FESTIVAIS

Laços musicais com a Hungria em destaque no Terras sem Sombra

Festival de música erudita começa em Fevereiro

2018-01-31
Odemira é ponto de passagem obrigatório do evento. Os concertos prometem uma viagem ao conhecimento através das sonoridades do centro da Europa

A Hungria vai estar em destaque na 14ª edição do Terras sem Sombra, um festival de música erudita que começa a 17 de Fevereiro em Vilar de Frades e vai percorrer alguns dos mais destacados monumentos do Baixo Alentejo. Nesta edição, são também convidados os Estados Unidos da América e a Espanha. “O Festival apresenta uma viagem ao conhecimento através da música”, promete a Pedra Angular, que organiza o evento.

 

Este ano, o número de espetáculos aumenta, para dez, com a incorporação de novos concelhos, como Barrancos e Elvas, e o regresso a Mértola e à Vidigueira. Para além destes, o evento vai decorrer em Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa e Beja.

 

As temáticas de valorização do património e da salvaguarda da biodiversidade ganham mais relevo nesta edição, com uma programação que abre as portas de quintas, conventos, moinhos, adegas e herdades, entre outros locais de património material e imaterial. A proposta é a de “um novo olhar e oferecendo uma perspectiva inovadora do território”. Como já é habitual os músicos e espectadores serão convidados a acompanhar estas visitas guiadas, nalguns casos oportunidades únicas para visitar certos locais.

 

A reflexão sobre o território é outra das imagens de marca deste evento. “Através da colaboração com diversas associações, proprietários, universidades, entre outras entidades locais, foram elaborados dois programas cuja finalidade é chamar a atenção da opinião pública para as fragilidades e oportunidades do Baixo-Alentejo”, aponta a organização.

 

A programação de música conta com cinco concertos “centro-europeus” que são complementares. Dois deles estendem laços afectivos e musicais a Portugal. Num, sublinham-se as relações entre algumas obras do compositor Fernando Lopes-Graça e as canções populares húngaras em que se inspirou, pondo lado a lado, com a garantia interpretativa da Academia Liszt, artistas lusos e húngaros. No segundo, o de Vena Piano Trio, a pianista, Andrea Fernandes, é portuguesa e colabora com a Ópera de Budapeste, ao passo que a violinista e a violoncelista, Erzsebet Hutas e Kamila Slodkowska, são, respectivamente, húngara e polaca. Associa-se a este concerto o compositor Eurico Carrapatoso, partilhando o programa com Kodály e Chopin. O Coro de Câmara Vaszy Viktor, oferece um repertório de música sacra, do século XIX aos nossos dias.

 

Quanto aos dois concertos restantes, o protagonismo recai sobre a Academia Liszt: um resulta da participação de alunos finalistas, oriundos de todos os países do Grupo de Visegrád, que interpretam obras de compositores afins, mormente Dvorák, Janácek, Chopin e Kodály; o concerto final é dedicado à música contemporânea húngara, apresentando peças de Kurtág, Bartók e Eötvös a par das de mestres das novas gerações.

 

Por sua vez, o pianista Artur Pizarro dedica o seu concerto a Liszt e a um dos grandes discípulos e amigos do virtuoso maestro húngaro, José Vianna da Motta. Esta sólida relação húngaro-portuguesa vê-se reforçada  pelo concerto do Ludovice Ensemble (Barrancos), sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto.

 

O concerto da jovem pianista americana Pauline Yang – que aos 11 anos já dera um recital no Carnegie Hall, de Nova Iorque, é uma peregrinação por obras-primas do piano. De Espanha, chega-nos um invulgar concerto de órgão, trombeta histórica e percussões, pelo trio formado por Vicente Alcaide, Abraham Martínez e Alvaro Garrido. Além de tudo isto, um concerto realizado em co-produção com a Universidade Autónoma de Madrid evoca o canto corso, que tantas semelhanças apresenta com o cante alentejano, trazendo a Beja o ensemble vocal Barbara Furtuna. Trata-se do primeiro fruto de um protocolo pioneiro, estabelecido entre o festival alentejano e o Centro Superior de Investigación y Promoción de la Música daquela universidade.

 

Mais informação em https://festivalterrassemsombra.org

 

Ricardo Vilhena (não usa AO)