A MÁQUINA DO TEMPO

100 anos da Revolução Soviética

Uma das maiores mudanças de paradigma de toda a História


Por:Artur Efigénio

2017-12-11
Restam hoje no mundo pouquíssimos regimes de inspiração marxista-leninista

Fez por estes dias um século que ocorreu uma das maiores mudanças de paradigma de toda a História – A Revolução Soviética. Com esta revolução, inspirada nos ideais marxistas, passava a instituir-se uma absoluta novidade: o poder passava a pertencer, em termos teóricos, não à aristocracia nem à burguesia, mas às classes então exploradas. Experimentava-se assim uma originalidade ao nível da filosofia política aplicada à prática. O extermínio que se seguiu com o comunismo, foi uma vergonha e um desastre para a humanidade a par do Fascismo e do Nazismo, e somente alguns, felizmente poucos, fazem de conta que não existiu e tentam dar-lhes outros contornos mais suaves e até poéticos.

 

Este modelo político socialista proposto por Lenine, o Czar vermelho, passava por uma ditadura do proletariado e, na prática, confiava o poder a uma assembleia de trabalhadores (os sovietes), mas ficando esse poder a cargo de um todo-poderoso partido único que os controlava.

 

Isto ocorreu, após a deposição e assassinato do Czar Nicolau II, cuja família, os Romanov, detinha o poder desde 1613. Consideravam-se os herdeiros dos imperadores bizantinos, que por sua vez o eram dos césares romanos. A Rússia era assim a “Terceira Roma”. Daí que o título adotado pelos soberanos fosse precisamente o de Czar, ou seja César.

 

As ideias contidas no marxismo-leninismo, como “luta de classes”, “fim da propriedade privada” e “ditadura do proletariado”, foram bandeiras da revolução comunista de 1917 e os pretextos para liquidar todas as classes sociais na Rússia. Nessa guerra contra os “inimigos de classe”, Lenine, o fundador da União Soviética, político pragmático, tático genial, frio e cruel, não olhou a meios para exterminá-las, para assim poder operar a sua política opressora numa crescente coletivização social, agrícola e industrial.

 

Suceder-lhe-ia Estaline, que levou a cabo uma ainda maior e mais sinistra política comunista. Uma industrialização acelerada e uma coletivização forçada das extensas explorações agrícolas que eram, até então, propriedade de camponeses com algumas posses. Estes proprietários, os pejorativamente denominados “Kulaks”, foram mortos ou perseguidos, sendo a administração das terras substituídas por “Kolkhozes” (cooperativas) e “Sovkhozes” (propriedades agrícolas estatais), onde o trabalho era forçado, as deportações de milhões eram necessárias e a fome era prática comum. “Holodomor”, foi o termo ucraniano empregue para o holocausto ou genocídio que ocorreu nessa época na Ucrânia, mas que se generalizaria um pouco por toda a URSS, dando origem até a fenómenos de canibalismo ou necrofagia, que viriam a fundar o mito de que “os comunistas comiam criancinhas”.

 

Para quem não se submetia à doutrina política vigente de Estaline, existiam os “Gulags” ou campos de trabalhos forçados, para onde eram degredados os opositores. A morte também passou a ser encarada como objetivo de produção. Foi a chamada “Grande purga”, onde as quotas para os assassinatos, independentemente de quem se tratava, tinham de ser cumpridas. Morreram milhões. Foi este o tipo de regime opressor e controlador que vigorou na URSS até à queda do muro de Berlim e à Perestroika de Gorbatchov.

 

Restam hoje no mundo pouquíssimos regimes de inspiração marxista-leninista. Coreia do Norte, Cuba e Venezuela são os exemplos mais flagrantes deste tipo de doutrina ditatorial comunista. Regimes totalitários, utópicos e sem respeito pelos direitos humanos. Todos eles a braços com graves crises económicas, humanitárias e sociais, mas onde continuam a ser prática doutrinária a coletivização dos meios de produção, a guerra contra a propriedade privada, as perseguições políticas e as manobras de eternização no poder, sempre em nome da luta dos trabalhadores e do povo.

 

Todos os extremismos, como o Fascismo ou Nazismo, enquanto tipo de regime totalitário com ideologias políticas de direita, devem ser repudiados e relembrados às novas gerações como formas abjetas de doutrina governativa. Mas também não deve ser passada uma espoja suave de esquecimento histórico sobre os de esquerda, como o Comunismo e o Socialismo, que também já foram testados com consequências dramáticas e não menos graves que os outros. A esse propósito, vale a pena reler o livro de George Orwell - O Triunfo dos Porcos!

 

por Artur Efigénio