EDITORIAL

Felicidade ou Contentamento?

A felicidade é um estado perene. O contentamento é um estado passageiro


Por:Pedro Pinto Leite

2018-01-31
O concelho de Odemira pode desenvolver uma visão para uma vida plena que não confunda felicidade com contentamento

Na edição de outubro, nesta mesma rubrica (Editorial), pode ler-se nos três últimos parágrafos o seguinte:

 

“O desejável é que, para quem visite uma região, Odemira por exemplo, sinta de forma cada vez mais intensa o seu valor único na simples presença da sua gente. Esse sentir não pode ser interpretado de uma forma ‘pitoresca’.

 

Quem visite e viva nessa região deverá atribuir-lhe um valor muito para além da sua diferenciação paisagística e cultural. É necessário trabalhar a sua consciência regional, partilhá-la numa rede colaborativa e desenvolver a FRB (Felicidade Regional Bruta) em vez de, simplesmente, se aplicar um orçamento.

 

Em política não é comum considerar-se a consciência regional como um elemento fundamental da sua entidade.”

 

No primeiro parágrafo do Editorial da edição de dezembro do Boletim Municipal, o Presidente da Câmara Municipal de Odemira escreve o seguinte:

 

“Ao iniciar um novo mandato autárquico em Odemira, faço-o na convicção de que as ideias que legitimamente apresentámos foram as escolhidas como as mais adequadas à promoção do desenvolvimento que conduz à felicidade dos nossos concidadãos. Julgo por isso, estar investido da legitimidade soberana dos Odemirenses para, mais uma vez, dar continuidade ao sonho que continuo a alimentar de transformar Odemira no melhor município do Alentejo e num dos melhores em Portugal. Estamos aqui, única e simplesmente, para tudo fazer e mobilizar que possa trazer progresso, qualidade de vida e felicidade à vida dos Odemirenses.”

 

A leitura mais imediata deste último parágrafo é a de que o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Odemira, ao abordar pela primeira vez o assunto da felicidade e prometer tudo fazer para levá-la à vida dos odemirenses, lê o MERCÚRIO e que aquilo que lê pode inspirar o seu pensamento.

 

Pretensões à parte é de salientar a enorme coragem de um líder político ao apontar a felicidade como o caminho. Isto é algo tão raro e tão valioso que é difícil não sentir medo ao prometê-la.

 

Afinal, a felicidade é algo que todas as pessoas procuram alcançar. É um tema muito batido por religiosos, espiritualistas, artistas, psicólogos, poetas... e constante nas conversas desta vida. Eventualmente já tudo se disse acerca do assunto. Eventualmente até são conhecidos os processos de a alcançar. Expressões como “sou tão feliz contigo”, “estou feliz com o meu trabalho” ou “sinto-me muito feliz na terra onde vivo”, são manifestadas por muita gente que experiencia estas situações.

 

A questão passa por um conhecimento muito mais profundo da humanidade.

 

A felicidade é um estado perene, subjetivo, vago mas independente e é muitas vezes confundida com contentamento que é um estado passageiro, dependente do momento e pouco estável. Nem toda a gente é feliz mas toda a gente pode estar alegre em determinada altura da sua vida. Mesmo os infelizes.

 

Dizer-se que se tem ideias para “promover o desenvolvimento que conduz à felicidade” e que tudo se fará para “trazer felicidade” aos odemirenses, também é vago.

 

É de facto possível trabalhar a consciência, investir no conhecimento e na evolução pessoal para se ter a possibilidade de se ser feliz e é sabido que uma pessoa feliz explora melhor o seu talento, é mais produtiva e não desperdiça energia em conflitos. “O sucesso não é a chave para a felicidade; A felicidade é a chave para o sucesso. Quem ama o que faz, será bem-sucedido. (Albert Schweitzer).

 

O grau de felicidade de uma comunidade não se mede pelo número de ‘passadiços’ construídos ou de ruas calcetadas.

 

O concelho de Odemira pode desenvolver uma visão para uma vida plena que não confunda felicidade com contentamento.

 

por Pedro Pinto Leite