OBSERVAÇÕES DE UM ESTRANGEIRO

A Piscina de Odemira

por Peter Schreiber

2017-12-11
Não há outro lugar no mundo onde me sinto tão intensamente acompanhado como na piscina de Odemira

A Senhora da recepção é muito simpática. Mas logo começa o interrogatório:

„Trouxe calções de banho?“

„Sim, claro!“

„Mas não daqueles tipo Bermuda! Têm que ser justos.“

„Sim“ – minto. Pelo menos tenho comigo cuecas novas da Calvin Klein.

A senhora da recepção não desiste: E uma touca de natação?“

„Não tenho.“

Fico a saber que não se entra na piscina sem touca. Mas a senhora tem uma dica para mim: lá em baixo, no chinês, há toucas baratas. Vou, portanto, de carro ao chinês e depois volto.

Tudo pronto, penso. Mas nem pensar!

Agora tenho que preencher um impresso de duas páginas: Nome, número do B.I., entidade emissora... Pelo menos sou poupado de um atestado médico.

A seguir, a senhora faz-me uma oferta bem-intencionada: „Os idosos pagam menos. – O senhor já tem 65 anos, não é?“

Desta vez digo a verdade: „Não, tenho apenas 64 anos.“ 

Provavelmente mais por vaidade do que pelo amor à verdade.

Com um cartão chip vou ao piso inferior. Um jovem entediado troca o cartão por uma chave de um armário. Um trabalho árduo.

Nesta manhã, eu e outro senhor de certa idade somos os únicos na piscina – além do nadador-salvador, claro. Calmamente atravesso a piscina a nadar. E penso: 3 empregados para 2 nadadores! Não há outro lugar no mundo onde me sinto tão intensamente acompanhado como na piscina de Odemira.

 

por Peter Schreiber