ATLANTIC SUN FARMS

Batata-doce, uma raiz tuberosa

A batata que não é batata

2017-12-11
A Atlantic Sun Farms Portugal (ASF), situada na Azenha do Mar (S. Teotónio/Odemira), é o maior produtor de Batata-doce em Portugal.

A ASF Tem vindo a aumentar a sua produção anualmente: em 2017 produziu 3700 toneladas de Batata-doce de diferentes variedades. O mercúrio visitou uma das suas propriedades e foi acolhido pela entusiasta Margarida Carvalho, gestora de vendas e marketing e conhecedora da ASF ao pormenor.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Existe uma barreira na comunicação entre as pessoas no geral, e até das instituições do estado, e as empresas agrícolas. “Há muitas pessoas que acham que a agricultura é horrível. A ideia negativa acerca da agricultura ainda persiste, mesmo ao nível das instituições do estado”. Estas são as primeiras palavras de Margarida. “Apercebi-me disso em intervenções que ouvi de alguns membros dessas instituições”. Palavras corroboradas ironicamente por Michael Marschall, dono e diretor da ASF: “nós estamos aqui para dar cabo do Parque Natural, destruir a terra e contaminar a água”. Depois explica num tom mais sério:

 

“regamos e lavamos a Batata-doce com água pura e simples, não tratada, que vem diretamente da barragem de Santa Clara,e estamos numa zona com ar muito pouco poluído. O que verdadeiramente fazemos aqui é agricultura praticamente biológica mas sem termos a certificação”.

 

A conversa continua com Margarida. “Hoje, a agricultura é uma ciência com uma tecnologia tal que as pessoas nem têm a noção. Ainda há de facto muita coisa má na agricultura no mundo mas aqui, no concelho de Odemira, a maioria das práticas agrícolas são boas. A maior parte das empresas aqui instaladas exportam a quase totalidade das suas produções e por isso são todas certificadas, não podem não ter boas práticas agrícolas e sociais”.

 

 

O INÍCIO DA ATLANTIC SUN FARMS

 

A ASF surgiu em 2012 nos ‘Montes de Cima’, quando a empresa Fritz Marschall Agrarsysteme comprou a propriedade que pertencia ao grupo alemão BEHR e onde já se realizava produção agrícola.

 

A Família Marschall já trabalha no agronegócio há muitos anos, está muito ligada à maquinaria agrícola na Alemanha e foi pioneira na importação para a Alemanha e para a Holanda de frutos tropicais. “Naquele ano já tinham negócios com a BEHR, decidiram comprar esta quinta e produzir Batata-doce”, explica Margarida, continuando “foi reconhecido, na altura - e eu acho que foi mesmo um tiro certeiro – o potencial de produzir aqui Batata-doce. O seu mercado, na altura começava a mostrar crescimento”.

 

O crescimento do consumo de Batata-doce na Europa veio-se a verificar também em Portugal. Na altura a Europa importava mais de 120 mil toneladas/ano de Batata-doce, sendo os Estados Unidos da América um dos maiores fornecedores, com cerca de 70% desse mercado, seguindo-se o Egito, as Honduras, Israel, Senegal, África do Sul e Brasil.

 

Para além de reconhecer o potencial do negócio, Fritz Marschall reconheceu também o potencial do Sudoeste Alentejano por ser já uma zona de produção de Batata-doce.

 

Em 2012 ainda se mantiveram no campo as culturas em produção. No ano seguinte todo o campo estava convertido em Batata-doce.

 

“A partir daí adquiriram-se outras quintas aqui ao lado, a ‘Quinta da Azenha’ e o ‘Monte Paris’. O objetivo era produzir exclusivamente batata doce e houve grandes investimentos nesta cultura e nestas quintas”, conta Margarida.

 

Neste momento a ASF cultiva cerca de 113 do total dos 150 hectares que possui.

 

 

AS PLANTAS

 

A cada ano que passa, no início da campanha, os trabalhadores da ASF têm de se adaptar às ‘afinações’ que foram surgindo. Também na própria cultura da Batata-doce. “Todos os anos temos novos desafios e isso faz parte do nosso crescimento porque ou se produz uma cultura que toda a gente já conhece e domina ou, se se produz uma cultura como a Batata-doce que não está ainda desenvolvida e tem um mercado em grande crescimento, temos de crescer com ela”.

