A MÁQUINA DO TEMPO

“Olhó Robot…”

O futuro próximo


Por:Artur Efigénio

Alex knight - Unsplash
2018-02-28
A sociedade terá de se preparar para uma verdadeira revolução que vai chegar com uma profundidade multiplicada pela velocidade futura da transmissão de conhecimento e informação

“Olhó Robot…é pró menino e prá menina…”, é uma canção do grupo Salada de Frutas que faz parte da historiografia musical dos anos oitenta, quando se assistiu em Portugal à explosão do rock português.

 

Na letra desta música, já na altura era cantado pela vocalista da banda, Lena d´Água, um dos ícones musicais desses loucos anos, diz que “o Robot trabalha muito e ganha pouco,… e é muito útil para quem manda… olhó.” Que era a expressão com que terminava o refrão. Este era um tempo de libertação social e cultural, em que se viveu, com um atraso de vinte anos, um género de Woodstock à moda portuguesa.

 

Não sendo o objeto do presente texto o período dessa explosão do rock na língua de Camões, que também seria motivo de interessante análise, não deixa de ser curioso que já nessa altura se começasse a falar da utilização de robôs. Por certo, e relembrando o vídeo dessa música, esse robot era, na altura, era uma máquina amistosa, de olhos simpáticos e que se prestava a fornecer ajuda nas tarefas domésticas do dia-a-dia.

 

 Passados quase quarenta anos o paradigma que se coloca hoje em relação às máquinas denominadas de robôs é muito mais profundo, abrangente e até intimidante, pois anteveem-se cenários até agora só possíveis no campo da ficção científica, de uma crescente proliferação e domínio da sociedade por parte de outras formas de inteligência não humanas assentes no artificial.

 

Esqueçamos os simpáticos robôs domésticos com formatos humanos associados à imagem que temos do Concierge privado e até aqueles mais modernos com estruturas mecânicas articuláveis como as utilizadas pelos fabricantes de automóveis nas suas modernas linhas de montagem e concentremo-nos nos novos robôs que já existem ou nos que ainda estão para vir. Aqueles que não tem formatos visíveis, e que atuarão na dimensão das nanotecnologias, das biotecnologias e neurotecnologias, ou numa outra dimensão digital de inteligência e cujas funções e utilidades se apresentarão à sociedade como de carácter insofismável, tornando-se, caso não existam limites éticos e morais, numa potencial ameaça à sociedade em geral.

 

Para quem pensa que ainda estamos muito longe, basta debruçar-se um pouco sobre este tema e pesquisar informação ou fazer uma breve visita a uma qualquer feira internacional de tecnologia e ver o que por lá se apresenta sobre a matéria, constatando o estado da arte. No Fórum Mundial Anual de Davos em janeiro foi já essa a estrela do debate.

 

E é aí que entram as implicações no mundo do trabalho. Aquilo que hoje conhecemos como fazendo parte de uma futura 4.ª revolução industrial onde impera o digital e a internet das coisas, poderá até já ser considerado como passado. A sociedade, cada vez mais, terá de se preparar para uma verdadeira revolução que vai chegar com uma profundidade multiplicada pela velocidade futura da transmissão de conhecimento e informação. E esta vai mudar completamente a forma de encaramos e vermos o mundo. Vai-se assistir a um verdadeiro “Darwinismo tecnológico” onde aqueles que não se adaptam não conseguirão sobreviver.

 

Num futuro, que é já hoje, se nos quisermos manter atualizados e sobreviver, teremos de ser mais informados, melhor formados, mais qualificados e mais abertos à inovação e mudança. No fundo ter uma atitude mais disruptiva e tentar ver todos os ângulos dos problemas e principalmente ver “fora da caixa”, para fazer face às imprevisíveis e voláteis características das novas sociedades tecnológicas, dos novos empregos, das novas atividades de lazer e num sentido mais lato e abrangente, das novas formas de viver.

 

Não ficar amarrado a dogmas e doutrinas ultrapassadas, mas manter uma atitude ética assente nos valores humanos, que esses sim, nunca se alterarão, será fundamental para acompanhar a transformação que se está a viver. Não vale a pena lutar contra a evolução e argumentar que é incompreensível, insensível e injusta, mas sim tentar apanhar o barco. Ou melhor dizendo…o já atual drone ou o automóvel autómato!

 

por Artur Efigénio