José Alberto Guerreiro garante ficar os quatro anos

Presidente garante não querer lugar de Pedro do Carmo no Parlamento

2017-11-05
Autarca quer cumprir mandato até ao fim e só pensará em abdicar se receber um pouco provável convite para um alto cargo governamental após as próximas legislativas

O PS ganhou as eleições e o figurino é quase o mesmo, com dois vereadores da CDU na oposição. Na Assembleia Municipal, para além da CDU há também representação do PSD (dois membros) e do BE (um membro). 

 

Face a este cenário, o MERCÚRIO quis saber qual o papel que a presidência da câmara espera da oposição.

 

“É difícil metermo-nos na pele dos outros, sabe”, começa por responder. “Oposição pode ter uma carga negativa ou ser associado a algo construtivo”, interrompemos. José Alberto Guerreiro discorda da carga negativa: “Oposição significa, em termos autárquicos, que não está a governar os destinos da câmara”. E precisa: “correndo o risco de dizer uma frase que cai sempre bem, digo-lhe que a oposição faz falta à democracia, não tenho dúvida disso e lembro que temos tido oposições responsáveis e sempre muito activas, tal como quando fomos oposição”.

 

O autarca destaca o “papel colaborante” das oposições que “estão disponíveis para encontrar soluções melhoradas”. “Uma oposição não tem necessariamente que estar sempre contra”, defende admitindo que possa haver tomadas de posição contra “por motivos de ordem ideológica”. Mas se isso acontecer, garante seguir em frente: “há um tempo para discutir e outro para decidir, havendo questões que não podem esperar eternamente por um consenso”.

 

O edil espera uma oposição “fiscalizadora”. “Se há questões em que seja preciso um olhar mais atento aos procedimentos legais, para que a câmara possa fazer tudo dentro da lei, isso também é um papel que cabe à oposição, respeito esse papel”, convida. 

 

De seguida lançámos uma farpa. Lembramos que em certas câmaras, devido à lei de limitação de mandatos, o presidente abdica deixando o lugar ao número dois, para que este possa ter mais hipóteses de ganhar a câmara na eleição seguinte. A resposta vem pronta: “olhe, não foi isso que fizeram comigo, nem eu teria permitido, considerei que era fundamental ir a eleições para me sentir livre de tomar decisões que vinham da eleição por sufrágio directo”.

 

“Mas o que não me está a perguntar directamente é se prendendo sair antes do final do mandato”, devolve o presidente. “Mas eu dou-lhe a resposta: cumprirei o mandato todo, estou muito empenhado nessa missão”.

 

Uma promessa, diz, que só será quebrada em condições “muito excepcionais” e após “profunda e responsável ponderação”. “Só renunciarei se tiver algum problema de saúde ou for indicado para um alto cargo do Estado ao nível do Governo e se o deputado Pedro do Carmo renunciar ou for para outro cargo, não irei para a Assembleia da República, pode escrever que não vou”, esclarece.

 

No caso de ser convidado para secretário de Estado ou ministro, o autarca garante que só aceitará se esse convite ocorrer no próximo mandato governativo. “São convites muito restritos e nessa altura já nem terei idade para isso”, brinca.

 

E planos para a pós-presidência? “Não tenho nada planeado, o meu desejo é cumprir integralmente este mandato e posteriormente ter mais tempo para mim e para os meus”, prevê.

 

por Ricardo Vilhena