A MÁQUINA DO TEMPO

Para maiores de 18 anos

Acabámos de entrar num novo ano, o de 2018


Por:Artur Efigénio

James bak - unsplash
2018-01-31
Os que nasceram em 2000 vão agora fazer 18 anos e tornam-se adultos. São eles que vão agora mudar o mundo

Acabámos de entrar num novo ano, o de 2018. Parece que não, mas entramos assim na maioridade do novo milénio. Ok!... Pode não ser agora, mas sim só para o ano, já que o novo milénio só começou em 2001. Ainda assim, parece que foi ontem que estávamos a festejar a entrada no ano de 2000. Daí para cá muita coisa ocorreu. Mas primeiro vamos àquilo que felizmente não aconteceu: Desde logo, o Fim do mundo, como alguns anunciaram, e o “bug” do milénio, que supostamente seria o crash do mundo informático e que não se veio a verificar poupando os nossos computadores da altura. Depois vieram os factos que marcaram o início deste novo milénio, recordemos a cronologia dos mais marcantes:

 

No ano de 2000, Putin é eleito Presidente, o Concorde cai em França e o submarino russo Kusrk afunda-se. Após uma dúbia recontagem dos votos no estado da Flórida George W. Bush que concorria contra Al Gore é eleito Presidente dos EUA. Um verdadeiro anjinho comparado com o demente e atual Donald, mas que teve de lidar com o maior e mais mediático acontecimento da História recente e que mudaria o mundo - o ataque de 11 de setembro de 2001 às torres gémeas. Por cá, o ano de 2001 ficaria marcado pela queda da ponte de Entre-os-Rios onde morreram 59 pessoas. Guterres demite-se para evitar o pântano político e tem agora de lidar com Donald e outros da mesma estirpe que se entretém a medir qual tem o botão maior na secretária.

 

O ano de 2002 marca a introdução da moeda Euro em doze países da UE, passando nós, portugueses, a ter de pôr a cabeça a pensar duas vezes antes de ter de pagar alguma coisa pois os nossos neurónios só funcionavam em Escudos. Também neste ano, a 20 de maio, Timor-Leste tornava-se independente após 24 anos de ocupação indonésia. Encontrava-me lá, no comando de uma missão militar e assisti “in loco” ao orgulho daquele povo.

 

O ano de 2003 é marcado pelo início da guerra do Iraque, tendo o nosso primeiro-ministro Durão Barroso sido anfitrião da Cimeira das Lages, onde Bush, Aznar e Blair se reuniram na véspera do ataque. É também neste ano que o vaivém Columbia se desintegra durante o regresso à atmosfera terrestre, matando os seus sete ocupantes em direto na TV. Por cá ocorre um dos maiores desperdícios de dinheiro dos últimos tempos – a construção de estádios para o campeonato europeu de futebol, equacionando-se agora a demolição de alguns por estarem às moscas e por terem gastos de manutenção incomportáveis.

 

O ano de 2004 é marcado internacionalmente pelo sismo e tsunami no sudoeste asiático onde morreram milhares de pessoas e pelos atentados terroristas de Madrid perpetrados pela Al-Quaeda onde 191 morrem e mais de dois mil ficaram feridos. Por cá, todos põem bandeiras nacionais às janelas durante o Euro 2004 e Durão Barroso põe-se ao fresco para o cargo de Presidente da Comissão Europeia deixando-nos Santana Lopes com o fardo de nos governar, o que viria a permitir a Sócrates, já no ano de 2005, tornar-se primeiro-ministro, pondo em prática tudo aquilo que a Operação Marquês veio agora a revelar. Foi também no ano de 2005 que ocorreu o furacão Katrina que matou milhares de Americanos em Nova-Orleães e o metro de Londres foi palco de um outro atentado terrorista.

 

2006, é o ano que em Cuba, Fidel Castro passa o poder ao irmão. O nosso planeta Plutão é despromovido e passa a anão. Saddam Hussein é condenado à morte, assistindo todos nós a imagens do seu enforcamento. Por cá, já no verão de 2007 na praia da Luz, enquanto os McCann jantam, Madeleine desaparece sem deixar rasto. Bulgária e Roménia aderem à UE (época de entradas! … Agora assiste-se a saídas).

 

2008, tornar-se-ia o ano da chegada pela primeira vez de um Afroamericano à Casa Branca, deixando este homem muitas saudades nos dias que correm. É também o ano do início da crise financeira na economia mundial e que ainda hoje nos vai ao bolso.

 

Daí para cá, nos restantes 10 anos até hoje, também muita coisa aconteceu, mas poder-se-á dizer que esta década foi profundamente marcada em Portugal pelos sacrifícios que nos foram impostos pela crise da dívida pública, pelos desvarios do BPN, do BES, do BANIF da PT e de um ex primeiro-ministro agora a braços com a justiça. A geração Millennials, a primeira geração de nativos digitais, aqueles que nasceram e cresceram já no digital e os mais bem preparados, começam agora a ocupar os cargos e órgãos de decisão (isto, os que não emigraram!). Os que nasceram em 2000 vão agora fazer 18 anos e tornam-se adultos. São eles que vão agora mudar o mundo. Provavelmente não vão assistir a uma nova mudança de século tal como nós, os da transição. Os que vivemos em dois séculos. Mas vão certamente conhecer coisas que ainda não foram descobertas ou sequer pensadas. E de uma forma muito mais rápida do que os cotas do século XX.

 

por Artur Efigénio