OBSERVAÇÕES DE UM ESTRANGEIRO

Estradas

por Peter Schreiber

2018-01-31
O que mais me impressiona são os sinais verticais que proíbem a ultrapassagem...

Conduzir nas autoestradas de Portugal é um verdadeiro prazer: um bom tapete de asfalto novinho em folha e, às vezes, nenhum outro carro durante vários minutos. Além disso, entradas e saídas generosamente dimensionadas como se não houvesse outras possibilidades senão cobrir a paisagem com betão. Só para as estradas secundárias parece faltar o dinheiro. Ou será que apenas foi esquecida a estrada que liga São Luís a Relíquias?

 

Quem tenha máquinas de construção, betão e asfalto, fará um bom negócio. Não esquecendo os fabricantes dos sinais verticais. Sejam curvas para a direita ou esquerda, distância de segurança, limite de velocidade ou a distância da bomba de gasolina mais próxima – não se quer mandar o condutor ignorante para um destino incerto.

 

O que mais me impressiona são os sinais verticais que proíbem a ultrapassagem. Um número tão grande como, p.ex., na N 263, não deve existir em nenhum outro lugar no mundo. Muitas vezes, uma proibição de ultrapassagem é seguida pelo seu levantamento apenas 50 metros depois. E assim continua: proibição, levantamento, e outra vez proibição, levantamento ...Só entre Relíquias e Odemira são 191 sinais em ambos os lados da estrada que exclusivamente indicam as proibições de ultrapassagem e os respetivos levantamentos. Contei-os um por um: 191 sinais em 19 quilómetros! Deve ser um recorde mundial que torna os fabricantes de sinais no Alentejo em milionários.

 

No início, fiquei surpreendido pelos sinais de “Velocidade Controlada“ nas entradas das povoações. Quem não respeitar o aviso vai enfrentar semáforos vermelhos. Muito eficaz! Com isto, os outros países podiam ainda aprender alguma coisa. Também as rotundas são exemplares. Enquanto na Alemanha, nos cruzamentos, existem quase sempre semáforos, em Portugal não fazem falta. Muitas vezes é mais vantajoso para o ambiente e para os condutores se o trânsito for regulado sem semáforos. Mesmo que, de vez em quando, se pergunte porque é que existem, no Alentejo, rotundas em sítios onde no fundo não são necessárias.

 

 

por Peter Schreiber