 

Para Margarida, o serviço que a ASF presta em Portugal é “realmente excecional e diferenciador” conseguindo ter um produto de “qualidade superior”.

 

A determinada altura do percurso da Atlantic Sun Farms foi percetível a importância de investir na produção de plantas sãs. “É aí que tudo começa e a sanidade da planta mãe, como em qualquer produto agrícola, é fundamental”, diz, prosseguindo, “reconhecemos a importância do começo deste processo e percebemos que não tínhamos soluções no mercado suficientemente satisfatórias para termos o produto final com a qualidade que pretendemos”.

 

Foram criadas, então, parcerias com universidades em Portugal e empresas e laboratórios no estrangeiro para o desenvolvimento de plantas sãs.

 

Os viveiros de propagação vegetativa da ASF são, para além de uma parte como se fazia antigamente, a céu aberto, em estufas de ar livre mas não completamente controladas, e outra parte em estufas isoladas com ambiente controlado, com controle de temperatura, luz e ventilação. “As plantas que lá entram são plantas que vêm de laboratório e isso depois reflete-se na produção e, obviamente, na conservação e na qualidade da Batata-doce”, sublinha.

 

 

BATATA-DOCE 

A BATATA QUE NÃO É BATATA

 

A única semelhança entre a Batata-doce e a Batata é o nome batata. “Só a palavra batata lhes é comum. Nem tão pouco são da mesma família botânica”, explica Margarida.

 

A Batata é um tubérculo e a Batata-doce é uma raiz tuberosa e as suas características são muito diferentes apesar de ambas terem mais ou menos as mesmas aptidões culinárias. “Normalmente não se substitui uma couve por uma batata mas substitui-se batata ou arroz por Batata-doce”.

 

Se na culinária são usadas ao mesmo nível já na sua composição são muito diferentes. A Batata-doce é muito rica em antioxidantes, não tem glúten, é muito rica em fibra e tem baixo índice glicémico, o que a torna num alimento altamente recomendado para diabéticos. “É o ‘pecado’ - que não é pecado - permitido aos diabéticos que podem comer aquele doce, sem culpa!” repara Margarida.

 

 

AS VARIEDADES

 

Na totalidade são oito as variedades de Batata-doce em produção na Atlantic Sun Farms.

 

A maior produção é a de polpa laranja porque o mercado de exportação para os países europeus assim o exige. “Mas a ASF também está presente e é reconhecida no mercado nacional porque a nossa qualidade é realmente diferenciadora” informa Margarida.

 

Seguem-se ainda variedades de polpa branca, maioritariamente para o mercado nacional, e especialidades como as de polpa roxa e de polpa branca e pele branca.

 

A chamada Batata-doce ‘Chinesa’ não é um nome de variedade de Batata-doce - nem vem da China - mas uma variedade de Batata-doce de polpa branca, de origem chinesa, muito parecida com a ‘Lira’ mas com maiores índices de produtividade. Margarida teoriza em tom humorado: “acho que as pessoas usam esse termo aqui, de uma forma pejorativa, por ser uma variedade parecida com a ‘Lira’ (variedade desta região), como quem diz que vou ali à loja dos chineses comprar uma manhosice”.

 

Apesar da sua menor produtividade (cerca de 50% menos), a ASF reconhece e valoriza a qualidade da ‘Lira’ e produz esta variedade com sistema de gota-a-gota, com monda manual constante e sem herbicidas. Desta forma, “bem diferente da forma artesanal”, a ASF consegue resultados superiores ao normal. “Produzimo-la, não só porque temos clientes para a ‘Lira’ mas também porque temos essa responsabilidade perante a região e temos todo o orgulho em produzi-la e, devo dizer, a tal ‘Chinesa’, a irmã manhosa da lira, não tem o desempenho que nos interessa e vamos reduzir consideravelmente a sua produção”, diz Margarida. A ‘Lira’ ocupa cerca de 7% do volume total da produção da ASF.

 

Para Margarida a ‘Lira’ é uma “variedade excecional” e tem “muita qualidade” no entanto Margarida considera que há um erro de julgamento das outras variedades.

