sendo assim temos que tentar que o nosso estado altere o mínimo possível perante o nosso pequeno pois a criança é consciente deste estado de mudança.

 

Sinto que também é importante que, como pais, tentemos criar um sentimento positivo relativamente à escola onde, embora seja uma obrigação, existem motivos para que haja momentos divertidos, seja o reencontro com os colegas, a mudança de professores, as atividades de enriquecimento escolar ou os primeiros namoricos!

 

Devemos também mostrar algum interesse em saber como vão as coisas na escola mas sem que isso pareça um interrogatório caso contrário os nossos filhos ficarão fartos de nós.

 

A comunicação na família é a base duma estabilidade emocional.

 

Também é importante explicar aos nossos filhos o trabalho importante e difícil que os professores têm ao lidar dia após dia com diferentes turmas, e fazer cumprir um programa por dar, por isso quanto mais lhes forem facilitadas aquelas tarefas muito melhor e mais leve será o ano e, por favor, não obriguem os vossos filhos a ter resultados excelentes pois isso é acrescentar pressão num sistema educativo que, por si só, já pressiona todos (pais, crianças, professores). Pode demorar até que as coisas mudem enquanto copiamos outros sistemas com melhores resultados, como o Finlandês, por exemplo.

 

Boa Sorte para todos e sempre teremos os fins de semana para apanhar o ar de que precisamos para o resto da semana e a lembrança das nossas férias com a certeza de que o verão há de voltar, volver, come back!