POLÉMICA

PSD diz-se traído por independentes em Sabóia

Acordo eleitoral caiu por terra

2017-11-05
Os sociais-democratas recusaram acordo para viabilizar maioria PS na junta de freguesia e comunicaram que os independentes quebraram aliança de oposição pós-eleitoral

O PSD de Sabóia acusa a lista de independentes Sabóia Com Futuro de ter cessado um acordo de oposição ao PS que ganhou as últimas eleições para a junta de freguesia com maioria relativa. “O cabeça de lista do PPD/PSD-SABÓIA, Márcio Coelho, foi informado pelo cabeça-de-lista do Movimento Independentes XVII, Manuel José Correia, apenas duas horas antes de começar a sessão da Assembleia de Freguesia, que os Independentes tinham decidido cessar o acordo que haviam assinado com o PSD/PPD e, dessa forma, estariam disponíveis doravante para se juntarem ao Partido Socialista no Executivo da Junta”, revela o PSD de Sabóia em comunicado.

 

As eleições para a junta de Sabóia foram renhidas. O PS ganhou com 235 votos e elegeu o cabeça-de-lista, Fernando Guerreiro, como presidente de junta. O movimento de independentes Sabóia Com Futuro (SCF), liderado por Manuel José Correia ficou muito perto com 206 votos. 

 

A lista do PSD alcançou 97 votos e a CDU ficou-se pelos 34 votos. O resultado ditou assim três mandatos para o PS, três para os independentes e um para o PSD. O PS ficou assim com três opções: gerir a junta em maioria relativa (três votos contra quatro) arriscando ver a sua acção bloqueada pela oposição, aliar-se com o PSD ou aliar-se com o SCF. 

 

De acordo com PSD, o PS sondou os sociais-democratas, após as eleições para viabilizar o executivo, oferecendo o cargo de tesoureiro. “A proposta foi recusada por ir contra o que prometemos aos saboianos e que é Renovar Sabóia”, justifica o PSD aludindo ao lema de campanha.

 

Para os sociais-democratas, um acordo com o PS seria “contraditório” com o discurso eleitoral. “Dessa forma estaríamos a trair a vontade de mudança manifestada pelos saboianos”, pode ler-se no comunicado.

 

Em alternativa, o PSD alega ter assinado um acordo com o movimento SCF. “O referido acordo visava dar uma resposta política à vontade que o povo saboiano exprimira maioritariamente nas eleições, uma vontade de mudança, já que, em cada 10 eleitores, 6 não votaram no PS”, justifica. 

 

O PSD aponta as culpas da quebra do acordo ao que diz ser “o clima de constante coacção psicológica e chantagem emocional e política criado à volta dos membros daquele movimento, numa manobra orquestrada pelo aparelho do Partido Socialista, que não olha a meios para obter os seus fins - conservar o poder e dominar a Freguesia” e acusa os socialistas de “falta de cultura democrática”.

 

O partido laranja queixa-se de “ataques pessoais” aos seus membros. “Infelizmente, alguns elementos do PS não hesitaram em apelidar publicamente de “maus saboianos” os seus opositores mais destacados com o intuito de os rebaixar perante a população e de os condicionar e inibir na sua acção”, acusa.

 

Face à situação política criada, o PSD promete ser “oposição firme e responsável”. “Os saboianos podem ficar certos que podem confiar em nós para continuar a pugnar acima de tudo pelos interesses da freguesia”, promete.

 

por Ricardo Vilhena (não usa AO)