 

“A ‘Lira’ é boa porque é boa e não porque as outras variedades são piores. A diversidade de variedades é interessante para a região e eu noto, no mercado nacional, uma tendência cada vez maior no consumo da Batata-doce de polpa laranja. Penso que o que as pessoas gostam mais na ‘Lira’ é do sabor próximo da castanha, a consistência e o desempenho culinário”.

 

Margarida conta que a ASF “enquanto empresa jovem que é, ainda está a adaptar a produção àquilo que são os seus objetivos. Temos variedades que pensamos que têm uma performance excelente no campo mas depois na conservação não são assim tão boas, temos outras que o são mas o material vegetativo não está isento de vírus e nós não queremos contaminar os nossos solos e por isso temos de ter maior cuidado, e há uma série de fatores que nós vamos avaliando de campanha para campanha e que nos faz escolher umas em detrimento de outras”.

 

O objetivo da ASF é reduzir o leque de variedades mas não demasiado porque no mercado, quer do consumo quer da industria, há clientes para todos os tipos de variedade sendo conveniente manter a diversidade. “No embalamento, esta diversidade é um desafio, porque cada vez que muda a variedade temos de fazer uma limpeza ‘brutal’ na linha”, explica.

 

 

AS PRÁTICAS AGRÍCOLAS

 

Na produção, campo e embalamento a Atlantic Sun Farms tem três certificações: a HACCP (certificação independente e imparcial, que assegura que os produtos são produzidos, manipulados, embalados, distribuído e fornecidos de forma segura) e a GLOBALG.A.P. (certificação que confere que a produção agrícola é realizada de forma segura e sustentável) e ainda a GRASP (GLOBALG.A.P. Risk Assessment on Social Practice) uma certificação de boas práticas sociais na unidade de produção nos aspetos de saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores.

 

“Ninguém exporta sem o GLOBALG.A.P.”, afirma Margarida.

 

“Somos auditados uma vez por ano e para ter tudo em ordem para a auditoria temos de ter tudo em ordem durante todo o ano. Encaramos como uma ferramenta”, garante.

 

Quanto à utilização de produtos fitofármacos a ASF está muito limitada. Em Portugal não há produtos homologados para a cultura da Batata-doce porque esta é considerada uma cultura de uso menor. “Existem poucos produtos e que não nos resolvem os problemas todos e a consequência que temos são os custos elevadíssimos com mão-de-obra na monda”.

 

A ASF recorre muito a produtos naturais, controla e faz rotação regular dos solos e recorre com frequência à ciência da agricultura para controlo dos custos de manutenção da cultura.

 

“Temos clientes cujas especificações e exigências vão além das certificações e da lei e que constantemente nos pedem análise de produto e de solo para verificar os limites de resíduos e nós cumprimos os limites não porque nos impõem mas porque já trabalhamos dessa forma”, esclarece.

 

Após a colheita nenhum produto de conservação poderá ser aplicado à Batata-doce. A lavagem é realizada com água “pura e simples”, não tratada.

 

 

O PARQUE NATURAL

 

Estranhamente, o facto de a ASF produzir num Parque Natural (PN) não acrescenta valor ao produto. “No nosso site dizemos que a ASF está idilicamente localizada num PN mas essa informação não é especialmente relevante lá fora porque, nos países para onde exportamos, Portugal é sinal de qualidade, PN ou não, para eles Portugal é bom!”, clarifica Margarida.

 

“Curiosamente, quem poderia valorizar a localização da ASF num PN seria o mercado nacional e os portugueses ainda não estão despertos para isso, pelo contrário, são capazes de associar a produção agrícola num PN a algo muito mau em vez de pensar que, exatamente por se fazer agricultura num PN, tem de se praticar uma agricultura ainda mais cuidada”.

 

 

A PRODUÇÃO E EMBALAMENTO

 

A proximidade do mar, que reduz a probabilidade de geada, o clima, a água e o solo arenoso tornam o sudoeste de Portugal ideal para a produção de Batata-doce. “A amplitude térmica é muito baixa. A determinada altura a Batata-doce precisa de manter o solo quente e aqui fazemo-lo a céu aberto, sem recorrer a coberturas de solo, e isso é muito bom. Por alguma razão a Batata-doce é muito mais produzida aqui que noutra parte do país”, diz Margarida.

