E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Smartphone, redes sociais e jogos online?

por Maria Monteiro


Por:Maria Monteiro

2018-01-31
A dependência da Internet é considerada uma dependência comportamental, sem substância

Já me aconteceu?

 

Perder-me no tempo porque estava a jogar online?

Adiar o que tinha para fazer porque decidi que tinha que acabar o jogo online?

Preferir dizer por mensagem aquilo que era difícil dizer olhos nos olhos?

Interromper boas conversas que estão a acontecer quando chegou uma mensagem?

Usar as ferramentas disponíveis online para gozar, ridicularizar alguém?

Provocar mal-entendidos porque enviei uma mensagem escrita?

Divertir-me e ocupar o tempo na sala de espera com conteúdos online?

Resolver um problema no momento porque tinha acesso a conteúdos online?

Falar mais vezes com as pessoas de quem gosto?

Ficar todo o dia no quarto a jogar online?

Ficar irritado porque não tenho acesso à internet?

Ter outras coisas importante para resolver e decidir ficar a jogar online?

Não comer e não dormir o suficiente porque fiquei a jogar?

Mentir acerca do tempo que estou a jogar online?

A informação online facilitar a minha vida?

Preferir continuar a jogar em vez de ir ter com os amigos ou namorar, como tinha combinado?

Ficar muito stressado porque pensei que me tinha esquecido do telefone em casa?

Será que és dependente da internet? Faz o teste! (aqui)

 

“Na literatura da especialidade é consensual que se está a assistir a uma alteração de paradigma do jogo infanto-juvenil, caracterizado pela inatividade física, longos períodos de jogo e aumento do grau de isolamento social, o que não poderá a prazo deixar de ter consequências.” (Lopes, H. 2013). Link (pag.77).

 

A investigadora Ivone Patrão do Instituto Superior de Psicologia Aplicada refere que “Temos cada fez mais pessoas com acesso a computador e na experiência clínica percebo que cada vez mais os adolescentes estão entregues a si próprios no uso do computador. Há uma necessidade de educar os jovens para a forma como podem fazer um uso saudável destes dispositivos”. Refere ainda que a dependência da Internet é considerada uma ‘dependência comportamental, sem substância’ e que o próximo passo importante nesta área será juntar esforços para pelo desenvolvimento de formas de intervenção e terapêuticas para contrariar o vício do online nos jovens em Portugal. Link

 

Ainda acerca da dependência dos jogos online, Rita Oliveira e Ana Veloso explicam “Se o jogador passa a maior parte do tempo a jogar e nada mais lhe suscita interesse senão o jogo, é óbvio que existe um problema com ele e que esse facto lhe irá trazer graves complicações. O distúrbio mais comum e conhecido ligado aos jogos é, sem dúvida, a dependência que estes podem causar no jogador. Quando a atividade de jogar é recorrente, o sistema de recompensa dos jogadores é ativado repetidamente, provocando a libertação de um neurotransmissor chamado dopamina. Devido ao prazer que jogador sente em estar envolvido na experiência de jogo, esta situação é normal acontecer, no entanto quando a ação de jogar é executada continuadamente, o cérebro interpreta essas modificações de uma forma errada. Os comportamentos da pessoa dependente de jogos online assemelham-se aos comportamentos existentes noutras dependências! A “ressaca” e a necessidade de aumentar a “dose” para sentir prazer, podem instalar-se! E um ciclo vicioso começa! Link

 

É sugerido que, para equilibrar a relação com o jogo online e a dependência do telemóvel, que sejam encontradas outras atividades, saudáveis e estimulantes e que diminua progressivamente o número de horas que está online. Em relação à dependência exagerado do telemóvel aconselha-se que defina para si regras certificando-se dos momentos e situações que quer preservar sem a interferência do seu telemóvel. Faça-o sem esquecer os vários contextos do seu dia-a-dia, os pedidos dos seus filhos, colegas, amigos e não se esqueça de comunicar as suas decisões aos outros, aqueles que estavam habituados à sua disponibilidade online de 24H! Link

 

Para acabar e aumentar a curiosidade sobre este assunto, sabia que dois dos maiores investidores da Apple enviaram, no início de Janeiro, uma carta aberta à empresa com um pedido explícito e desconcertante: combater o crescente vício das crianças face ao uso do iPhone e da internet (redes sociais incluídas)! Link

 

por Maria Monteiro