DE QUEM É O OLHAR

O país em que quero viver

Uma canção, uma escolha


Por:Monika Dresing

2018-02-28
Isto não quer dizer que para mim é um paraíso em que tudo está a correr bem

Recentemente ouvi uma canção dum cançonetista, pianista, apresentador alemão, Bodo Wartke, que gostava de partilhar (em partes):

 

“Tenho a impressão de que tudo o que tem mantido unido

O mundo no seu interior

Vai cair aos pedaços como num terramoto

Se não ficarmos atentos, 

Mesmo aquilo que se tomava por garantido.

Por isso pergunto-me:

Em que país neste mundo quero viver?

No país em que quero viver existe democracia

E em vez de capitalismo sem escrúpulos uma economia para o bem-estar de todos,

Um país em que os pobres não são castigados

E que experimenta a ideia do rendimento básico sem condições.

Porque assim existiria muito mais justiça desde o princípio

E sobraria muito mais tempo para aquilo que é realmente importante.

Quero um país em que as pessoas se apoiam umas às outras,

Onde se protegem homem, animal, ambiente e minorias.

Cada pessoa faz parte do país em que quero viver 

Seja ela L ou G ou B ou T ou I ou Q,

E nem a cor da pele nem a origem são determinantes

Mas unicamente o comportamento de cada um. 

O país em que quero viver é governado por um grupo

Que se orienta pela prudência, pela decência e pela razão,

Pessoas que respeitam o Estado de Direito e a separação de poderes

E que não aspirem ser ditadores governando por decretos.

No país em que quero viver este perigo não existe

Porque há uma jurisdição independente

Com juízes que tomam posição contra corrupção e arbitrariedade,

E a pena capital pertence ao passado.

A base da jurisdição é uma legislação fundamentada na razão

E não um livro antigo que faz propaganda a favor da violência instigando contra “descrentes”.

Quero um país que respeita os direitos humanos

E que separa o Estado da Igreja.

No país em que quero viver não importa o que és,

Se és budista, muçulmano, judeu, cristão ou ateísta,

Porque é natural que todos se respeitam uns aos outros

E ninguém tenta missionar o outro.

No país em que quero viver existe a liberdade de expressão

Sem que ninguém acaba por isso na prisão

E não existe uma ameaça de morte para os caricaturistas

Os poetas, os satíricos ou os jornalistas críticos.

Porque penso que uma imprensa livre e de qualidade

É do interesse de todos,

É ela que observa atentamente as acções dos poderosos

E podemos confiar nela porque sabemos que se baseia em factos.

No país em que quero viver fazem-se investimentos na educação.

As crianças são orientadas individualmente e abastecidas de conhecimentos

E não doutrinadas e deixadas ignorantes de propósito.

São lhes fornecidas habilidades para que possam participar sabiamente no futuro do país.

Assim não vão cair nas armadilhas das soluções supostamente fáceis

E não se deixam enganar pelos encantadores religiosos ou os populistas

Porque sabem pensar de forma autónoma fazendo perguntas críticas.

Quanto mais as pessoas sabem, tanto menos precisam de acreditar

Um país que é tolerante mas que ao mesmo tempo

Mostra uma posição clara contra qualquer forma de intolerância,

Que levanta a voz na presença de injustiça e não fala de orgulho nacional.

Este é o país em que quero viver!”

 

Escolhi Portugal como país em que quero viver, uma escolha tanto emocional como consciente, mas isto não quer dizer que para mim é um paraíso em que tudo está a correr bem. Olhando para os assuntos mencionados na canção nota-se que ainda existe muita coisa por fazer. O mais importante: Ficarmos atentos!

 

por Monika Dresing