 

A Batata-doce tem um único ciclo no ano. Só há uma colheita anual.

 

“Temos o ano totalmente preenchido. Quando acabamos com a colheita já estamos a trabalhar nas novas plantas”, explica.

 

O ano de produção coincide com o ano comercial. Começa em janeiro com a propagação em estufa, depois em fevereiro e março as plantas estão a crescer, em abril inicia-se a plantação até maio/junho, julho no limite, e as primeiras colheitas começam no final de agosto/início de setembro. A colheita vai, no limite, até dezembro. “O objetivo é realizá-la o mais rapidamente possível mas com tanta área temos sempre que alargar um pouco mais”, conclui.

 

A produtividade por hectare varia consoante as variedades e com todos os fatores que a agricultura possa ter.

 

Há variedades de polpa laranja que passam das 50 toneladas por hectare e há outras que pouco passam das 20. A ‘Lira’, num ano bom, pode atingir as 18 toneladas por hectare.

 

A média de produção por hectare da ASF ronda as 35 toneladas por.

 

A Batata-doce quando vem do campo está em bruto e vai para a ‘cura’ em caixotes de madeira de cerca de 300 quilos. Depois vai para uma câmara de conservação donde sai quando precisa de ser processada para uma encomenda. Entra na linha, é lavada, calibrada, separada por tamanhos e depois escolhida consoante as encomendas. Pode sair em caixas de plástico retornáveis até 20 quilos, ou em caixas de cartão da própria ASF, sob a marca “The Veggy Company” ou nas dos clientes e ainda em sacos de plástico com 500 gramas ou 1 quilo.

 

 

A MÃO-DE-OBRA

 

A monda manual nos campos da Atlantic Sun Farms é constante por não existirem herbicidas eficazes homologados para a cultura da Batata-doce. Os custos com esta mão-de-obra são elevados. 

 

Segundo Margarida, a ASF normalmente não tem problemas de falta de mão-de-obra porque anda em contraciclo dos frutos vermelhos. “Podemos, na altura de plantação, ter alguma dificuldade”. Nos picos de trabalho são contratadas temporariamente cerca de 50 pessoas. A empresa tem 20 trabalhadores fixos. 

 

Quando a colheita acaba o número de trabalhadores diminui. Este ano a ASF irá manter alguns dos trabalhadores temporários por não fazer sentido estar constantemente a formar novas pessoas e por considerar justo manter “aqueles que já estão na empresa há algum tempo, que já têm um bom ritmo de trabalho e que gostam do que fazem”.

 

Em percentagem existem cerca de 90% de portugueses no quadro e cerca de 20% nos trabalhos temporários.

 

O horário de trabalho é de oito horas diárias. No campo o dia começa às 07h00 e acaba às 16h00. Por norma são dadas duas folgas semanais. A Batata-doce não é uma cultura de resposta imediata mas pode acontecer haver trabalho para mais uma hora ou um sábado para regularizar as encomendas da semana, ou cumprir os objetivos de plantação ou colheita.

 

 

O MERCADO

 

A maior parte da produção da Atlantic Sun Farms é exportada. “Começámos com 100% para exportação mas temos feito algum esforço para entrar no mercado nacional e neste momento 30% da produção fica em Portugal”.

 

O preço de mercado na exportação dos produtos da ASF não é muito variável. Há meses em que o mercado está “inundado” de Batata-doce dos EUA ou Espanha, que têm de ter todo o produto no mercado até dezembro porque não conservam. “O ideal para nós é trabalhar com preço constante, à campanha. Temos o fator qualidade que nos é reconhecido, que nos está associado e que faz com que os nossos clientes se mantenham connosco”, conta Margarida. “Temos uma qualidade diferenciada e isso para nós tem um custo que é a rejeição existente no embalamento e ao rejeitar perdemos volumes mas os nossos clientes acabam por estar dispostos a pagá-lo”.

 

Existem dois tipos de perdas. As perdas definitivas, o lixo, que é Batata-doce que já está podre ou com um tempo de vida muito reduzido e que é recolhida para alimentação animal, incinerada ou enterrada; e a categoria industria que é Batata-doce que tem qualidade do ponto de vista de segurança alimentar para ser consumida mas tem defeitos, como as pontas cortadas ou demasiadas feridas na pele e por isso vai para transformação.

 

Há três anos os clientes nacionais não encomendavam Batata-doce de polpa laranja mas, quando não há Batata-doce produzida em Portugal, importam-na dos Estados Unidos da América.

 

“Começou a criar-se uma curiosidade em torno das diferenças entre variedades: a pele, a polpa, o sabor, a doçura e agora já há muita curiosidade e muita procura e até os ‘mil e um’ programas de culinária que existem na televisão usam muito a Batata-doce porque há uma preocupação cada vez maior com a alimentação e a Batata-doce é um produto naturalmente saudável”, diz Margarida.

 

“As pessoas começam a querer experimentar e a querer inovar e tudo isto gera curiosidade e interesse”, remata.

 

 

AS MÁQUINAS E A UNIDADE FABRIL

 

O grande investimento na produção da Batata-doce, em máquinas de plantação, de colheita e de embalamento e a ligação da família Marschall à maquinaria agrícola, em particular a paixão de Fritz Marschall no desenho de novas máquinas e no aperfeiçoamento de máquinas já existentes no mercado, fez com que a inovação na ASF fosse uma constante.

 

Margarida revela que “a cada ano, quando começa a campanha, há sempre uma melhor maneira de fazer as coisas. O Sr. Fritz, que infelizmente morreu há pouco tempo, com oitenta e muitos anos, dedicava-se muito às nossas máquinas e do que se poderia melhorar. Não só no campo mas também na unidade de embalamento, que foi feita e que começou a trabalhar nestes moldes em 2014”.

 

Até àquela data o embalamento era realizado numa unidade mais simples. “Nos Estados Unidos da América estas máquinas existem mas aqui em Portugal e no resto da Europa não. Nesse aspeto fomos pioneiros na Europa. Mesmo Espanha, que é um grande produtor de Batata-doce, não têm estruturas deste tipo”,sublinha.

 

A Atlantic Sun Farms foi pioneira na ‘cura’ da Batata-doce.

 

A cura da Batata-doce é um tratamento de temperatura e de humidade que se faz à Batata-doce para selar as células da pele. Margarida esclarece, “colocamo-las numa câmara com temperatura e humidade controlada especificamente para esse efeito que é diferente da conservação, as células da pele ‘fecham’ e a Batata-doce torna-se mais resistente”.

 

Dessa forma a ASF consegue conservar a Batata-doce mais tempo.

 

Mas nem tudo é controlável e as diferentes variedades comportam-se de maneiras diferentes. “A determinada altura a Batata-doce começa a criar rebentos, por exemplo, que nós não controlamos mas o processo que temos facilita-nos muito o trabalho e reconhecemos um desempenho diferente da conservação de uma Batata-doce curada de outra que não foi curada porque todas as feridas que possam existir ou possam surgir na máquina de colheita acabam por ser ‘curadas’ nessa câmara”.

 

No armazenamento e na linha de embalamento também existem câmaras com ventilação, temperatura e humidade controladas.

 

Como não existe uma linha específica para Batata-doce, a empresa que instalou a linha de embalamento foi agregando componentes de várias outras linhas que pudessem ser úteis àquele produto, “que não é uma laranja redondinha nem uma batata ovalada” existindo por isso uma série de condicionantes que tiveram de ser adaptadas, “e nós estamos, cada vez mais, a dominar melhor a linha, cada vez conseguimos melhores soluções para os problemas que surgem com um trabalho constante e com grande investimento”, informa Margarida.

 

 

O FUTURO

 

“Em relação ao futuro nós queremos melhorar os nossos viveiros, dominar a cultura da Batata-doce, queremos produzir melhor, saber conservar melhor e prepará-la para ser vendida”, diz Margarida, “No entanto é possível que possam surgir outras culturas. Apesar de o nosso foco ser a Batata-doce não estamos totalmente fechados”.

 

por Pedro Pinto Leite